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    Após mais de um ano de especulações, a Mahindra no Brasil, subsidiária do grupo indiano que produz automóveis, máquinas agrícolas e tratores, anuncia sua nova fábrica no Rio Grande do Sul, através de vultoso investimento em unidade que ficará na RS-239 em Araricá, no Vale do Sinos, a cerca de 70 quilômetros da capital Porto Alegre.

    A ideia inicial era ampliar a fábrica existente da Mahindra em Dois Irmãos (RS), porém, devido ao tamanho do terreno e de questões logísticas, o município de Araricá ganhou a disputa. Ainda que o valor exato do investimento da nova fábrica esteja para ser confirmado pela empresa durante a cerimônia de lançamento da fábrica no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, a previsão de aportes no projeto original estava em R$ 100 milhões, como informado pelo diretor de operações industriais da Mahindra no Brasil, Anderson Melo, em 2023.

    Na ocasião, estimou-se no projeto anunciado em 2023, que a capacidade de produção, atualmente na casa dos 1,9 mil tratores ao ano, passaria para 8 mil tratores/ano. Segundo o executivo em encontro na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) ao justificar a razão de permanecerem no Estado do RS e próximo a Dois Irmãos:

     “O estudo da nova fábrica teve início por volta de 2020, quando avaliamos vários Estados e cidades. Nesse período de análise, decidimos por uma coisa muito importante, que é manter 100% dos empregos e a mão de obra qualificada que nos trouxe até aqui”.

    Analista Responsável Thais Virga

     


    Na última semana, reportagem do Brasil de Fato (BdF) apontou o envio inicial da China ao Brasil de 30 máquinas agrícolas automotrizes – voltadas, particularmente, à unidades produtoras de menor tamanho voltadas à agricultura familiar, chamando a atenção. Primeiro pela relevância do assunto, mas sobretudo, pelo importante passo dado por estados da macrorregião Nordeste em direção à maiores autonomia no campo, e, potencialidades de desenvolvimento de unidades produtoras de alimentos, em um Brasil que, mais recentemente, luta para sair do chamado “Mapa da Fome”.

    Trata-se de um acordo recém anunciado entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e do Consórcio Nordeste[1] com Instituições Chinesas, tratando de enviar ao Brasil, em novembro e dezembro/2023, uma leva de 30 máquinas agrícolas como: micro-tratores; colheitadeiras; semeadeiras; e, plantadeiras. Esses equipamentos mais adequados à pequenas propriedades, terão como destino, agora, áreas produtivas da agricultura familiar nos estados do Ceará, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte. Particularmente, será instalada uma “Unidade Demonstrativa Brasil-China de Máquinas Agrícolas” voltada a testes e estudos do uso do maquinário asiático em solo nordestino, no município de Apodi (RN). No BdF, destaca-se que:

    Em 2022, o Consórcio Nordeste assinou um memorando de entendimento com o Instituto Internacional de Inovação de Equipamentos Agrícolas e Agricultura Inteligente da Universidade Agrícola da China e a Associação de Fabricantes de Máquinas Agrícolas desse país. O acordo, que também foi assinado pela Baobab Associação Internacional para a Cooperação Popular, visa garantir o acesso a máquinas projetadas especificamente para o campesinato....”

     

    E quais as aproximações e diferenciações entre o campesinato no Brasil e na China? A citada reportagem também ressalta que de um lado, e no Brasil, segundo o último Censo Agropecuário (realizado em 2017), 77% de todos os estabelecimentos agrícolas são da agricultura familiar, cujas propriedades somam 3,9 milhões no país e ocupam, apenas 23% das áreas agricultáveis (equivalendo a 80,8 milhões de hectares, segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2023). Já no caso chinês, mais de 80% da agricultura (setor esse composto por cooperativas e empresas estatais) é gerida por camponeses e que cultivam mais de 70% das terras agricultáveis do país, de acordo com o último censo agrícola do país, de 2020. Em média, cada camponês possui menos de 1 ha de terra, e a maioria possui meio hectare.

    Setorialmente, e evidenciando oportunidades de avanços à produção nacional (ou interna) de maquinários agrícolas que atendam, também, o campesinato e a agricultura familiar, o novo acordo entre MST, Consórcio Nordeste e Instituições Chinesas levanta potencialidades ao Brasil – país com espaços relevantes de terras agricultáveis e mercado importante para expansão industrial de máquinas agrícolas automotrizes à múltiplos atendimentos (inclusive a pequenas e médias propriedades). E também aponta algumas questões e reflexões importantes, pontuadas por um representante de representantes de cada parte do acordo  — João Pedro Stedile - da direção nacional do MST; Alexandre Lima - coordenador da Câmara Temática da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste; e, Yang Minli - professora da Universidade de Agricultura da China, a qual atenta à semelhanças entre a agricultura familiar no Brasil e na China. Segue, nessa ordem, trechos de cada um (conforme matéria do Brasil de Fato):

    “Na China tem 8 mil fabricantes de tratores. No Brasil nós temos quatro grandes fábricas de tratores, todas multinacionais e todas dirigidas para a grande propriedade, grandes máquinas”. (Stedile em visita à China em abril/2023).

