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  • indústria farmacêutica, empresas do setor indústria farmacêutica, empresas do segmento indústria farmacêutica, setor indústria farmacêutica, segmento indústria farmacêutica, economia, macroeconomia
    A farmacêutica Pfizer, fabricante do Viagra e do Lipitor, fechou acordo para comprar a fabricante do Botox, a Allergan, em transação avaliada em cerca de US$ 160 bilhões (quase R$ 600 bilhões – praticamente 6 vezes o rombo estimado no orçamento do Governo Federal desse ano) e orquestrada para reduzir os volumes de impostos pagos pela companhia norte-americana, que vai transferir sua sede para a Irlanda. A união das empresas, que vai criar a maior companhia farmacêutica do mundo, vai adiar para o final de 2018 a decisão da Pfizer de se dividir em duas, afirmou a empresa. Investidores vinham esperando que a Pfizer vendesse sua área de genéricos até 2017 para se focar em medicamentos de marca vendidos sob receita, uma decisão que vai ser adiada diante do tempo necessário para a integração da Allergan na empresa. 

    Caso seja aprovada a transação, já que as autoridades norte-americanas estão buscando bloquear o acordo, seja para evitar a evasão de futuras receitas fiscais ou combater a concentração de mercado, será criada uma farmacêutica com expressiva captação de receitas, e consequentemente, um orçamento mais robusto para outras despesas, como P&D. Porém, no tocante à inovação farmacêutica, é preciso considerar que uma maior concentração de mercado não significa necessariamente em maiores volumes de investimento para descobrir drogas inovadoras, como aquelas destinadas à cura de condições como câncer e Alzheimer. Uma economia que dispõe de um ecossistema de inovação muito bem articulado, isto é, os governos oferecem funding para prazos de longa maturação (mais de 5 anos), as universidades fornecem mão-de-obra especializada, e as firmas deparam-se com um ambiente de estabilidade econômica que facilita a tomada de decisões, a irrupção de invenções que podem mudar o paradigma tecnológico é facilitada; e a Irlanda, fora os incentivos fiscais, oferece tal ecossistema, o que provavelmente foi decisivo para os executivos da Pfizer mostrarem que querem se mudar para o país europeu. 

    Analista Responsável: Francisco Lira


    A multinacional de beleza Coty comprou a divisão de cosméticos da Hypermarcas por R$ 3,8 bilhões e é a nova dona de marcas como Risqué, Monange, Biocolor e Cenoura & Bronze no Brasil. A transação vai zerar a dívida líquida da brasileira e direcionar seu foco inteiramente ao setor farmacêutico. A aquisição ainda precisa passar por autoridades reguladoras da concorrência e deve ser fechada até o fim de março. 

    Desta notícia é extraída principalmente a dedução que muitos analistas econômicos-financeiros (e acionistas) tiveram dessa transação: a Hypermarcas seguirá as vantagens dela no setor farmacêutico, logo, a venda de certos negócios alheios a essa é estratégica.

    No entanto, é preciso ressaltar que a Hypermarcas, a única farmacêutica na Bovespa, ainda depende do mercado de medicamentos similares, o qual detém uma baixa margem de lucro devido à grande concorrência. 

    Atualmente, o laboratório não se empenha em investir em P&D, um passo necessário para criar medicamentos patenteados (e com maiores perpectivas de lucratividade), mas caso a direção da companhia perceba que não consiga expandir o market share do nicho em que está inserido, talvez seja empurrada nessa direção. Tal conjectura dependerá do desempenho futuro do mercado de medicamentos, junto com a articulação dos incentivos fornecidos pelo Governo Federal. 

    Analista Responsável pelo Setor: Francisco Lira


    O Official Journal of the European Union publicou o reconhecimento da equivalência do controle brasileiro ao padrão europeu aplicado a insumos farmacêuticos. Com isso, fica reconhecido que a regulação estabelecida pela Anvisa, os procedimentos empregados pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), bem como os controles e ações de verificação de cumprimento aplicáveis no Brasil atingem nível de proteção equivalente ao adotado pela União Europeia.  Assim, o Brasil foi oficialmente incluído na lista de países com equivalência nos controles de insumos farmacêuticos.

