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AutorLafis
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Ano2026
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Categoria
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Analista ResponsávelMarcel Carneiro
O setor de autopeças brasileiro fechou 2025 com
déficit comercial de US$ 15 bilhões, alta de 14,5% sobre 2024, resultado do
descompasso entre importações (US$ 23,5 bilhões, +12,1%, maior patamar
pós-pandemia) e exportações (US$ 8,5 bilhões, melhor marca desde 2013). A China
consolidou-se como principal fornecedora, com 19% de participação e compras de
US$ 4,45 bilhões, impulsionada pela chegada de veículos chineses e pelo início
da montagem local de GWM e BYD — movimento que o Sindipeças tenta conter ao se opor
à prorrogação da alíquota zero para kits CKD/SKD.
Os primeiros meses de 2026 mostram um quadro mais
complexo do que o previsto: o Sindipeças chegou a projetar déficit de US$ 16,8
bilhões para o ano, revisado depois para US$ 18,4 bilhões. Na prática, houve
desaceleração geral do comércio em janeiro, mas o primeiro trimestre revelou o
dado mais preocupante — a fatia chinesa nas importações saltou para 23,1%, com
alta de 43,5% nas compras de abril, enquanto as exportações caíam com força
para EUA (sobretaxa de 50%) e Argentina (instabilidade política).
Como a indústria automotiva é o principal cliente do
setor, a perda de espaço para peças importadas pressiona diretamente margens,
ocupação de capacidade e investimento nas fundições brasileiras.
O desafio de 2026, portanto, não é mais apenas o
volume total de importações, mas sua composição: a presença chinesa cresce de
forma estrutural mesmo em meses de retração geral do comércio exterior,
sinalizando uma mudança permanente — e não conjuntural — na cadeia de
fornecimento automotiva brasileira.
Analista Responsável Marcel Tau
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