     

    “(...) a região Nordeste do Brasil possui menos de 3% de mecanização, no Brasil esses níveis não alcançam 14%, e no Sul os níveis de mecanização da Agricultura Familiar beiram os 50%”. (Lima sobre a importância da parceria ao Nordeste, diante da desigualdade regional).

     

    O modelo de desenvolvimento da China para camponeses, que utiliza serviços comerciais como estratégia para impulsionar as comunidades [como cooperativas de maquinaria agrícola], bem como os produtos de máquinas agrícolas de pequeno e médio porte da China, têm certa adaptabilidade ao Brasil”. (Minli, ao explicar que através de cooperativas de maquinário agrícola no país, que contam com assistência e ajudas financeiras do governo central ou dos governos locais, os camponeses chineses dividem custos e máquinas). [2]

     

    Analista Responsável Thais Virga





    A pandemia da COVID-19 causou uma reviravolta econômica sem precedentes em todo o mundo. Empresas de todos os setores enfrentaram desafios significativos, desde restrições de operação até mudanças nos hábitos de consumo dos clientes.

    Nesse cenário de recuperação, é crucial que as empresas estejam preparadas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgem. E uma ferramenta valiosa para essa preparação estratégica é a análise setorial.

    Compreender as tendências do mercado, as mudanças de comportamento do consumidor e as demandas emergentes torna-se essencial para se posicionar de forma inteligente e competitiva.

    Este texto explora a importância da análise setorial como uma poderosa aliada das empresas na retomada econômica, e como a análise setorial pode ajudar as organizações a identificar oportunidades, mitigar riscos e tomar decisões informadas que impulsionem seu crescimento.

    Prepare-se para desvendar os segredos por trás da análise setorial e descubra como essa ferramenta estratégica pode levar sua empresa a um novo patamar de sucesso.

     

    Entendendo a retomada da economia e o papel da Análise Setorial

     

    Após um período desafiador de incertezas e instabilidades, a retomada econômica pós-pandemia já se tornou uma realidade.

    No entanto, é importante compreender que o cenário econômico atual é marcado por mudanças significativas nos comportamentos de consumo, nas dinâmicas de mercado e nas demandas dos clientes.

    As empresas que desejam se destacar nesse novo contexto precisam adotar uma abordagem estratégica, antecipando-se às transformações do mercado e se adaptando rapidamente. É aqui que a análise setorial desempenha um papel fundamental.

    A análise setorial permite que as empresas compreendam em profundidade o panorama do seu setor de atuação. Ela vai além da análise macroeconômica geral e mergulha nas especificidades de cada segmento, identificando as principais tendências, desafios e oportunidades que surgem durante a retomada econômica.

    Ao entender os fatores-chave que impulsionam o crescimento do setor, as empresas podem ajustar suas estratégias, reposicionar seus produtos e serviços e se adaptar às novas demandas dos consumidores.

    Além disso, a análise setorial ajuda as empresas a avaliarem a competitividade do mercado, identificando os principais concorrentes e suas estratégias. Com base nessas informações, é possível desenvolver estratégias diferenciadas, encontrar nichos de mercado pouco explorados e conquistar uma vantagem competitiva.

    Em suma, a análise setorial permite que as empresas estejam à frente da curva, antecipando-se às mudanças do mercado e tomando decisões fundamentadas. Na próxima seção, exploraremos em detalhes como essa ferramenta valiosa pode ser aplicada de forma eficaz, fornecendo vantagens estratégicas e impulsionando o crescimento empresarial na retomada econômica pós-pandemia.

    A análise setorial desempenha um papel crucial na tomada de decisões estratégicas das empresas durante a retomada econômica pós-pandemia. Ela oferece uma visão aprofundada das tendências e mudanças que estão moldando o mercado, permitindo que as empresas compreendam o cenário em que estão inseridas e se posicionem de maneira estratégica.

     

    Benefícios da Análise Setorial para as empresas

     

    Ao adotar uma abordagem estratégica baseada na compreensão das tendências e mudanças do mercado, as empresas podem obter vantagens significativas. Vejamos alguns dos benefícios-chave da análise setorial:

     

    Identificação de oportunidades de crescimento: permite que as empresas identifiquem oportunidades emergentes e nichos de mercado pouco explorados – o que permite a possibilidade de direcionar seus recursos e esforços para o desenvolvimento de produtos ou serviços inovadores, atendendo às necessidades específicas dos clientes.

     

    Tomada de decisões informadas: Com acesso a dados e informações precisas sobre o setor, as empresas podem tomar decisões estratégicas fundamentadas, permitindo que empresas se adaptem rapidamente às mudanças do mercado.

     

     

    Vantagem competitiva: A análise setorial ajuda a identificar os pontos fortes e fracos dos concorrentes, bem como as lacunas no mercado que podem ser aproveitadas. Isso permite que as empresas se posicionem de forma única, atendendo às necessidades dos clientes de maneira mais eficaz do que seus concorrentes.

     

    Mitigação de riscos: auxilia na identificação de riscos e ameaças que podem afetar o desempenho das empresas. Ao antecipar esses desafios, as empresas podem desenvolver estratégias de mitigação adequadas e estar preparadas para enfrentar obstáculos.