    Além disso, a Anvisa concedeu o registro para o medicamento Radioglic – Fludesoxiglicose (18F) – fabricado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear/CDTN, o qual é o primeiro medicamento da categoria de radiofármacos pronto para o uso registrado pela Anvisa desde a publicação em 2009 da norma que dispõe sobre o registro desses produtos.

    Essas duas notícias mostram que o processo de inserção tecnológica internacional da indústria farmacêutica brasileira está em andamento. O reconhecimento da União Europeia do processo de equivalência no Brasil cria a oportunidade dos laboratórios nacionais especializados em genéricos conquistarem clientes que exigem os mesmos parâmetros de qualidade que há no mercado interno. É muito provável que multinacionais (Pfizer, por exemplo) do setor que investiram em genéricos, cogitem a possibilidade de exportar medicamentos brasileiros para a Europa.

    Por fim, a criação de um radiofármaco nacional é o primeiro passo para o Brasil criar capacidades técnicas numa área que é permeada por importações, ou seja, é um traço de substituição de importações do setor, porém, tal medicamento conta por enquanto com a proteção do sistema público de saúde para ser vendido (as compras do SUS possuem preferências por mercadorias manufaturadas nacionalmente), algo que seria obstaculizado pelos medicamentos radioativos canadenses, os quais oferecem uma concorrência cerrada nesse nicho de mercado.

    Analista Responsável pelo Setor: Francisco Lira


    O reajuste anual médio dos medicamentos vendidos no país, ponderado pela participação de mercado, será de 6%, segundo cálculo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). A conta leva em consideração as três faixas de aumento autorizadas pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), de até 7,7%, 6,35% e 5% conforme a concentração de mercado. Os aumentos já podem ser aplicados em cerca de 19 mil apresentações disponíveis no mercado varejista, porém tradicionalmente há um período de ajuste, em geral relacionado ao ritmo de reposição de estoques. 

    Para compreender melhor esse reajuste proposto pelo CMED, é precisa ater-se ao fato de que o IPCA baliza o teto do reajuste de preços, e assim, ao considerar os custos, produtividade e concentração de mercado, são postas deduções ou adições sobre esse teto de reajuste de preços. O IPCA de 7,7% refere-se ao acumulado entre março 2014 e fevereiro de 2015, o fator X, que denota a produtividade do setor para os próximos meses (quanto mais produtivo - e lucrativo - o setor, mais baixo tem que ser o reajuste), enquanto o fator Z, que se refere à concentração de mercado, é segmentado em 3 categorias: I - baixa concentração (predominância de genéricos), 24,45%, II - média concentração, 25,37%, e III - alta concentração (categoria em que povoa medicamentos patenteados, 50,18%). Por fim, há o fator Y que releva o aumento de custos (decorrente da desvalorização cambial e do aumento de energia) da indústria farmacêutica em relação aos demais setores, e nesse caso, foi 0%, algo supreendente. Supõe-se que no próximo reajuste (em 2016), seja contemplado os impactos dos aumentos da cotação de dólar (que estão tão presentes nos últimos meses) sobre as importações de insumos farmacêuticos. 

    Reajuste dos medicamentos = IPCA - X + Y + Z

    I  - 7,7% - 2,70% + 0% + 2,70% = 7,7%

    II - 7,7% - 2,70% + 0% + 1,35% = 6,35%

    III - 7,7% - 2,70% + 0% + 0% = 5%

    Claramente, os remédios patenteados possuem menor liberdade de aumentar os preços, frente ao mercado de medicamentos onde há maior competição, como similares e genéricos. Cabe destacar que houve mudanças na metodologia do fator Z devido à implantação do Sistema de Acompanhamento do Mercado de Medicamentos (SAMMED), a qual traz maior regulação sobre o fornecimento de medicamentos no país. Antes, simplesmente era avaliado a penetração dos medicamentos genéricos em diversos mercados para definir o fator Z. 

