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  • economia brasileira, indicadores econômicos, câmbio, inflação, balança comercial, juros selic, desemprego, atividade industrial
    Historicamente a Petrobras adotava uma política de preços (PP) dos combustíveis com poucos ajustes ao decorrer do ano, e em alguns, a petrolífera chegou a praticar preço de venda inferior aos custos da empresa.

    Em 2016, a PP foi alterada e tinha como base dois fatores: paridade com o mercado internacional e uma margem para remunerar riscos inerentes à operação, como a volatilidade da taxa de câmbio e do próprio preço do petróleo. A nova política previa avaliações para revisões de preços pelo menos uma vez por mês.

    Em 2017, em resposta à percepção da empresa de que a frequência dos ajustes anunciados na revisão anterior não era suficiente para acompanhar a oscilação de ambas as variáveis, e de que, nem a empresa poderia sustentar a produção como margens reduzidas, nem o Governo poderia mais bancar os subsídios concedidos à tais combustíveis fósseis, houve uma nova alteração da política de preços, desta vez podendo a empresa alterá-los (gasolina e diesel) nas refinarias diariamente.

    No entanto, o que não fazia parte do cenário desenhado anteriormente, era que o preço do barril do Brent negociado em Londres fosse disparar e chegar a US$ 77,00 no início de maio (09/05), o maior preço desde 2014 e, em 2018 acumula alta de 15,5%. Já o WTI, negociado em Nova York, subiu 17,9% no mesmo período. Soma-se a esse fato a crescente expectativa em relação à alteração na política monetária dos EUA, o que promoveu uma desvalorização de 10,5% na taxa de câmbio no Brasil desde o início de abril. No dia 18 de maio, antes mesmo que fosse desencadeada a alta nos preços dos combustíveis, o real chegou a ser cotado a R$3,75, como sintoma do estresse internacional.

    Na esteira do aumento dos preços, o que também se observou a partir da PP vigente foi o aumento da participação do diesel importado e retração do diesel produzido internamente (em 2015 as importações representavam aproximadamente 12% do consumo interno, valor que chegou a 30% no primeiro trimestre de 2018). Dessa forma se compreende quais foram as principais razões para a atual greve dos caminhoneiros e a complexidade política em torno dela. 

    Especialista do Setor  Marcel Carneiro e Marcos Henrique


    De acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) divulgada no último dia 28/01 pelo IBGE, o Brasil fechou 2015 com uma taxa de desemprego de 6,8%, resultado 2,5 pontos percentuais maior que o observado em dezembro de 2014 (4,3%). Não bastasse a constatação de que a recessão comprimiu fortemente o mercado de trabalho no ano passado, alguns setores já anunciaram que esperam mais demissões para 2016, confirmando a percepção de que ainda há espaço para piorar o cenário econômico antes de iniciarmos uma recuperação.

    Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), após uma retração de 14,4% no faturamento de 2015 e a demissão de 8,1% do pessoal empregado nas empresas do setor, estas deverão continuar com os cortes na folha de pagamentos para conseguir equalizar os custos diante do cenário projetado para 2016. O número estimado pela Associação é de 20 mil postos de trabalho a serem fechados ao longo de todo o ano.

    Algo similar foi informado pela Sinditêxtil SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), diante da previsão de 15% de queda na produção em 2015. Projeta-se a demissão de mais 12 mil vagas em 2016 no setor, somando às cerca de 30 mil que foram efetuadas em 2015, de acordo com o sindicato. 

    Situação ainda pior foi anunciada por representantes do setor de Turismo e Hotelaria, após o anúncio oficial de que foi revogada a isenção da cobrança de imposto de renda sobre as remessas ao exterior para pagamento de prestação de serviços relacionados a viagens de turismo, negócios, serviços, treinamentos ou missões oficiais – despesas com hotel, transporte, cruzeiros marítimos e pacotes de viagens, por exemplo. A partir de 1º de janeiro deste ano, passa a vigorar a alíquota de 25% sobre o valor da remessa, o que deve ocasionar a perda de até R$ 20 bilhões para a economia e o fechamento de mais de 185 mil empregos diretos.

    Contabilizando todos os anúncios, espera-se a eliminação de 217 mil postos de trabalho em 2016 somente nestes três setores. Outras representações setoriais, como a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), apontam taxa de desemprego de 10,2% para 2016, concluindo que o ano será de aprofundamento da recessão econômica.