     

    Aproveitamento das tendências de mercado: as empresas podem se adaptar de maneira proativa e capitalizar as oportunidades que surgem, ajustando-se rapidamente às mudanças nos comportamentos do consumidor, nas demandas de mercado e nas inovações tecnológicas.

     

    A análise setorial é uma ferramenta poderosa para as empresas que deseja estar sempre prontas aos desafios do seu mercado.

    Ao identificar oportunidades de crescimento, mitigar riscos, adaptar a estratégia de negócios e conquistar uma vantagem competitiva, as empresas estarão bem posicionadas para se destacar no mercado e alcançar o sucesso.

    Lembre-se de que a implementação da análise setorial requer uma coleta cuidadosa de dados, análises aprofundadas e monitoramento contínuo. Além disso, contar com especialistas nessa área, como a LAFIS, pode fornecer um apoio valioso na interpretação dos dados e na orientação estratégica.


    No último dia 17 de abril deste ano foi anunciado pelo Ministério da Agricultura do Brasil e o banco de desenvolvimento BNDES, a criação de uma nova linha de financiamento para fomentar a agropecuária no País. Especificamente, tal linha constitui-se em dólar, e possui taxa fixa de 7,59% ao ano, mais variação do câmbio. Destaca-se que desde março, ambas as pastas já apontavam à criação de uma alternativa para financiamento de máquinas e equipamentos industriais em dólar com taxas entre 7,5% e 8% e que, considerando o custo da variação cambial, resultaria em taxa próxima de 13% a./a., alinhado aos 12,5% a./a. do Moderfrota na atualidade.
    Objetivando, assim,  financiar da compra de máquinas, equipamentos agrícolas, silos e estruturas de armazenagem a sistemas de energia (fotovoltaica) e outros equipamentos de uso no referido setor, o presidente do BNDES - Aloizio Mercadante também anunciou que o banco deverá aprovar, em breve e na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), um empréstimo de US$ 750 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo anunciado tais recursos devem reverberar em uma oferta de crédito da ordem de R$ 2 bilhões, a produtores rurais com recebíveis em dólar : "A ideia é fazer um hedge cambial para exportadores. Queremos mais crédito e mais barato, sem pressão para o Tesouro; a taxa que estamos criando é de Selic menos 6 pontos porcentuais", disse Mercadante em evento em Brasília/DF.
    A saber, a nova linha do BNDES anunciada terá carência de 24 meses e prazo de 120 meses para o pagamento e é lançada num contexto em que recursos estrangeiros passam a voltar ao Brasil por efeito do compromisso do banco com o fim do desmatamento.  No mesmo evento, Mercadante atentou que: "Quem está desmatando não terá acesso a linhas, e quem desmatar após ter linha pagará multa".
    Apesar do primeiro bimestre de 2023 não ter apresentado resultados promissores ao setor de máquinas agrícolas automotrizes — segundo dados da Fenabrave e Abimaq e, por exemplo, as vendas de máquinas agrícolas caíram 15,9% no período, somando 7,9 mil unidades entre tratores de rodas e colheitadeiras de grãos, fruto da piora das condições de crédito — a produção da agropecuária vem sendo revista para cima. E isso poderá melhorar os resultados de produção e de vendas de diversas máquinas associadas, ou seja, incluindo também retroescavadeiras, pás-carregadeiras de rodas, motoniveladoras, rolos compactadores e outros produtos. 
    Particularmente, a Lafis projeta uma expansão de 7,0% para o PIB Agropecuário no ano, e o setor de máquinas agrícolas automotrizes vem aguardando, adicionalmente, pela diminuição de taxas oferecidas ao produtor no Plano Safra 2023/2024, o qual será anunciado no mês de maio. Em resumo, a depender da evolução do cenário macroeconômico no que tange a juros e crédito; do lançamento da nova linha de financiamento do BNDES e suas repercussões; e, das perspectivas ao setor agropecuário e com relação ao novo Plano Safra, o setor de máquinas agrícolas deverá ser diretamente impactado no curto e médio prazos.
    Analista Responsável Thais Virga


    O setor de máquinas de máquinas elétricas automotrizes, a despeito de não sentir tanto a falta de componentes por terem conseguido cumprir os prazos, apresentou uma continuidade de queda nas vendas no primeiro bimestre de 2023, conforme divulgado pela Abimaq. Especificamente, desde novembro de 2022, o setor vem passando por reduções mensais quanto ao recebimento de vendas. 

    A saber, no mês de fevereiro do atual ano, o valor total vendido de máquinas agrícolas no País foi um pouco superior a R$ 5 bilhões, um resultado 11,4% abaixo ante o mesmo mês de 2022, quando fora de R$ 5,6 bi. Assim, houve queda acumulada de 19,12% ao primeiro bimestre de 2023. Segundo recém noticiado cm entrevista ao presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) - Pedro Estêvão Bastos, o resultado neste ano foi explicado pelo motivo de não haver mais recursos para o Plano Safra - com cujos juros que estavam em "12,5% para a linha de crédito Moderfrota e em 5,5% para o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)". 