    É interessante salientar que o fator X foi menor que em 2015, pois essa estimativa de produtividade foi de 4,6% no ano passado, um valor superior ao atual. As razões para o fator X ser menor em 2015 provavelmente é um reflexo da conjuntura mais comedida do setor diante de uma cenário macroeconômico conturbado, e isso rebaixa a previsão de produtividade para os próximos meses até o próximo reajuste (março de 2016).   

    Analista Responsável pelo Setor: Francisco Lira


    A Câmara dos Deputados aprovou o novo marco legal para o acesso ao patrimônio genético do país e mudanças na cobrança de royalties como compensação pelo uso da biodiversidade nacional em produtos dos setores farmacêutico, alimentício, agropecuário e cosmético. O texto vai ao Senado em regime de urgência. O projeto foi elaborado pelo governo após pressão das indústrias química, alimentícia e de cosméticos para facilitar a pesquisa da biodiversidade brasileira para desenvolvimento de produtos e renegociar multas a empresas e instituições que enviaram amostras para fora do país sem autorização ou fizeram pesquisa sem pagar os royalties.

    O projeto prevê que a cobrança só ocorrerá depois da comercialização do produto final. A té o momento, os royalties eram cobrados antes mesmo de saberem se o produto daria retorno financeiro e muitas empresas deixaram de pagar. O governo decidiu reduzir a alíquota para repartição de benefícios, de 1,1% sobre a receita líquida do produto para 1%, com a possibilidade de redução para até 0,1% para "não comprometer a competitividade de setores que operem com uma margem menor". O percentual menor visa principalmente os produtos farmacêuticos. 

    O projeto de lei 7.735/2014, o Marco da Biodiversidade, deve estabelecer maior segurança jurídica a setores econômicos, como o farmacêutico, que fazem uso intensivo de recursos naturais para investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento, sem contar que deve proporcionar maior racionalidade ao uso da biodiversidade pelas companhias: elas somente pagarão royalties quando a inovação mostrar frutos, um contra-incentivo à biopirataria que também auxilia na redução dos riscos do investimento em inovação. Espera-se que com a aprovação do Senado, o projeto de lei pode estimular que as pesquisas que envolva a fauna e flora nacional permaneça no Brasil. 

    Analista do Setor: Francisco Lira


    No 1º semestre, empresas locais faturaram, juntas, R$ 15,8 bi, 50,8% do total, e isso reflete crescimento da indústria nacional calcado na produção de genéricos e similares. Em um setor historicamente dominado por estrangeiras, as farmacêuticas brasileiras passaram a abocanhar a maior fatia do faturamento, pois no primeiro semestre deste ano, faturaram, juntas, R$ 15,8 bilhões, 50,8% do total, segundo análise da Alanac (associação dos laboratórios nacionais) com base em dados do IMS Health, instituto que audita o setor.

    A notícia é boa no sentido de mostrar a força dos laboratórios brasileiros, e isso pode reforçar a ideia do funcionamento dos incentivos oferecidos pelo Governo Federal ao setor, porém, é preciso alertar dois aspectos dessa maior presença brasileira no setor.

    Os genéricos representam aproximadamente 30% das vendas do setor, e são medicamentos que não exigem investimento em P&D, no entanto, possuem menores margens de lucro. Isso revela as vantagens das farmacêuticas estrangeiras, companhias dotadas de melhores e maiores processos de inovação, que dominam mercados de remédios mais recentes, complexos e protegidos pelas leis nacionais e internacionais de patentes. Naturalmente, um nicho mais lucrativo e menos concorrido do setor de medicamentos.

    Por fim, pontua-se que muitas desses laboratórios guardam uma forte dependência de insumos importados, já que ainda o Brasil não dispõe de um indústria  de farmacoquímicos capaz de  embasar um produção 100% nacional de remédios.

    Analista Setorial da Indústria Farmacêutica: Francisco Lira

    O Ministério da Saúde colocou em consulta pública o novo marco regulatório das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), formadas entre empresas e laboratórios para a transferência de tecnologia na produção de medicamentos e vacinas. Entre as novidades da portaria estão os prazos para a realização de concorrência entre os laboratórios e empresas e regras mais duras para a transferência de tecnologia.

