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AutorLafis
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Ano2026
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Categoria
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Analista ResponsávelThaís Virga Passos
O setor brasileiro de snacks mantém
trajetória de crescimento nominal em 2026, porém com maior seletividade do
consumo e pressão sobre volumes. No primeiro semestre, o mercado de
biscoitos, massas, pães e bolos industrializados movimentou R$ 36 bilhões, alta
de 2,1% sobre igual período de 2025, enquanto o volume recuou 2,1%;
especificamente, os biscoitos alcançaram R$ 18 bilhões (+3,7%), mas com
queda de 2,3% em volume, segundo a ABIMAPI, em parceria com a NielsenIQ.
Já quanto ao segmento de chocolates, a ABICAB
registrou para a Páscoa de 2026 avanço da produção para 814 mil toneladas
em 2025, ante 806 mil em 2024, além de 46 milhões de ovos produzidos para a
temporada e 134 novos produtos, evidenciando a capacidade de inovação,
diversificação e premiumização da indústria.
O principal
vetor de risco permanece concentrado nos custos de matérias-primas,
especialmente no cacau, ao mesmo tempo em que fabricantes procuram preservar
margens por meio de preço, mix, produtividade e inovação.
A International Cocoa Organization
(ICCO) revisou o balanço mundial de 2024/25 para um superávit de 48 mil
toneladas, após produção estimada em 4,723 milhões de toneladas e moagem de
4,628 milhões; ainda assim, a matéria-prima permanece em patamar elevado, com
preço indicativo da ICCO de aproximadamente US$ 5,7 mil por tonelada em 25 de
setembro de 2026. Nas empresas globais, a Mondelēz International reportou no
segundo trimestre crescimento orgânico de 2,2%, com volume/mix positivo de
0,7%, mas destacou o impacto do ciclo do cacau sobre a rentabilidade; a Nestlé,
por sua vez, apresentou crescimento orgânico de 3,7% no primeiro semestre,
reconhecendo pressão de preços de cacau e indicando expectativa de alguma
redução desses custos no segundo semestre.
Para o fechamento de 2026, portanto, o mercado
tende a combinar crescimento de receita, disciplina de volume e maior
diferenciação de portfólio.
Em biscoitos, a expansão das categorias de maior
valor agregado — cookies, recheados e cobertos — e o uso do
produto como alternativa relativamente mais acessível à indulgência em
chocolate constituem oportunidades, enquanto as exportações adicionam
potencial: a ABIMAPI registrou US$ 137,2 milhões em vendas externas no primeiro
semestre, alta de 14%, embora tenha identificado impacto das tarifas
norte-americanas. Em chocolates, a diversificação de formatos, intensidades
de cacau, combinações e produtos premium abre espaço para captura de valor;
paralelamente, a Lei nº 15.404/2026, cuja vigência está prevista para maio
de 2027, exige preparação antecipada de formulações, denominações e rotulagem,
segundo a ABICAB. Assim, até dezembro, competitividade deverá depender menos de
expansão física de volumes e mais de gestão de custos, arquitetura de preços,
inovação, produtividade, canais e precisão na segmentação do consumidor.
Analista Responsável Thais Virga.
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