    De acordo com representantes do setor de máquinas agrícolas, dois pontos se ressaltam. Primeiro, e, diferentemente das montadoras de carros, essa indústria não é tão afetada pela falta de componentes, cenário esse do qual a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) acredita que perdure até, pelo menos, metade do próximo ano. E segundo, os representantes reforçam que a maior ameaça aos negócios do setor e os resultados esperados para 2023 diz respeito à manutenção de altas taxas de juros e à ausência de linhas de crédito subvencionadas no Brasil, sobretudo, via taxas de juros mais equilibradas à pequenos e médios produtores rurais.

    Também Estevão (presidente de Câmera da Abimaq) afirma que os fabricantes de máquinas agrícolas faturaram 13,7% a menos no período entre janeiro e fevereiro deste ano (conforte as estimativas da Associação), ante o mesmo período de 2022. E, com isso, atenta que apenas com novos aportes de recursos nas linhas de crédito para investimento previstas no Plano Safra será possível uma mudança de cenário no curto prazo.

    Tal contexto recente poderá impactar nas perspectivas da Lafis sobre os indicadores de produção, vendas internas, repercutindo ao próprio crescimento setorial quando for atualizado o respectivo relatório. Deste modo, as próximas estimativas da Lafis ao faturamento poderão, em breve, serem revisadas para baixo. Principalmente, se forem mantidas as condições macroeconômicas desse início de 2023 — taxa de juros alta com restrições ao crédito, e, setoriais — como antes explicitadas quanto à baixa nas vendas.

    Analista Responsável Thais Virga


    O bom momento do setor agropecuário brasileiro, como tem sido a norma nos últimos tempos, irradia-se para o setor de máquinas agrícolas. Embora este seja um fator preponderante para os bons números para o setor de máquinas, a disponibilidade de crédito é fator importante também.

    Os bons preços das commodities no mercado internacional tem mantido elevado grau de capitalização aos produtores agrícolas, o que estimula o aumento de inversões em maquinário agrícola. A elevada disponibilidade de crédito, embora com juros mais elevados do que em períodos recentes, faz com que os agricultores assumam financiamentos de médio e longo prazo.

    O crescimento previsto para 2022 não se resume, portanto, à produção de máquinas agrícolas; as vendas devem crescer em ritmo mais acelerado do que a oferta, o que deve provocar sensível redução de estoques. O agro continua sendo um vetor importante para a economia nacional, seja pela sua importância per se, seja pelo efeito multiplicador que ele possui na economia como um todo.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    O contínuo bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro apesar das turbulências vividas em 2022 deve garantir mais um ano positivo para o setor de máquinas agrícolas. As pressões de custo vinda principalmente do aumento nos preços dos fertilizantes parecem não ter desestimulado a produção agrícola no Brasil – o IBGE estima aumento na produção de grãos para o ano.

    Neste embalo, o setor de máquinas agrícolas deve apresentar mais um ano de expansão mesmo com uma base extremamente elevada como foi 2021. As pressões de custo para o setor também se mostram elevadas principalmente pela falta de componentes eletrônicos e pelo preço do minério de ferro.

    No entanto, a necessidade do uso de máquinas agrícolas para manter a elevada produtividade do campo brasileiro faz com que o fator preço não seja um impeditivo para os agricultores – usualmente neste caso, há repasse de preços ao produto final.

    Portanto, mesmo com adversidades pontuais em setores correlatos e no próprio setor, a Lafis vislumbra mais um ano de crescimento na produção de máquinas agrícolas e no faturamento do setor.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    O ano de 2021 será lembrado como um dos melhores anos para o setor de máquinas agrícolas, seja em termos de produção/vendas, seja em termos de faturamento. No início de 2022, as perspectivas para o ano eram de continuidade desse movimento de alta; contudo, dois choques exógenos podem desacelerar esse crescimento.

    O primeiro choque exógeno foi a eclosão da guerra na Ucrânia. E ela se reflete no setor de máquinas agrícolas nacional de diversas formas: suspensão das exportações para a Rússia e aliados (Bielorrússia, por exemplo), aumento nos custos de produção e na disponibilidade de insumos (diesel e fertilizantes), disrupções nas cadeias logísticas que têm dificultado a entrega de suprimentos.

    O segundo choque, o agravamento na pandemia do novo Coronavírus na China, tem reflexo duplo: paralisação na produção de componentes eletroeletrônicos (chips e microchips) e problemas logísticos.

    Os impactos já são visíveis e as incertezas são grandes uma vez que não se sabe a extensão temporal do conflito europeu. Mesmo assim, a Lafis acredita em um crescimento pouco superior a 4% na produção anual e nas vendas internas o que pode refletir em um crescimento do faturamento próximo a 6%.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    O setor de máquinas agrícolas vem apresentando crescimentos sucessivos ao longo dos últimos anos. A perspectiva é que em 2022 esse movimento continue mesmo com a projeção de preços mais altos.

    Em 2020, primeiro ano da pandemia do novo coronavírus, houve expansão do faturamento de 17%; já em 2021, esse crescimento foi ainda maior: 43%. Para 2022, a Lafis está projetando um aumento de 5,8%.