    Nos últimos meses de cada ano, o governo publicará lista com insumos considerados estratégicos para a rede pública de saúde. As empresas terão até abril do ano seguinte para apresentar projetos de parceria com os laboratórios. Outra mudança que deverá constar da portaria prevê o início da compra dos medicamentos pelo Ministério, o que só se dará após comprovação do início do processo da transferência de tecnologia. Ou seja, as empresas só poderão vender o produto após comprovarem o início da produção nacional.

    Essas medidas recentes adotadas pelo Governo Federal colocam mais rigor na compra de medicamentos pelo SUS, os quais vão atentar-se mais para a produção nacional, que tem capacidade de transferir tecnologia para a economia brasileira no longo prazo. Porém, o aspecto mais importante dessa notícia é a lista de insumos estratégicos, os quais estão mirando possivelmente na repercussão do aumento drástico das importações de fármacos e adjuntos farmoquímicos (insumos farmacêuticos) nos últimos meses. Ao selecionar melhor os insumos para as compras governamentais e condicioná-los a parâmetros mais rigorosos de PDP's, acredita-se na possibilidade da medida amenizar o déficit nessa área no curto prazo.

    Analista Setorial da Indústria Farmacêutica: Francisco Lira

    A isenção do PIS/Cofins para uma lista de 174 substâncias usadas em medicamentos começou a impactar a redução do preço dos produtos nas farmácias. O benefício, anunciado no início do mês, deve provocar uma queda média de 12% nos preços dos remédios da lista, de acordo com cálculos feito pelo governo.Com a medida, 75,4% dos medicamentos comercializados no país são liberados do pagamento do PIS/Cofins. Quase todos os medicamentos tarja vermelha e preta já são beneficiados por essa política. Hoje, o impacto nos preços começou a ser sentido também em remédios usados para tratamento de artrite reumatóide, câncer de mama, leucemia, hepatite C, doença de Gaucher e HIV.

    Essa isenção é uma excelente notícia para a indústria farmacêutica que clama pela redução da carga tributária no setor. Entende-se que os insumos ao não terem essa cobrança de imposto, os fabricantes têm espaço para reduzir os preços, já que esse mercado possui uma nível significativo de concorrência, isto é, buscam sempre conquistar os varejistas (a Droga Raia busca sempre os melhores preços, por exemplo). 

    A medida não é provisória. No entanto, é preciso advertir que apesar do Governo Federal estar realizando importantes desonerações para o setor, um peso importante dos tributos sobre os medicamentos remanesce sobre as varejistas, como o ICMS (imposto estadual). 

    Analista Setorial da Indústria Farmacêutica: Francisco Lira


    A Anvisa está analisando a implementação de mecanismos legais que permitam que os medicamentos similares possam substitituir os de referência da mesma forma que ocorre com os genéricos. 

    Os medicamentos similares e genéricos são cópias do remédio de referência (o primeiro a surgir no mercado e que detém monopólio temporário de venda por meio de patentes) ao possuir as mesmas características deste, como concentração, posologia, indicação. A diferença entre eles, remanesce no fato do similar possuir um nome comercial (uma marca) e não ter a certificação do teste biométrico exigido para o genérico. Tal teste é feito para certicar se o remédio genérico possui a mesma efetividade do princípio ativo inerente à droga de referência. Em resumo, o similar não pode substituir a droga de referência por causa do teste biométrico, apesar de muitos similares terem qualidade e bons preços. 

    Em uma análise prematura, caso essa mudança seja empreendida, pode-se imaginar que os lucros das companhias que lidam com similares (como a Hypermarcas) sejam negativamente afetados, pois o governo exigirá que a possibilidade de substituição seja condicionada à oferta de similares com preços 35% menor do que o remédio de referência. No entanto, essa mudança burocática não altera muito o lucro dos laboratórios de similares, pois já oferecem produtos com expressivos descontos a fim de fazer concorrência com as demais drogas. 

