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  • economia brasileira, indicadores econômicos, câmbio, inflação, balança comercial, juros selic, desemprego, atividade industrial
    De acordo com os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo IBGE na última quinta-feira (30/04), a taxa de desocupação no Brasil atingiu 12,2% no trimestre de janeiro a março/2020, somando um total de 12,8 milhões de desocupados. O resultado representou um crescimento de 10,5% ante o trimestre anterior (out-nov-dez/2019), quando a taxa havia atingido 11,0%, isto é, um aumento de 1,2 milhão de pessoas no total de desocupados no País, movimento que já refletiu os efeitos da crise do Covid-19 que estabeleceu-se no País a partir da segunda quinzena de março, mas sobretudo o efeito sazonal comum do mercado de trabalho no início do ano. 

    A taxa de desocupação não é o melhor indicador para captar os efeitos da crise do Covid-19 no mercado de trabalho, uma vez que, de acordo com a sua metodologia, só é considerada desocupada a pessoa que estava sem trabalho, mas tomou alguma atitude para procurar trabalho nos últimos 30 dias e estava disposta para assumi-lo na semana da pesquisa. Diante das medidas do isolamento social, parte dos trabalhadores tiveram dificuldades para procurar trabalho, o que acabou elevando a população fora da força de trabalho (não é ocupada, nem desocupada), com um aumento recorde de 2,8% nessa população em relação ao trimestre anterior, um incremento de 1,8 milhão de pessoas.

    Vale destacar no resultado da PNAD a forte retração da população ocupada, uma queda de 2,5%, acima da média histórica de 2012 a 2019 observada para este mesmo período e comparação (-1,2%), totalizando 92,2 milhões de ocupados. Houve uma redução de 2,3 milhões de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em março comparado com o trimestre anterior. Ao observar a queda da ocupação por atividades, é possível notar o recuo substantivo da ocupação em atividades relacionadas ao comércio não essencial: uma redução de 628 mil pessoas ocupadas no Comércio, Repar. Veíc.Automotores e Motoc; e uma redução de 308 mil pessoas ocupadas na atividade de Alojamento e Alimentação. A tabela abaixo detalha a distribuição da ocupação por atividades:

    Neste trimestre, a taxa de informalidade do mercado de trabalho brasileiro atingiu 39,9% da população ocupada, isto é, cerca de 1/3 dos trabalhadores do mercado de trabalho brasileiro. Os impactos da crise do Covid-19 no mercado de trabalho estão apenas começando, os resultados de março apenas pré-anunciam os impactos que deverão mostrar-se mais fortes nos próximos meses.

    Os trabalhadores do setor informal, que já possuem um rendimento abaixo da média nacional, deverão ser os mais prejudicados. O Governo anunciou um benefício emergencial de R$ 600 reais destinados a esses trabalhadores. Todavia, esse benefício ainda fica abaixo da renda média observada por estas pessoas até a crise, ou seja, esses deverão ressentir uma queda substantiva de sua renda mensal.

    Para os trabalhadores do setor formal, o Governo criou um programa chamado Programa Emergencial de Manutenção do Emprego da Renda em 1 de abril, a partir da Medida Provisória (MP) 936. Tal programa tem como objetivo oferecer medidas trabalhistas paro o enfrentamento da pandemia Covid-19, e garante o Benefício Emergencial de Emprego e da Renda (BEm) aos trabalhadores que tiverem redução da jornada de trabalho com redução de salário e aos trabalhadores que tiveram seus contratos de trabalho suspensos. No caso de redução da jornada, o Governo oferece uma compensação parcial da queda do salário do trabalhador, já no caso de suspensão do contrato de trabalho, os trabalhadores recebem o valor equivalente ao seguro desemprego, que este trabalhador teria direito. De acordo com o último levantamento, cerca de 5,4 milhões de trabalhadores já fazem parte deste programa.

    Por fim, em relação aos impactos da crise do Covid-19 a Lafis estima uma forte elevação da taxa de desocupação, além do crescimento da informalidade na economia e queda da renda média das famílias. De acordo com as perspectivas da Lafis, mesmo após o restabelecimento da circulação de pessoas e retomada das atividades econômicas suspensas, haverá um longo período de atividade deprimida em virtude da falência de parte da força produtiva que sofreu com a brusca queda de receita. Além disso, o consumo provavelmente não deverá se restabelecer instantaneamente aos níveis pré-crise Covid-19, o que deverá afetar o ritmo de contratação da força de trabalho que a economia vinha traçando desde 2017.

    Especialista do Mercado de Trabalho Laís Soares.