    A expectativa para 2022 é que a demanda setorial continue elevada, mas os estoques baixos devem pressionar os preços para cima. Além disto, insumos produtivos em elevação devem encarecer os custos de produção, o que deve ser mais um fator a exercer pressão altista nos preços dos bens finais; e que deverão ser repassados ao consumidor final. 

    O caráter de essencialidade das máquinas agrícolas para o agronegócio faz com que sua demanda seja inelástica ao preço, o que deve contribuir para mais uma elevação no faturamento do setor. A pujança agrícola do Brasil faz com que as expectativas de médio e longo prazo sejam positivas para o setor.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    O desempenho do agronegócio brasileiro tem sido importante contribuinte da retomada da atividade econômica no país. Contudo, não apenas o macro tem sido beneficiado; o setor de máquinas agrícolas tem aproveitado a bonança do campo para alavancar sua recuperação.

    A última estimativa divulgada pelo IBGE em 10 de junho sinalizava produção recorde de cereais, leguminosas e oleaginosas (262,8 milhões de toneladas) crescimento de 3,4% com relação ao observado em 2020. O crescimento da produção aliada aos elevados preços das commodities agrícolas no mercado internacional tem estimulado o emprego e/ou renovação do maquinário agrícola.

    O setor segue pressionado, em termos de custo, por conta da elevação do preço do minério de ferro no mercado internacional, importante insumo produtivo para a produção de máquinas agrícolas.

    É neste contexto que a Lafis acredita em um crescimento de 5,6% nas vendas internas e 6,8% nas exportações, dados que contribuirão para a recuperação do setor para voltar aos patamares próximos ao observado antes da crise.

    Analista Responsável Marcelo Balloti Monteiro

    O setor de máquinas agrícolas poderá experimentar recuperação em 2021, na esteira do bom momento vivido pela agricultura brasileira. A expectativa Lafis de crescimento da produção de grão para o ano é de 268,7 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% com relação a 2020. 

    A expansão agrícola brasileira não é o único fator favorável para o setor de máquinas agrícolas; os baixos patamares da taxa de juros corroboram para que exista uma demanda aquecida por tratores e colheitadeiras – a Lafis estima crescimento de 14,8% na produção setorial, expansão de 3,8% nas vendas internas e 6,8% nas vendas externas.

    O cenário otimista para o setor pode sofrer relativo revés em virtude das pressões de custo decorrentes de um câmbio ainda desvalorizado e de diversos problemas nas cadeias de oferta de insumos mundo afora. Ademais, acresce-se que existe perspectiva que o preço do minério de ferro – matéria prima para a fabricação do aço – continue em patamares elevados.

    Embora diversas empresas do setor automotivo tenham anunciado paralisações na produção por falta de insumos produtivos no bojo do recrudescimento da pandemia do novo coronavírus no Brasil ainda não afetou o setor de máquinas agrícolas. Esta possibilidade não pode ser descartada e poderá ser implementada ou não a depender da evolução tanto da pandemia como da vacinação. Caso o setor de máquinas siga o mesmo caminho do setor automotivo, o otimismo na recuperação do setor pode ser arrefecido.

    O setor industrial que há anos vem enfrentando dificuldades ainda pode ter um ano de 2021 conturbado; dependerá fortemente do ritmo da vacinação e das medidas adotadas para conter a disseminação do vírus. Embora no âmbito setorial, a produção de máquinas agrícolas vislumbra recuperação, o âmbito sanitário enseja enormes preocupações.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro

    De acordo com a divulgação da produção de máquinas agrícolas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), em outubro a produção de máquinas pelas fabricantes do setor foi 5,2% inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Nessa mesma comparação, destaca-se positivamente que as vendas no mercado interno apresentaram um crescimento de 7,2%.

    No acumulado de janeiro à outubro de 2020, ainda sob efeitos da crise do Covid-19, a produção total de máquinas no país apresentou uma retração de 18,1%. A falta de insumos tem limitado a produção das montadoras e fabricantes de máquinas agrícolas neste segundo semestre de 2020. A interrupção da produção no início da pandemia levou a um desequilíbrio da oferta de aço no mercado interno, que também têm apresentado elevação dos preços devido à desvalorização cambial.

    Por isso, a despeito da demanda crescente de máquinas agrícolas no mercado interno, uma vez que, o setor de alimentos e mineração não apresentaram impactos negativos durante à crise do Covid-19, mas sim, uma expansão da demanda chinesa, com cotações recorde de soja, milho e arroz, estimulando os produtores ao plantio e novos investimentos, a oferta de máquinas agrícolas não têm sido suficiente para suprir esta demanda.

    Assim, de janeiro à outubro, as vendas no mercado interno apresentaram um crescimento de 1,6%, foram comercializadas cerca de 37.808 máquinas agrícolas. Entretanto, vale destacar que, embora seja diminuta a participação das importações, as vendas importadas apresentaram um crescimento de 408%, cerca de 1.342 unidades importadas, e as vendas nacionais (-1,3%), um total de 36.466. As vendas de máquinas importadas deram-se sobretudo pelo crescimento de importações de tratores de roda (1.310 unidades).