    A Takeda, maior laboratório farmacêutico do Japão, concluiu a aquisição do labóratório brasileiro Multilab. O Valor da aquisição foi de R$ 540 milhões provindos de recursos próprios.  

    A multilab foi fundado em 1988 e se consolidou entre as 20 primeiras posições no ranking geral do mercado farmacêutico brasileiro em unidades vendidas e entre as 30 principais empresas em faturamento.

    Com esta aquisição, a empresa entrará para a lista das 10 maiores fabricantes de medicamentos do país além de ganhar mais espaço nos mercados emergentes (ela também adquiriu a suíça Nycomed que atua em mercados emergentes). O foco estará nas classes menos favorecidas, com perspectivas de crescimento na América Latina. 

    Com sede em Osaka, Japão, a Takeda Pharmaceutical Company Limited foi fundada há 227 anos e esta presente em vários países, incluindo Japão, Estados Unidos, China, Cingapura, Taiwan, Tailândia, Filipinas, Canadá, Áustria, França, Irlanda, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Itália e México, e também tem filiais de pesquisa e desenvolvimento nos Estados Unidos. A empresa possui centros de pesquisa globais no Japão, no Reino Unido e em Cingapura. 

    A Takeda trabalha principalmente com a área terapêutica, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares, reumatologia, oncologia e doenças urológicas, distúrbios do sistema nervoso central e doenças gastrointestinais. 


    Em meados da década passada, as indústrias farmacêuticas nacionais ganharam força no mercado local, principalmente com o desenvolvimento do mercado de genéricos (nos últimos 8 anos o segmento cresceu cerca de 937%). Porém, as multinacionais, percebendo o forte crescimento deste segmento de mercado, acabaram abocanhando grandes empresas e líderes de mercado nos últimos anos, como foram os casos da Medley, que foi comprada pela Sanofi-Aventis em 2009, e a Teuto, que foi comprada pela Pfizer em 2010. Ou seja, hoje no país não há como negar a forte concentração do setor em torno das grandes multinacionais, demonstrando a necessidade de fortalecer as empresas nacionais e suas posições em um mercado tão importante.

    Para tal, neste começo de ano, foi anunciado no País a criação da BioNovis, uma joint venture entre os laboratórios brasileiros Aché, EMS e União Química, além da Hypermarcas, que também atua no mercado farmacêutico. Com isto, o País passará a ter um representante no mercado global de biomedicamentos (remédios produzidos com base em células vivas), segmento que movimenta cerca de US$ 160 bilhões anuais e cresce em média 12% ao ano no mundo. E para evitar que esta nova empresa passe pelo mesmo processo de outras nacionais que foram adquiridas por gigantes internacionais, ficou decidido pelos parceiros do negócio que a nova empresa não poderá ser vendida futuramente a grupos estrangeiros. Além disto, a pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos deverão ser voltados para atender necessidades da população brasileira e de outros países considerados em desenvolvimento.

    A nova companhia surge com pretensões de se tornar a maior indústria farmacêutica do Brasil, aproveitando a lacuna no mercado nacional. Segundo o presidente da BioNovis, Odnir Finotti, o Brasil importa cerca de R$ 10 bilhões por ano em biomedicamentos, sendo que aproximadamente 60% desse montante é desembolsado diretamente pelo governo brasileiro. O início da produção de medicamentos pela nova empresa deve levar entre dois e três anos, após a aquisição de um pacote tecnológico, o qual representará a partida da etapa de pesquisa da nova empresa.


    A Brazil Pharma, holding das operações de varejo farmacêutico do Banco BTG Pactual continua o movimento de consolidação nas regiões Norte e Nordeste por meio de mais uma aquisição: A rede bahiana Estrela Galdino.

    A aquisição inclui dez drogarias e um centro de distribuição, pelo valor de R$ 18 milhões. A Brazil Pharma nasceu da compra da Farmais pelo BTG Pactual em dezembro de 2009; no mês passado ela comprou a rede de farmácias Big Bem, líder na Região Norte do país, por R$ 453,6 milhões.

