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  • economia brasileira, indicadores econômicos, câmbio, inflação, balança comercial, juros selic, desemprego, atividade industrial
    A Pesquisa Mensal de Serviços referente ao mês de março de 2020, divulgada pelo IBGE no dia 12/05, registrou recuo de 6,9% no volume de serviços prestados no país em relação ao mês anterior na série com ajuste sazonal, sendo esta a queda mais intensa de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2011. A pesquisa destaca que tal desempenho foi influenciado, principalmente, pelos últimos 10 dias do mês de março, quando se iniciaram as medidas de combate ao novo coronavírus (Covid-19) em diversas regiões do Brasil. Com isso, o resultado acumulado no ano passou de 1,1% até fevereiro de 2020 para uma queda de 0,1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2019.

    Dentre as medidas anunciadas pelos governos municipais e estaduais para restringir a circulação de pessoas e, consequentemente, impedir o avanço do vírus está a suspensão de serviços presenciais considerados não essenciais, o que levou ao fechamento de estabelecimentos como bares, restaurantes e hotéis. Ainda que com o auxílio do atendimento via delivery, tais atividades sentiram uma drástica queda no volume de vendas, o que pode ser observado pela categoria “Serviços prestados às famílias” – que inclui a subcategoria “Serviços de alojamento e alimentação”, como hotéis, alojamento, restaurantes, serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada – e seu recuo mensal igual a 31,2% em março deste ano, sendo esta a taxa negativa mais intensa de sua série histórica. Tal resultado levou a uma reversão da trajetória de crescimento acumulado no ano observada até fevereiro deste ano (3,4%), recuando 33,4% no primeiro trimestre de 2020 quando comparado ao mesmo período do ano passado, e sendo esta a queda mais intensa dentre as cinco atividades avaliadas pela pesquisa nesta base de comparação.

    Destaca-se também as atividades relacionadas a “Transporte, serviços auxiliares ao transporte e correio”, que apresentaram queda mensal de 9% em março deste ano, a taxa mais negativa desde maio de 2018 (-9,5%) quando ocorreu a greve dos caminhoneiros e afetou diretamente o desempenho do transporte rodoviário do País. Neste ano, porém, o resultado negativo foi influenciado principalmente pela queda no volume de serviços das empresas ligadas ao setor aéreo (-27,5%) e terrestre (-10,6%) como reflexo direto e indireto das medidas de combate ao Covid-19, como a suspensão de voos e a limitação no descolamento via transporte rodoviário, ambos relacionados ao transporte de passageiros.

    Este cenário de pandemia tornou inviável qualquer atividade turística no País, um dos primeiros setores e mais afetados pela crise sanitária. Tendo em vista o risco de contaminação, diversas fronteiras foram  fechadas, levando à suspensão de viagens, paralisação das operações de companhias aéreas, suspensão dos itinerários de cruzeiros por tempo indeterminado, cancelamento de eventos em centros de convenções e à suspensão das atividades de hotéis e alojamento. Neste sentido, o conglomerado “Atividades turísticas” avaliado pelo IBGE apontou uma queda de 30% no volume de serviços prestados pelo setor, o recuo mais intenso de toda a série histórica, acumulando um resultado negativo e igual a 6,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, após crescer 4,8% até fevereiro de 2020.

    Por fim, sob a ótica regional, os reflexos da crise sanitária puderam ser sentidos em todos os 12 estados avaliados pela pesquisa, com maior intensidade nos estados mais afetados pelo vírus, como São Paulo e Rio de Janeiro, com quedas mensais iguais a 6,2% e 9,2%, respectivamente, no volume de serviços prestados no mês de março deste ano. Ambos os estados possuem atualmente o maior número de casos de Covid-19, bem como o maior número de mortos pelo vírus, dentre todas as regiões do País, fazendo com que as medidas de isolamento social sejam mais rígidas e implementadas por um período de tempo mais longo. Válidos desde a segunda quinzena de março, os decretos estaduais e municipais que determinam a suspensão dos serviços presenciais e não essenciais já foram prorrogados até o final de maio deste ano, com exceções para regiões onde a doença possui menor incidência.

    Diante desta conjuntura, a Lafis acredita que o desempenho do setor de serviços nacional deverá manter-se negativo entre abril e maio deste ano, acumulando uma queda significativa no primeiro semestre deste ano e em intensidade sem precedentes na história do setor. Além disso, a magnitude deste resultado negativo está altamente relacionada à duração do período de isolamento social e das medidas de combate ao coronavírus, principalmente em setores de elevado peso no PIB, como o turismo, e em regiões de grande importância na atividade econômica nacional, como os estados de SP e RJ, e suas suas respectivas regiões metropolitanas. Por fim, cabe ressaltar ainda que, mesmo diante do fim da quarentena, a retomada do setor de serviços será desafiadora ao longo deste ano e início de 2021, uma vez que a crise sanitária, e consequentemente econômica, gerará uma alta instabilidade no mercado de trabalho, fazendo com que as famílias estejam mais vulneráveis e menos dispostas à expandir seus gastos.

    Especialista Responsável  Fernanda Rodrigues.