    Especialista do Setor Laís Soares.

    Os dados divulgados pela ANFAVEA no começo de maio deram uma maior dimensão acerca do tamanho do impacto negativo da pandemia de Covid-19 sobre o setor. A produção da indústria automobilística, em abril, despencou ao menor nível da série histórica, iniciada em 1957, reflexo da paralisação de quase todas as fábricas ao longo do mês. De acordo com os números divulgados, apenas 1.847 veículos foram produzidos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, um tombo de 99% sobre o mês anterior e de 99,4% sobre abril do ano passado. Além disso, foram produzidas 1.752 máquinas agrícolas, 60,3% a menos do que em abril de 2019. 

    Além da produção em queda, as vendas internas recuaram 28,4% em comparação a abril de 2019, acumulando -7,4% nos quatro primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, as exportações caíram 62,1% em abril sobre abril do ano passado e 28,5% no primeiro quadrimestre. Um efeito colateral importante produzido pelo Covid-19 é a ausência de feiras agrícolas como, por exemplo, a Agrishow, umas das maiores do mundo e responsável por lançamentos das principais tendências de inovação do setor, que foi adiada; os fornecedores tentam sua realização em agosto, mas ainda sem confirmação.

    Por outro lado, destaca-se que uma das saídas utilizadas pelo setor é o mercado externo, em boa medida influenciada por uma taxa de câmbio acima de R$ 5,00. O setor de máquinas tem no Mercosul, em particular na Argentina, seus principais clientes e a recessão neste país, associada aos efeitos do Covid-19 tendem a dificultar as vendas. No entanto, a abertura de mercados árabes para produtos agrícolas brasileiros e manutenção do patamar de importações chinesas, seguem sendo importantes estímulos à demanda de equipamentos para o setor agrícola.

    Desta forma, diante da adversidade vivida na economia global, o próprio setor, representado pela ANFAVEA, afirma não ter capacidade de realizar projeções neste momento, e à medida que as fábricas puderem reabrir, os resultados ficarão mais claros.


    Especialista do Setor Marcos Henrique 


    Mudanças macroeconômicas, como a recente aprovação da reforma da previdência, são fatores estimulantes para a economia, o que tem elevado as projeções de crescimento para o próximo ano. Do ponto de vista micro, o Plano Safra inclui R$9,6 bilhões em crédito ao setor, acima dos R$8,9 bilhões da safra anterior, o que também contribui como estímulo à produção. No entanto, o setor encontra-se apreensivo, tendo em vista a expectativa de que os recursos acabem em breve, por volta de março de 2020.

    Com tom mais liberalizante, ao menos na economia, o governo Bolsonaro pretende reduzir aos poucos a participação do setor público na oferta de crédito. Fortemente dependente de créditos e subsídios, o setor agrícola está em momento de transição para mecanismo de financiamento no setor privado, aproveitando-se um cenário de juros historicamente baixos. Aliado a isso, a escolha de Alberto Fernández como presidente da Argentina, tem potencial para alteração da rota liberalizante que vinha sendo adotada por Mauricio Macri, o que certamente produzirá atritos com o mercado, podendo aumentar as incertezas quanto à economia do país.

    Principal cliente do Brasil na compra de veículos e, inclusive máquinas agrícolas, o setor vem sentido os efeitos da crise no país vizinho. As vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias no Brasil, em outubro, somaram 4,2 mil unidades, queda de 16,2% ante mesmo mês do ano passado e recuo de 15% em relação a setembro, apontaram dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).  Atrasos no Plano Safra e queda nas exportações, estão entre as principais razões para o desempenho negativo.

    Especialista do Setor Marcos Henrique

    O tom liberalizante do governo federal tem trazido preocupação a setores importantes da economia, em especial aos setores dependentes de crédito público e subsídios, como o caso do leite já tratado aqui nesse espaço. Dessa vez, a preocupação maior é do setor produtor de máquinas agrícolas, cuja linha de crédito especial, a Moderfrota, tem juros de 7,5% a.a. e prazo de 7 anos para pagamento. De acordo com representantes dessa indústria, a mesma linha num banco comercial gira em torno de 11% a.a. e com prazo médio de 5 anos para quitação, o que para alguns empresários é “inviável” para o negócio.

    Nesse sentido, mais uma vez o embate político deve ser protagonizado entre Ministério da Economia (liberal) e Ministério da Agricultura que, ainda que seus influenciadores se digam a favor da concorrência, a retirada de subsídios e aumento de taxas de financiamento são difíceis de encontrar consenso. Na última disputa entre as duas pastas, venceu a agricultura, que não apenas manteve como aumentou as alíquotas sobre importação de leite; nesse caso, a cadeia mundial, especialmente na Europa, é fortemente subsidiada.

    Portanto, o Plano Safra 2019/20, que será divulgado em 12 de junho, de acordo com fontes oficiais do governo, protagonizará alguns conflitos entre os setores beneficiados e a necessidade de maior concorrência da economia brasileira. De tradição agrícola, o país sempre subsidiou o setor, seja pela necessidade de disputas com grandes players globais, ou até mesmo pela necessidade de apoio político. A missão de Paulo Guedes, todavia, tende a ser árdua na abertura do mercado nacional.