    Esta compra, em termos de números de lojas e faturamento, não é tão relevante para o setor, pois a Brazil Pharma continua ocupando o terceiro lugar no segmento com 517 lojas. Em contrapartida, além de seguir a tendência de grandes fusões ou aquisições neste setor, a Brazil Pharma entra no mercado bahiano ampliando e consolidando sua participação na Região Nordeste. Com este movimento de consolidação do setor, aumenta a concorrência entre as grandes e dificulta a atuação das pequenas drogarias de bairro. Além disso, a rede poderá melhorar seu poder de barganha com fornecedores, o que abre espaço para a adoção de preços mais competitivos.


    A Hypermarcas, companhia dona de marcas conhecidas como Risqué (esmalte), Monange (hidratante), Estomazil (antiácido) e Bozzano (produtos masculinos), anunciou, no último dia 08/03, sua quarta aquisição em menos de uma semana.

    Depois de divulgar a compra da fabricante de fraldas Sapeka e das empresas de produtos de higiene pessoal York e Facilit, a companhia assinou memorando visando a compra da Luper Indústria Farmacêutica por R$ 52 milhões. Esses quatro negócios já somam cerca de R$ 600 milhões.

    A aquisição vem ao encontro da estratégia da companhia de aquisições de marcas e ativos no setor de medicamentos, complementando, assim, seu portfólio de produtos isentos de prescrição médica (OTC).

    A Luper, que encerrou 2009 com receita bruta de R$ 44,6 milhões, é responsável pela fabricação e distribuição de medicamentos comercializados sob as marcas Gastrol, Virilon, Dramavit, Blumel, Senareti, entre outros. Em 2009, a Hypermarcas teve receita bruta de R$ 2,6 bilhões. Juntas, as 4 empresas adquiridas deverão agregar um faturamento bruto da ordem de R$ 450 milhões à Hypermarcas.


    A Merck da Alemanha (que não tem mais nenhuma ligação com a Merck americana desde que os Estados Unidos confiscaram a companhia como parte das reparações pela Primeira Guerra Mundial) anunciou acordo para a compra da Millipore, empresa americana com sede no estado norte-americano do Massachusetts, que produz tecnologias, ferramentas e serviços para as áreas de pesquisas biocientíficas e produção biofarmacêutica, por cerca de US$ 7,2 bilhões.

    O negocio faz parte dos planos de aquisições da Merck, que estão se intensificando, e têm como objetivo fortalecer e diversificar seus negócios, ganhando, neste caso, uma posição mais forte nos EUA. Além disto, a empresa fortalece seu pilar de produtos químicos, ao mesmo tempo em que ganha eficiência em outro pilar, o de produtos farmacêuticos.

    A operação surge no momento em que a companhia, assim como muitas outras do setor, enfrenta pressões crescentes resultantes do vencimento de patentes existentes e das resistências aos aumentos de preços pelas companhias e sistemas de seguro-saúde, juntamente com as dificuldades de desenvolvimento de novos produtos, fatores que esta acelerando a consolidação no setor farmacêutico.    


    Cerca de 60 mil farmácias comerciais brasileiras estão amparadas por liminares que as isentam de cumprir as novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicadas em agosto do ano passado no "Diário Oficial da União", que entrou em vigor no último 18/02.

    As farmácias e drogarias em todo o país, amparadas pelas liminares, estão desobrigadas de cumprir aspectos polêmicos da medida como a proibição da venda de medicamentos sem prescrição fora do balcão, além da proibição da venda de produtos que não sejam diretamente relacionados à saúde, sob o risco de serem multadas em valores que variavam de R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão.

    As liminares foram obtidas por entidades como a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), que reúne as 30 maiores redes do país, incluindo Drogasil, Droga Raia e Onofre, e a ABCfarma (Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico), que engloba os estabelecimentos independentes e os sindicatos.


    Depois de comprar, da Nestlé SA, 25% da Alcon em 2008, a Novartis AG anunciou que vai pagar à empresa US$ 28,1 bilhões como parte de sua prolongada tentativa de comprar a totalidade da firma americana de produtos oftálmicos, o que deverá levar a Novartis, grupo farmacêutico sediado na Basiléia, Suíça, a aumentar para 77% sua participação na Alcon.