    Analista responsável: Robson Poleto


    A Standard and Poors (SP) rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de BBB- para BB+, um nível especulativo. A agência de classificação de riscos atribuiu a queda do rating ao cenário político, que afeta diretamente as questões econômicas, com destaque para as finanças públicas.

    É importante destacar que as perspectivas da Lafis já apontavam para o risco de perda de grau de investimento em alguma das mais importantes agências de classificação de risco, diante das dificuldades de condução da política econômica, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento de metas de superávit primário. No entanto, tal fato ocorreu anteriormente ao esperado pela Lafis e pelo mercado.

    Diante do rebaixamento da nota de crédito, projeta-se algumas consequências de curto e médio prazos para variáveis macroenômicas, com destaque para uma desvalorização da taxa de câmbio. Além disto, à medida que se tornou mais arriscado, segundo a agência, investir em papéis no Brasil, poderá ocorrer uma possível retomada no aumento da taxa SELIC, a fim de aumentar a remuneração dos títulos públicos para compensar o aumento do risco e conter uma possível evasão de divisas.

    Setorialmente, os segmentos dependentes de matérias primas importadas, como é o caso da agricultura em relação aos fertilizantes, e setores em que a demanda é influenciada pelo custo do crédito, como é o caso da construção civil e do setor automotivo, podem ser mais impactados negativamente.

    Por fim, pode-se dizer, em alguma medida, que a forte desvalorização cambial observada ao longo do ano, bem como o aumento da taxa de juros, já demonstra uma maior cautela do investidor estrangeiro, impactando consequentemente o desempenho de alguns setores da economia. Neste sentido, deve-se atentar para o risco de maior volatilidade, desvalorização do Real, elevação da taxa SELIC, aumento da incerteza (tanto do consumidor, quanto dos investidores), bem como futuras mudanças no rating dado ao país pela própria SP e também pela Fitch e Moodys.


    Se o plano de ajuste fiscal arquitetado pelo Ministro da fazenda, Joaquim Levy, ainda não tinha recebido apoio do Congresso Nacional, o Governo pode comemorar sua primeira vitória. Foi aprovado pelo Senado o projeto de Lei que reduz as desonerações concedidas pelo governo a 56 setores da economia.

    Criada em 2011 pelo governo, a renúncia fiscal tinha objetivo de desonerar a folha de pagamento das empresas (pois abria oportunidade para que as empresas substituissem a tributação obrigatória sobre a contribuição patronal de 20% sobre a folha de pagamentos para a Previdência, por alíquotas incidentes na receita bruta das empresas), de forma que estas poderiam empregar maior mão-de-obra à um custo fiscal menor, além de abrir caixa para que investimentos fossem estimulados, redinamizando a cadeia produtiva e a economia como um todo. Em 2014, a medida acumulou uma renúncia fiscal de cerca de R$ 22 bilhões.

    Assim, a partir de 90 dias de publicação da lei (que ainda será encaminhada para aprovação presidencial) o projeto implicará em aumentos diferenciados para alguns setores, aumentando as alíquotas atuais de 1% e 2% para até 4,5% a depender do segmento.

    Opositores da medida a criticam sob a alegação de o aumento na alíquota provocará uma onda de demissões, aumentando os efeitos da retração econômica atual. Por outro lado, os defensores da medida alegam que tal fez-se necessária, uma vez que nem todas as desonerações concedidas se transformaram em investimento para a manutenção de empregos. O fato concreto é que tal ação inevitavelmente terá efeitos positivos no balanço fiscal federal, contribuindo para o sucesso do plano de contenção fiscal, já que estima-se que a mudança poderá resultar em uma arrecadação de cerca de R$ 10 bilhões.

    Analista Responsável: Felipe Souza


    Segundo último resultados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) dia 01 de abril, o mês de março apresentou queda tanto das exportações quanto das importações no Brasil nas médias diárias, prejudicando o resultado da balança comercial no primeiro trimestre de 2014. As primeiras apresentaram uma queda de 4% em relação ao mesmo mês de 2013, devido ao menor embarque de manufaturados (-15,3%) e semimanufaturados (19,6%, na mesma base comparativa). As importações, por sua vez, registram queda de 3,8% em relação a março de 2013, devido à uma retração de 24,5% nas importações de combustíveis e lubrificantes (em função da queda dos preços e das quantidades importadas de petróleo, óleos combustíveis, gás natural, carvão e gasolina)  e de bens de capital (-2,8%). 

