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    A indústria brasileira de snacks, com destaque para os segmentos de chocolates e biscoitos, mantém trajetória de fortalecimento sustentada por investimentos produtivos, inovação em portfólio e ampliação da competitividade.

    Segundo últimas informações da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB), o Brasil produziu aproximadamente 805 mil toneladas de chocolate em 2024, consolidando-se entre os principais mercados mundiais, enquanto a entidade projeta crescente inserção internacional da indústria, apoiada por iniciativas como o Projeto Brasil Sweets & Snacks, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil, que ampliou a geração de negócios na Sweets & Snacks Expo 2025. Paralelamente, a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI) informa que sua cadeia representa um mercado superior a R$ 70 bilhões, movimenta cerca de 5,1 milhões de toneladas em vendas e gera aproximadamente 260 mil empregos, evidenciando a relevância econômica e industrial do segmento.

    O ambiente competitivo tem sido caracterizado pela aceleração dos investimentos e pela ampliação das estratégias de diferenciação. Entre os movimentos recentes destacam-se o investimento de R$ 40 milhões do Grupo Dallas para implantação de um polo voltado à produção de chocolates premium no Brasil; a expansão da linha Nestlé Recheados, com o lançamento do sabor Chokito; e o fortalecimento das estratégias de convergência entre categorias, exemplificado pela parceria entre Piracanjuba e Cacau Show, que levou a marca laCreme ao segmento de bebidas prontas para consumo (RTD). No segmento de biscoitos, as fabricantes seguem investindo em novos formatos, recheios, indulgência premium e conveniência, acompanhando a demanda por maior valor agregado e experiências diferenciadas, ao mesmo tempo em que ampliam eficiência operacional e capacidade produtiva.

    As transformações no comportamento do consumidor também vêm redefinindo as agendas de inovação da indústria.

    Além da crescente demanda por produtos premium, porções individuais, formulações com redução de açúcar e opções funcionais, grandes fabricantes passaram a desenvolver soluções específicas para públicos com novas necessidades nutricionais. Nesse contexto, e, por exemplo, recentemente a Nestlé anunciou adaptações em parte de seu portfólio para consumidores em tratamento com medicamentos agonistas do receptor GLP-1, tendência que ganha relevância global devido às mudanças no padrão de consumo alimentar.

    Em paralelo, licenciamentos de marcas, colaborações entre empresas e extensões de linha reforçam estratégias de captura de valor em diferentes ocasiões de consumo, indicando que a competitividade do setor brasileiro de snacks continuará fundamentada na combinação entre inovação, capacidade industrial, fortalecimento de marcas e desenvolvimento de novos mercados.

    Analista Responsável Thais Virga.