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    O mercado brasileiro de trigo enfrenta a perspectiva de registrar, na safra 2025/26, a menor produção nacional desde 2020. O cenário é influenciado pela baixa liquidez nas negociações, demanda enfraquecida da indústria moageira, abastecimento confortável dos moinhos e pressão sobre os preços decorrente do equilíbrio entre oferta e demanda. Como consequência, terá a maior necessidade de importação de trigo já observada para garantir o abastecimento interno.

    De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de trigo na safra 2025/26 está estimada em 6.025,9 mil toneladas, representando uma queda de 23,5% em relação à safra anterior. O recuo reflete a redução de 16,7% na área cultivada, estimada em 2.036,7 mil hectares, aliada à queda de 8,1% na produtividade média, projetada em 2.959 kg por hectare.

    O mercado segue exposto a riscos climáticos e geopolíticos. Os possíveis efeitos do El Niño podem comprometer a qualidade dos grãos e reduzir ainda mais a oferta, especialmente diante da retração da área cultivada. No cenário internacional, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém incertezas quanto ao fluxo de exportações desses importantes fornecedores mundiais de trigo, elevando a volatilidade dos preços e a insegurança quanto ao abastecimento global.

    Esse cenário também reflete uma estratégia mais cautelosa dos produtores, que reduziram os investimentos na cultura diante da baixa rentabilidade. Entre os principais fatores está o aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes nitrogenados, cujos preços voltaram a subir em razão do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

    Analista Responsável Larissa Curvelo