    Com uma queda mais pujante das exportações nos três primeiros meses do ano, o déficit da balança comercial foi ampliado no primeiro trimestre do ano, ficando negativo em US$ 6,07 bilhões, com importações somando US$ 55,6 bilhões e exportações em US$ 49,5 bilhões. Os principais agravantes para o resultado comercial neste início de ano foram, pelo lado das exportações, foram a queda de preços de commodities e a retração no embarque de manufaturados. 

    O andamento de duas das maiores economias do mundo influenciaram os resultados dos preços das commodities, devido à gradual retirada de estímulos do Banco Central dos Estados Unidos à economia americana e à desaceleração mais forte do que a prevista do ritmo de atividade econômica da China somado a um alto estoque neste país, principalmente de commodities minerais. Com este cenário, é possível afirmar que a recuperação dos preços de diversas commodities não é esperada para o ano de 2014, dificultando vislumbrar resultados muito positivos para a balança comercial brasileira. Para um resultado superavitário no ano, seria necessário um grande "colchão" de resultados positivos no segundo e terceiros trimestres do ano, o que parece um pouco difícil neste curto prazo. Assim, o que se espera como resultado da balança comercial para o ano de 2014 é de uma estabilidade na comparação com 2013 com viés de baixa, caminhando para um possível déficit comercial.

    De acordo com as Contas Nacionais, divulgadas hoje (01/03) pelo IBGE, o PIB nacional apresentou crescimento de 0,9% em 2012, atingindo R$ R$ 4,403 trilhões; com isso o PIB per capita apresentou relativa estabilidade (0,1%).  O setor de serviços puxou a atividade, com crescimento de 1,7%, enquanto a indústria e a agropecuária apresentaram queda no ano (-0,8% e -2,3%, respectivamente). Na agropecuária, a seca que atingiu algumas regiões produtoras na safra 2011/2012, especialmente o Centro-Sul do país, prejudicou produção agrícola do ano, o que fez com que os preços do setor disparassem, com efeitos negativos, inclusive, sobre a pecuária. Quanto ao PIB industrial, o desempenho da indústria de transformação (-2,5%) foi determinante para o resultado. Com isso, o crescimento do valor adicionado na economia foi de 0,8% ao passo em que os impostos apresentaram alta mais intensa, de 1,6%.

    Pelo lado da demanda, os investimentos figuraram como destaque negativo, com queda de 4,0%. De fato, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) refletiu a queda da produção de máquinas e equipamentos e apresentou trajetória decrescente ao longo do ano, situando-se em 18,1% do PIB findo 2012 (19,5% e 19,3%, em 2010 e 2011, respectivamente). O desalinhamento das expectativas, haja vista o necessário período de acomodação da política econômica e o cenário externo ainda inconsistente, além de adequações setoriais de estoques, podem ter contribuído para a queda dos investimentos no ano. O consumo das famílias (3,1%) e da administração pública (3,2%) mantiveram-se favoráveis, embora o consumo das famílias tenha apresentado desaceleração diante do resultado de 2011, quando foi registrada alta de 4,1%; por outro lado, os gastos da adm. pública foram intensificados, saindo de 1,9% em 2011 para 3,2%. O setor externo contribuiu negativamente, com as importações superando as exportações em 11%.

    Apesar do fraco resultado divulgado, as perspectivas para 2013, véspera das eleições presidenciais e da ocorrência da Copa do Mundo, são bem mais animadoras. Nos investimentos, os maiores desembolsos do BNDES associados às concessões no setor de infraestrutura deverão dar ânimo aos investidores. Além disso, a menor incerteza em relação ao cenário econômico internacional, ainda que permaneça um quadro de baixo crescimento nos países desenvolvidos ao longo dos próximos anos, também deverá contribuir para um aumento dos investimentos no Brasil. As estimativas para a safra agrícola de 2013 apontam para um crescimento de 13,1%, o que deverá dinamizar o agronegócio. O consumo das famílias deverá manter crescimento consistente ao passo em que a atividade industrial deverá refletir as melhores condições macroeconômicas (taxa de juros menores e câmbio mais favorável) e reverter a queda observada em 2012. De fato, apesar do resultado pouco animador de 2012, há motivos suficientes para maior otimismo em 2013.