    Especialista do Setor Marcos Henrique.

    No último comentário sobre o tema, salientamos as perspectivas positivas quanto à exportação de soja, resultado de sobretaxação imposta pela China ao grão norte-americano. Mas os ganhos para a economia brasileira não param por aí, e podem ser até maiores em termos de valor agregado.

    A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) espera aumento na produção de máquinas agrícolas, tendo em vista dois fatores principais: i) as altas produtividade e rentabilidade do produtor agrícola, resultado do ciclo positivo recorde no campo; e ii) a maior safra exige mais transporte, o que atua diretamente sobre a oferta de maquinário e veículos no setor. Dada a nova perspectiva, a ANFAVEA pretende revisar a projeção de crescimento dos atuais + 3,7% para máquinas agrícolas definida em janeiro, com expectativa também sobre o crescimento da produção de caminhões, item com grande correlação com o PIB.

    Em 2017, houve crescimento de 1,5% nas vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias, enquanto caminhões tiveram expansão de 2,9%. Do lado das exportações, entretanto, os resultados foram mais importantes, com máquinas tendo crescido 46,9% e caminhões 31,3%, ambos também em comparação a 2016. Assim, os números expressivos da balança comercial, somados ao novo evento externo (China x EUA), são mais que suficientes para convencer investidores do setor. 

    Contudo, soma-se a isso a expectativa de desvalorização cambial embutida no cenário básico da Lafis, fruto do cenário político conturbado, associado ao ano eleitoral que, tradicionalmente, torna o real mais volátil. Portanto, as perspectivas são positivas para o setor em diversos aspectos, o que contribui para projeções mais otimistas para a atividade econômica este ano.

    Especialista do Setor   Marcos Henrique.


    O setor de máquinas agrícolas era considerado com um dos maiores favorecidos pelo forte crescimento do setor agrícola. Com os recordes de produção e disponibilidade de crédito para o setor agrícola, o setor chegou a recordes de produção em 2013/14, inclusive em termos de vendas para o setor externo. O nível tecnológico das máquinas produzidas no Brasil também cresceu vertiginosamente. Porém, com o início da crise econômica e dado o alto nível de compra de máquinas nos anos anteriores, as vendas e produção despencaram, levando o setor a enfrentar uma forte crise.

    Dados recentes da Anfavea revelam que em agosto a produção de máquinas agrícolas cresceu, mantendo a tendência de recuperação observada desde abril deste ano, mesmo que em níveis de produção abaixo de 2015. A expectativa é de que setembro e outubro apresentem resultados positivos, tendo em vista que é a época de compra de máquinas pela agricultura brasileira. A melhora na renda dos produtores, tendo em vista os bons preços das principais commodities agrícolas produzidas no Brasil, somado a perspectiva da melhora no clima, devem impactar positivamente as vendas em 2016, mas deverá ser mais ainda mais forte em 2017.

    Assim, apesar da crise enfrentada pelo setor no momento, as estimativas é que o setor apresente melhoras já no fechamento de 2016, e um crescimento mais sólido em 2017. Com isso, o faturamento deverá apresentar melhoras já nos próximos meses. 

    Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino


    A Case New Holland, um dos maiores players do setor de máquinas agrícolas, está investindo R$ 400 milhões para ampliar e modernizar seu complexo fabril de Curitiba (PR), que aumentará sua capacidade instalada de 67 para 100 tratores por dia.

    Deste modo, é importante destacar que, embora o setor como um todo esteja apresentando uma redução das vendas, movimentos intrasetoriais, como este, podem alterar de forma significativa a participação dos participantes no mercado.

    Neste sentido, com o intuito de voltar a crescer e elevar a participação, além de ampliar a produção a companhia aumentará sua rede de revendas de 200 para 230, até 2014, para ter maior capilaridade e assim se aproximar de um maior número de clientes.


    A indiana Mahindra, uma das maiores produtoras de tratores do mundo terá sua primeira planta fora de seu país de origem. A empresa investirá cerca de R$ 100 milhões no projeto e pretender produzir, inicialmente, cerca de mil unidades por ano - a partir de 2013 - em Dois Irmãos (RS). É importante destacar, que a companhia já atua em território nacional; no entanto, somente via importações. 

    Deste modo, o setor de máquinas agrícolas, a partir de 2013, contará com mais um player com produção interna e que deve aos poucos ganhar mercado. Em uma segunda etapa a companhia tem perspectiva de produzir entre 5 mil e 8 mil unidades ao ano. Vale destacar que, atualmente, o setor passa por problemas de competitividade, que repercute no aumento das importações e redução das exportações - apesar das importações ainda representarem uma pequena fatia das vendas internas. 

    No entanto, o fato de existir um grande mercado consumidor, somado à incentivos por parte do Estado - neste caso, o Estado do Rio Grande do Sul -, contribui para que seja vantajoso a produção em território nacional.


    A economia brasileira vem apresentando nos últimos meses sinais de desaceleração generalizada (serviços, indústria e agropecuária), assim como vem ocorrendo com diversas economias no globo. O setor de máquinas agrícolas é caracterizado por deter alta correlação com a agricultura (segmento demante) e também com setor industrial (segmento ao qual faz parte). Deste modo, a queda da atividade agrária esperada em 2012 e a indústria, que segue crescendo pouco, deve refletir também no setor de máquinas agrícolas.