    A compra será financiada através da emissão de até US$ 16 bilhões em títulos de dívida e com recursos próprios. Para elevar sua fatia na Alcon a 100%, a Novartis também ofereceu aos minoritários da empresa 2,8 ações próprias para cada uma da Alcon. 

    Esta compra faz parte da estratégia da Novartis de conquistar uma boa fatia do mercado de produtos oftálmicos, crucial para a estratégia da farmacêutica de se expandir para áreas da saúde com crescimento mais rápido, para compensar a desaceleração dos remédios de marca.

    O acordo ainda necessita da bênção dos conselhos das duas empresas, assim como da aprovação de dois terços dos acionistas. Num sinal de que a Novartis pode ser pressionada a aumentar sua oferta aos minoritários.


    O grupo farmacêutico francês Sanofi-Aventis anunciou a compra da Medley em um negócio, ainda a ser confirmado, de R$ 1,5 bilhão, movimento que deverá alçá-la a posição de número um no setor farmacêutico nacional. A transação deverá ser formalizada no segundo trimestre deste ano.
    Este negócio representa para a Sanofi-Aventis uma estratégia para ganhar terreno no mercado de genéricos, adquirindo uma empresa líder neste segmento e terceiro maior laboratório farmacêutico do país, com um faturamento de R$ 458 milhões em 2008.
    Com a aquisição, a Sanofi-Aventis deverá alcançar uma participação de 12% no mercado nacional tornando-se líder, além, ainda, de melhorar suas perspectivas de faturamento futuro apoiado nos produtos genéricos, mercado em franca expansão no país.
    Nos próximos anos vencerão patentes de vários remédios no país, dentre eles, sucessos de vendas como o Viagra e Liptor (remédio mais vendido do mundo que pertence a Pfizer). Em países desenvolvidos, como EUA e Reino Unido, a venda de genéricos representa 60% do total. Nos emergentes, esta participação ainda é baixa, sendo que no Brasil é de 16,6%, o que mostra um forte mercado potencial para as empresas explorarem.

    Foi anunciado no dia 31 de março pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), o teto de 5,9% para reajuste nos preços dos medicamentos. O critério utilizado para o aumento foi o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que sofreu uma variação de 5,9% de março de 2008 a fevereiro deste ano.
    Este percentual definido pelo governo é o limite máximo que pode ser aplicado pelos fabricantes, atacadistas e varejistas de cerca de 20 mil medicamentos com os preços controlados (exceção para os fitoterápicos, homeopáticos e remédios isentos de prescrição médica, como dipirona e paracetamol).
     O aumento vem sob protestos de consumidores, argumentando que este está acima do movimento salarial dos últimos 12 meses, e aplausos da Indústria Farmacêutica, já que o mesmo deve aliviar a pressão sobre as margens do setor, que viram seus custos de produção dispararem junto com a moeda americana e seu forte movimento de valorização dos últimos meses. Este é um setor que ainda sofre com a dependência de insumos importados (80% da matéria-prima utilizada), e que poderá sofrer ainda mais, caso o câmbio se estabilize nos atuais patamares.