    No primeiro trimestre de 2012, o PIB calculado pelo IBGE cresceu 0,2% em comparação ao trimestre anterior, atingindo R$ 1,03 trilhão no trimestre; no acumulado em 4 trimestres a alta atinge preocupantes 1,9%. Tal resultado estimulou uma onda de revisões e as novas estimativas de crescimento tem evidenciado a possibilidade de que o PIB de 2012 sequer atinja o já bastante deprimido resultado de 2011 (2,7%).

    De fato, as perspectivas para 2012 não são muito animadoras. Os principais combustíveis que estimularam o crescimento de 2010-2011 tem apresentado sinais de perda de fôlego: o ciclo positivo dos preços das commodities exportados pelo país (especialmente minério de ferro) vem perdendo força, dada a baixa dinâmica externa, reduzindo a vantagem nos termos de troca; o consumo das famílias, que se constituiu como forte dinamizador do crescimento nos últimos anos, tem mostrado acomodação na margem, o que pode ser atribuído ao crescimento dos indicadores de inadimplência e a algum nível de saturação da demanda por bens duráveis, por vezes associada pelo maior comprometimento da renda decorrente do ciclo de consumo anterior. O setor industrial, apesar de melhora na margem, ainda tem amargado as suas condições desfavoráveis de competitividade interna e externa, não obstante a depreciação da taxa de câmbio nos últimos meses.

    A queda dos investimentos públicos acentuaram os resultados do trimestre, quando a formação bruta de capital fixo (FBCF) atingiu queda relevante (1,8%), depois de duas retrações de 0,6%, nos trimestres anteriores. Além dos fatores mencionados, o aumento da incerteza dos agentes econômicos diante do cenário externo e seus efeitos sobre a economia nacional tem influenciado negativamente as decisões de investimento no curto prazo, comprometendo a capacidade de expansão da economia ainda em 2012. Diante destes fatores, deverá ser crucial para o desempenho do ano a reação da economia diante dos incentivos já adotados e porvir, além das expectativas quanto ao cenário externo, que tampouco apresentam sinais de reversão.


    Na mesma semana em que o IPCA surpreendeu mesmo estimativas otimistas (0,36% em maio e 5,0% em 12 meses), o COPOM divulgou a ata da reunião em que deliberou pelo corte de 0,5 ponto percentual na SELIC, levando-a à sua mínima histórica (8,5%) e acionando a nova regra de rendimento da caderneta de poupança.

    Parece claro que o momento tem se mostrado adequado para reduções consistentes na taxa de juros, principalmente no que tange à evolução do cenário externo e suas implicações sobre a inflação e atividade internas, o que se traduz em uma oportunidade histórica para o alcance de uma taxa de juros real mais civilizada. Mesmo sob pressão na oferta de produtos agrícolas relevantes no abastecimento interno, como o arroz e o feijão, os índices de difusão do IPCA tem apresentado queda, o que aponta para uma redução na dispersão da alta de preços na economia.

    A postura parciomoniosa do BACEN poderá direcioná-lo a uma parada na redução da SELIC; uma vez que, após queda de 4 pontos entre agosto/11 e maio/12, a atividade econômica não tem reagido consistentemente à trajetória da taxa de juros. De fato, tal dinâmica aponta que a atividade pode carecer de maiores estímulos quanto à criação de um ambiente propício para a realização de investimentos, especialmente no que diz respeito à infraestrutura, burocracia e carga tributária.


    A decisão pelo corte em 0,75 p.p do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) anunciada no dia 18 de abril em nada surpreendeu o mercado, que já esperava por tal redução. No entanto, o parágrafo 35 da ata da reunião, divulgada no último dia 26, causou certa surpresa entre os analistas econômicos.

    A razão para certa surpresa decorre principalmente da dificuldade do Banco Central em alinhar às expectativas dos agentes com as perspectivas da condução da política monetária. Na ata da reunião de março, o Copom havia sinalizado, de maneira mais explícita, que a taxa de juros tenderia a se estabilizar em patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos (8,75% a.a). 

    Contudo, o parágrafo mencionado da ata de abril, de certa forma, não deixou claro os próximos passos a serem seguidos. Segundo este, "[...] mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia." 

    As dúvidas com relação à condução da política monetária permanecem, em virtude da ata de março ter sido explícita em como seria a trajetória de juros permitindo maior alinhamento das expectativas do mercado e o item 35 da ata de abril ter sido pouco claro se o afrouxamento monetário vai prosseguir e em qual magnitude, o que tem desalinhado as expectativas.