    Paralelamente a este movimento, as importações brasileiras de máquinas e implementos agrícolas vem crescendo significativamente nos últimos anos. Em 2010, o crescimento foi de 62,7%, quando saltaram de R$ 244,1 para R$ 397 milhões; em 2011, as importações alcançaram R$ 583,3 milhões, o que representou um avanço de 46,9% ante o ano anterior. Caso esse movimento continue, a tendência é que os produtos nacionais percam parcela significativa de mercado para os importados;

    O que vem ocorrendo com o setor de máquinas agrícolas faz parte de um movimento muito maior e que vem afetando de maneira ampla o setor industrial brasileiro; trata-se da perda de competitividade dos produtos nacionais frente aos importados devido a fatores que vão desde a taxa de câmbio valorizada até  alta carga tributária e falta de infraestrutura.


    Durante a semana, a divulgação da Sondagem Industrial, da balança comercial do setor de máquinas e do pacote de desoneração fiscal para empresas de São Paulo serviram como base para ilustrar o cenário dos setores de Siderurgia, Fundição e Bens de Capital.

    A CNI, no último dia 25, divulgou a Sondagem Industrial referente ao mês de Setembro. O relatório destacou a estratégia do setor industrial em reduzir a produção para estabilizar os estoques. Outro ponto levantado foi a satisfação dos industriais perante a margem de lucro e a situação financeira dos negócios. Segundo a CNI, as perspectivas para os próximos meses seis meses são de aumento na contratação de mão de obra e de matérias primas. A valorização do Real, a ausência de mão de obra qualificada, a carga tributária e a competição acirrada foram os principais problemas citados pelos empresários do setor industrial.

    Em concordância com o cenário traçado pela CNI, o resultado da balança comercial do setor de máquinas e equipamentos - divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) - mostram no acumulado de jan-set/2010 um déficit comercial de US$ 11,72 bilhões, ou seja, acréscimo de 43,4% no saldo em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do setor apresentar alta nas exportações de 27,4% ao ano, as importações cresceram 64,2% ao ano.

    A última notícia relevante para os setores foi o anúncio do Governo de São Paulo de incentivos e desonerações para empresas do estado. As principais medidas referem se a desoneração do ICMS na aquisição de bens de capital para mais de 50 setores e a isenção no ICMS do transporte de mercadorias destinadas à exportação.

    A Lafis acredita que essas medidas poderão beneficiar as indústrias de siderurgia, de fundição e de bens de capital, pois a desoneração do ICMS reduzirá os custos dessas indústrias e pode impactar de maneira positiva na elevação do mark up (diferença entre o preço do produto e o custo dele), no aumento do nível de competitividade e na elevação da reserva de capital para novos aportes. A siderurgia do estado de São Paulo poderá oferecer preços melhores frente aos concorrentes e elevar a sua demanda. A Fundição poderá consumir o aço produzido em SP e oferecer peças mais baratas a indústria de bens de capital e, essa, por sua vez, pode elevar a sua produção perante o possível aumento da demanda ocasionada pela redução de preços das máquinas e equipamentos. Ou seja, os setores em questão poderão se beneficiar tanto da ponta de custos tributários como da ponta da matéria prima. O aumento das importações, da desvalorização do câmbio e a competição internacional são os fatores de risco que essas medidas anunciadas visam balizar frente às deficiências da indústria paulista ao mercado mundial. Visto a Sondagem industrial e a balança da Abimaq, a Lafis defende que os efeitos dessa medida sobre a economia podem se multiplicar e trazer benefícios aos setores, dadas perspectivas de crescimento do PIB, do poder de consumo e dos investimentos públicos e privados.


    O grupo CNH (Case e New Holand ambos pertencentes a Fiat) reforça sua aposta no país com um grande projeto. O conglomerado italiano finalizou o investimento de R$ 1 bilhão em uma nova fábrica de máquinas agrícolas em Sorocaba, no interior de São Paulo. A unidade, com capacidade para produção de 8 mil unidades por ano, poderá ser base de exportação para a América Latina. Além da produção de máquinas agrícolas, a unidade será responsável também pela fabricação de conjunto de componentes que devem abastecer todas as outras unidades do grupo no Brasil e na América Latina. No mesmo terreno também foi erguido o maior centro de distribuição de peças da CNH na América Latina e um dos mais modernos do grupo no mundo, com 56 mil metros quadrados de área construída e capacidade de estocagem de 180 mil itens. A inauguração do novo complexo está prevista para o dia 2 de março.

    O mercado de máquinas agrícolas está se recuperando no Brasil. Depois de quase três anos em queda, as vendas de colheitadeiras seguem em alta e no ano passado fecharam em 3.816 unidades, tendo a CNH uma participação de 46,7%. As vendas ainda não alcançaram os níveis históricos que chegaram à cerca de 5,5 mil máquinas por ano entre 2002 a 2004, porém é possível notar um movimento de recuperação do setor.