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    Em uma votação relâmpago, concluída em menos de oito minutos e sem constar da pauta original, a Comissão de Infraestrutura do Senado deu aval a um projeto de lei recheado de "jabutis" que podem gerar custos bilionários adicionais para os consumidores de energia elétrica.

    O PL 5.017/2019 tinha como objetivo inicial conceder descontos especiais nas tarifas de eletricidade voltados a atividades de irrigação e aquicultura, além de poços semiartesianos destinados ao abastecimento humano de água.

    Contudo, o conteúdo original foi completamente descaracterizado, e a aprovação ocorreu nesta terça-feira (14) sem qualquer discussão no colegiado — a sessão chegou a ser paralisada em razão de um apagão e, ao ser retomada, contou com um plenário praticamente esvaziado.

    Nomeado relator do projeto poucas horas antes da votação, o senador Hermes Klann (PL-SC) inseriu dispositivos que obrigam a contratação de 2.500 MW em termelétricas movidas a gás natural e de 4.900 MW em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), além de promover mudanças nos mecanismos de custeio do setor elétrico.

    Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, criticou tanto o mérito, quanto a forma da aprovação: "Tão preocupante quanto o conteúdo foi o procedimento adotado, com a substituição da relatoria, a apresentação de um novo relatório com dezenas de páginas e a aprovação simbólica na mesma sessão do mesmo dia". Ele completou que esse tipo de condução "torna humanamente impossível a análise técnica do texto pelos parlamentares, pelos órgãos governamentais e pela sociedade".

    A matéria ainda não tem caráter conclusivo e precisará passar pelo plenário do Senado antes de seguir adiante. Vale lembrar que Klann atua como suplente do senador Jorge Seif (PL-SC), atualmente licenciado do cargo.

    Representantes do setor elétrico seguem realizando simulações, mas já preveem um impacto financeiro na casa das dezenas de bilhões de reais, tendo em vista que os contratos em questão teriam vigência de 30 anos.

    Analista Responsável Marcel Tau