    A preocupação do Banco Central com a lenta retomada da atividade econômica, uma vez que a pressão inflacionária parece ter se esvaído (tanto o BC como o Ministério da Fazenda acreditam na convergência do IPCA ao centro da meta já em 2012) parece ser cada vez mais evidente. Vale a pena ressaltar que mesmo a autoridade monetária acreditando que a economia vai se aquecer no segundo semestre, o otimismo quanto ao crescimento é menor que o observado no Ministério da Fazenda já que este acredita em expansão econômica de 4,5%, enquanto o cenário base do BC fala em crescimento de 3,5%. 


    A guinada na condução da política monetária em agosto de 2011, quando decidiu-se pelo corte de 0,50 p.p. na taxa Selic e as posteriores reduções, na mesma intensidade até a reunião de março de 2011, encontravam justificativas principalmente na deterioração do cenário internacional. Contudo, a redução de 0,75 p.p. na última reunião parece encontrar explicação fundamentalmente na desaceleração da economia doméstica.

    A despeito de uma razoável melhora no cenário internacional com os Estados Unidos sinalizando alguma recuperação e a Zona do Euro reduzindo a possibilidade de uma falência no sistema financeiro, o desaquecimento da economia interna pode ser evidenciado por três indicadores recém divulgados: produção industrial de janeiro, PIB de 2011 e o IPCA de fevereiro.

    O fraco crescimento do PIB em 2011 (2,7%) foi influenciado, principalmente pelo baixo desempenho do setor industrial no ano (+1,6%/10), não obstante a agropecuária tenha contribuído para que não ocorresse uma queda maior (+3,9%/10). A indústria iniciou 2012 ainda com desempenho decepcionante uma vez que a produção industrial retraiu-se 2,1% ante dezembro de 2011; na comparação com janeiro de 2011, a queda foi de 3,4%. Estes dois fatores podem ter tido alta influência na decisão do Copom.

    O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também mostrou desaceleração tanto em relação a janeiro de 2012 como comparativamente a fevereiro de 2011. O índice encerrou o mês com elevação de 0,45% e acumula em 2012 expansão de 1,02% (abaixo dos 1,62% acumulados em igual período de 2011). Os indícios de uma possível desaceleração nos preços convergindo, mesmo que lentamente, para o centro da meta, permite, ao menos no curto prazo, que o Banco Central adote uma política monetária mais frouxa, de estímulo à economia.

    As medidas de estímulos à economia, via alterações nas taxas de juros, tendem a ter um efeito defasado sobre a economia real. Estes efeitos tendem a serem percebidos no segundo semestre de 2012 e isso poderá refletir em pressões inflacionárias tanto para o final do ano como para 2013. Caso esta tendência se confirme, a autoridade monetária deverá ficar alerta para a retomada mais intensa de pressões inflacionárias que podem fazer com que o ciclo de baixa iniciado em 2011 passe a ser revertido já em meados de 2013.


    O Governo anunciou nesta sexta-feira a desoneração da folha de pagamento do setor industrial como forma de auxílio à indústria nacional. O valor da taxa que será desonerada ainda não foi anunciado, mas segundo o Ministro da Fazenda Guido Mantega esta política de governo deverá durar cerca de um ano.

    O PIB da indústria em 2011 apresentou desaceleração em mais de 8 pontos percentuais, encerrando o ano com crescimento de 1,6%, estimulado principalmente pela indústria de mineração e construção civil. Por outro lado, a indústria da transformação encerrou o ano com estabilidade (0,1%), observando-se queda de 0,5% no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre de 2011. Em Janeiro, na pesquisa mensal da indústria realizada pelo IBGE, a queda foi de 3,4% entre janeiro de 2012, em relação a janeiro de 2011.

    A indústria, em especial a de transformação, encontra-se em uma situação delicada. Já recebeu alguns incentivos governamentais, como isenção de IPI para linha branca e aumento  do IPI para veículos importados. Mesmo assim, o setor continua em queda, com a produção de automóveis caindo cerca de 26,7% (jan 2012/jan 2011) e a de vestuário apresentando queda 19,4% para o mesmo período de comparação. 


