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    A pirataria e o comércio ilegais retiram, anualmente, cerca de R$ 179,2 bilhões do varejo formal, valor equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB brasileiro, conforme levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os impactos desse mercado ilícito recaem diretamente sobre as empresas do setor formal. A concorrência desleal reduz receitas, comprime as margens de lucro, limita a capacidade de investimento e compromete a geração de empregos formais, afetando a competitividade das empresas que atuam em conformidade com a legislação

    Os efeitos também são expressivos para a sociedade. Sob o aspecto fiscal, a CNC estima que a evasão tributária provocada pela pirataria e pelo comércio ilegal alcance aproximadamente R$ 74,8 bilhões por ano, recursos que deixam de ingressar nos cofres públicos, e, que poderiam ser destinados a áreas estratégicas, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e políticas de desenvolvimento econômico.

    Além disso, a comercialização de produtos sem fiscalização adequada amplia os riscos à saúde e à segurança dos consumidores, uma vez que a grande maioria desses bens não são submetidos ao controle de órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

    Segundo a entidade, a expansão da pirataria e do comércio ilegal não está associada apenas à atuação do crime organizado ou às deficiências na fiscalização. O avanço dessas atividades também reflete fatores estruturais da economia brasileira, como a elevada carga tributária incidente sobre diversos produtos, a baixa competitividade de parte do setor formal e fragilidades institucionais relacionadas à fiscalização e à aplicação de penalidades. Em conjunto, esses fatores favorecem a expansão do mercado informal, comprometem a concorrência, reduzem a arrecadação tributária e desestimulam investimentos no comércio formal.

    Analista Responsável Jaime William Charles