    Pouco mais de um mês após o anúncio da aquisição, por US$ 68 bilhões, da Wyeth pela Pfizer, mais duas mega fusões movimentaram o setor farmacêutico em março, mostrando que este está em forte movimento de consolidação.
    Os conselhos de administração da Merck e Schering-Plough anunciaram no dia 09/03, um acordo de U$ 41,1 bilhões para a fusão de ambas. A nova empresa, que se chamará Merck, anunciou uma expectativa de receitas para 2009, em uma margem de US$ 23,7 bilhões a US$ 24,2 bilhões. Três dias depois, no dia 12/03, a Roche anunciou a compra da Genentech por US$ 46,8 bilhões, adquirindo os 44% do laboratório americano de biotecnologia que ainda não possuía, fusão que deve criar a sétima maior companhia farmacêutica dos EUA em termos de participação de mercado, com uma receita anual de cerca de US$ 17 bilhões.
    Este movimento de consolidação do setor farmacêutico está apoiado em 5 objetivos, por parte das empresas, que são o: (i) fortalecimento da presença em mercados de grande potencial, como os países emergentes, hoje, cruciais para o setor; (ii) fortalecer a área de Pesquisa e Desenvolvimento, em um momento em que os grandes conglomerados estão enfrentando grandes dificuldades quanto ao vencimento de patentes, e a necessidade de se encontrar substitutos com potencial de mercado; (iii) o cenário atual, criou um ambiente propício para as aquisições, já que as empresas atingiram um baixo valor de mercado, com suas ações em queda, porém, estas mesmas, estão com o caixa fortalecido pelo ótimo desempenho do setor nos últimos anos, podendo viabilizar estas compras; (iv) a necessidade de fortalecer ainda mais suas posições de longo prazo, para enfrentar este momento de incerteza; além da, (v) possibilidade de redução de custos, com os ganhos de escala.

    A companhia farmacêutica americana Pfizer anunciou a aquisição da concorrente Wyeth, também americana, em um negócio de US$ 68 bilhões, o maior no setor desde 2000, quando a Glaxo Wellcome comprou a Smithkline Beecham por U$ 76 bilhões. Os conselhos de administração das duas empresas aprovaram o acordo; faltam os acionistas da Wyeth se manifestarem além dos orgãos reguladores antitruste.
    A Pfizer, fabricante de campeões de venda como Viagra e Lipitor, vinha sendo pressionada por Wall Street para adotar medidas agressivas, já que a empresas sofrerá um rombo em suas receitas quando a proteção da patente do medicamento de combate a colesterol Lipitor – o remédio mais vendido do mundo – expirar, em novembro de 2011.
    Com a compra, a Pfizer pretende aumentar suas receitas em 50%, passando de uma empresa puramente farmacêutica numa gigante do setor de saúde, aumentando o portfólio de produtos, tornando-se menos dependente de drogas individuais. Além da compra, a companhia anunciou uma série de medidas para reduzir custos, incluindo o fechamento de cinco fábricas, que passarão de 46 para 41, e um corte de oito mil postos de trabalho – atualmente, a empresa tem 81,9 mil empregados.


    Na semana passada, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), através do Laboratório Farmaguinhos, conseguiu desenvolver o genérico anti-retroviral Efavirenz – o medicamento importado mais utilizado no programa brasileiro de Aids – cuja quebra de patente foi realizada em maio de 2007.
    O remédio é feito em conjunto com três laboratórios nacionais: Cristália, Nortec e Globequímica. Estas empresas ficaram encarregadas de produzir a matéria-prima e a Fiocruz, o produto final. O genérico do Efavirenz obedece aos princípios de bioequivalência e biodisponibilidade, ou seja, tem o mesmo efeito no organismo que remédio produzido pela marca original.
    Este medicamento faz parte dos 17 que compõem o coquetel – as drogas associadas inibem a reprodução do HIV no sangue. No Brasil, existem 200 mil portadores de HIV, sendo que 77 mil dependem do uso desse medicamente, cujos gastos foram de R$ 90 milhões, de acordo com o Ministério da Saúde em 2007. Contudo, este valor corresponde aos medicamentos adquiridos do Laboratório Merck ao custo de US$ 1,56 a unidade, antes da quebra de patente. A partir de então, o governo passou a comprar o medicamento da Índia, gerando uma economia de gastos da ordem de R$ 25 milhões anuais.
    O registro foi feito na Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), com prazo de 90 dias para sua análise e posterior aprovação para licença de produção. Como é de interesse público, o processo terá prioridade na avaliação. Mediante ao resultado da agência, espera-se que assim que terminarem os estoques do Efavirenz previstos para meados de 2009, a Fiocruz passará a atender a demanda nacional com produto fabricado no país. Sendo assim, dos 17 medicamentos que compõem o coquetel, o Brasil terá o controle sobre oito deles, e quanto aos demais, continuarão a serem importados.