    Os indícios de desaceleração da economia brasileira, conforme já haviam sido anunciados pelos dados do IBC-Br do Banco Central em setembro, se confirmaram com o resultado do PIB do terceiro trimestre divulgado pelo IBGE. O desaquecimento, no entanto, ocorre mais em função das medidas tomadas pelo governo e menos em razão da crise econômica global.

    As medidas adotadas pelo governo brasileiro no início de 2011 (elevação da taxa de juros e medidas macroprudenciais) que foram implantadas para desacelerar a economia e com isso trazer a inflação para o centro da meta, por possuírem defasagem de efeito, começaram a afetar a economia real somente na segunda metade de 2011. Este talvez seja o maior motivo para o resultado do terceiro trimestre.

    É certo que a crise econômica mundial tem seus impactos no resultado da economia brasileira, no entanto, eles não constituem a força motriz do desaquecimento interno. Isto pode ficar mais claro com os resultados positivos que o setor externo demonstrou no período - com as exportações crescendo 1,8% e as importações recuando 0,4%. Ou seja, graças ao mercado internacional, a economia não apresentou retração.

    A economia brasileira caminha para um crescimento por volta de 3,3% em 2011 - resultado este que não deve ser lamentado dado o cenário econômico tanto interno quanto externo. A atuação do Banco Central, principalmente no segundo semestre, quando iniciou o ciclo de afrouxamento monetário, deve ter impactos importantes na economia real somente em meados de 2012. Deste modo, um mercado doméstico ainda em expansão e com aumentos reais de salários a partir de janeiro pode ser, novamente, a razão principal para uma expansão maior no próximo ano.


    Ao longo do ano, a desaceleração da atividade econômica evidenciou o comportamento da indústria, que vem apresentando contração na margem e forte desaceleração na comparação interanual. A indústria de transformação, principal componente da atividade industrial, tem se ressentido dos efeitos da piora das expectativas de empresários e consumidores (dadas as incertezas no cenário internacional e seus reflexos sobre a economia brasileira), bem como da forte concorrência com produtos importados, intensificada pelo atual patamar da taxa de câmbio.

    A contração da atividade indústrial e a desaceleração das vendas do comércio ampliado explicitados no mês de setembro (período sazonalmente de intensificação da atividade, devido às vendas de final de ano), bem como a evolução recente da política monetária, evidenciaram a necessidade de revisão das projeções macroeconômicas relacionadas ao produto nacional, embora o cenário inflacionário esteja em linha com as projeções da Lafis.

    No âmbito externo, observou-se deterioração nos últimos meses entretanto não houve uma ruptura significativa nas economias que compõem a Zona do Euro. Os impactos na economia brasileira (alta volatilidade cambial e desaceleração econômica) em decorrência da degradação do cenário estão em acordo com o cenário apontado pela Lafis desde suas últimas projeções.

    Portanto, em virtude de mudanças, principalmente no que tange a atividade industrial,   a Equipe de Análise Econômica da Lafis reviu suas projeções para o PIB de 2011 em seu Relátorio de Análise Macroeconômica de Dezembro, reduzindo a projeção anterior de 3,7% para uma taxa de crescimento de 3,3% no ano. Sendo assim, mantida a estimativa para o crescimento em 2012 (4,0%), houve um ajuste marginal na taxa referente a 2013, de 4,2% para 4,3%.


    A União Europeia aplicará uma sobretaxa de 25,9% sobre as exportações brasileiras de folhas de alumínio para qualquer país do bloco. Isso seria uma medida antidumping visando proteger a indústria dos prejuízos causados pela concorrência desleal. A medida tem base temporária, mas pode durar até cinco anos. A ação vai contra o compromisso dos lideres do G-20 de não aumentar a recessão, criando barreiras para o comércio internacional.
    O Brasil é o sexto maior produtor mundial de alumínio e exporta metade de sua produção, fechando 2008 com 8.627 toneladas vendidas. No mercado Europeu, o Brasil tem participação de 12,8% e a China tem 30,7%, com um total de 35.340 toneladas vendidas em 2008. A China também é afetada com as sobretaxas pela União Européia, que variam entre 10,7% e 42,9% aplicadas ao seu alumínio.
    Existe a possibilidade de que isso seja negativo para as grandes produtoras brasileiras, como a CBA, Novelis e Alcoa, devido a diminuição das exportações causadas pela sobretaxa, além de uma redução de preços internos em decorrência do aumento da oferta. Nesse contexto, há perspectiva de diminuição da produção do setor, visando sua adequação à um nível de preços mais baixo.