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    A indústria têxtil e de confecção brasileira encerrou 2025 com desempenho positivo, embora em trajetória de desaceleração. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), os dados consolidados do ano mostram crescimento de 6,8% na produção têxtil e avanço de 0,7% na confecção, na comparação entre janeiro e novembro com igual período de 2024. No varejo de vestuário, as vendas cresceram 2%, enquanto a cadeia gerou 21,9 mil empregos formais no período. No comércio exterior, as exportações de têxteis e confeccionados alcançaram US$ 951 milhões, alta de 8%, mas as importações somaram US$ 6,81 bilhões, avanço de 5,2%, resultando em déficit de aproximadamente US$ 5,86 bilhões. O aumento de 13,1% das importações de vestuário evidencia a crescente pressão competitiva sobre a produção nacional, particularmente em segmentos mais expostos aos fornecedores asiáticos.

    Para 2026, o cenário é de crescimento moderado e maior seletividade empresarial. O IEMI – Inteligência de Mercado identifica mudanças relevantes no comportamento do consumidor, nos canais de distribuição e na composição da demanda, ao mesmo tempo em que a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) aponta como fatores determinantes para a competitividade os custos de produção, a disponibilidade de crédito, a carga tributária, a concorrência dos importados e a capacidade de investimento. A agenda industrial deverá avançar em automação, digitalização, eficiência energética, gestão de estoques, rastreabilidade e desenvolvimento de produtos de maior valor agregado. A modernização do parque fabril permanece estratégica, com investimentos direcionados à atualização de máquinas, tecnologia, automação e expansão seletiva de capacidade, especialmente entre empresas com maior escala e posicionamento competitivo.

    Na perspectiva dos próximos anos, as empresas fabricantes de fibras, fios, tecidos, malhas e confeccionados deverão operar em um ambiente de crescente competição, no qual escala, produtividade, tecnologia e diferenciação serão determinantes para a preservação de margens e participação de mercado. Fabricantes como Santista Têxtil, Vicunha, Coteminas, Döhler e Karsten, entre outros grupos relevantes da cadeia, deverão combinar eficiência industrial com inovação de produto, sustentabilidade e maior integração da cadeia de suprimentos.

    A tendência é de investimentos crescentes em automação, planejamento e controle da produção, desenvolvimento de novos materiais e processos de menor impacto ambiental, além da busca por maior valor agregado. Nesse contexto, a indústria brasileira poderá ampliar sua competitividade não apenas pela substituição de importações, mas também pela expansão em nichos técnicos e de maior especificação, transformando a atual pressão competitiva em estímulo à modernização e ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

    Analista Responsável Thais Virga.