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  • carnes, empresas do setor carnes, aves, empresas do setor aves, suinos, empresas do setor suinos,  economia, macroeconomia
    Na semana em que o presidente Jair Bolsonaro foi Fórum Econômico Mundial em Davos para apresentar ao mundo seu plano de transformar o Brasil num grande player do comércio internacional, a Arábia Saudita resolveu suspender parte das importações de carne de frango do país. Principal destino do frango brasileiro em 2018, o país árabe foi responsável por 13,7% das compras, seguido por China (13,6%) e Japão (12,05%).

    Entre as razões ainda não totalmente detalhadas, os desdobramentos da operação Carne Fraca no que se refere às regras sanitárias, explicam, em parte, a suspensão. Além disso, desde a deflagração da operação da Polícia Federal em 2017, a Arábia Saudita deixou de habilitar frigoríficos brasileiros no sistema “pre-listing”, onde apenas amostras são inspecionadas e não todas as fábricas. 

    Por outro lado, outra hipótese para explicar o evento não pode ser destacada, a saber, a simpatia do governo brasileiro por seguir Donald Trump e também transferir a embaixada em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Para o mundo árabe, caso isso se confirme, será interpretado como uma agressão a preceitos internacionalmente aceitos; como o Brasil não é os EUA, é sempre bom lembrar que tem muito mais a perder do que os norte-americanos. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, país de religião oficial muçulmana também, foi o quarto importador de frango brasileiro em 2018, responsável por uma receita de US$ 496 milhões.

    A BRF, maior exportadora de carne halal  no mundo, amargou perdas importantes no Ibovespa no momento do anúncio. No entanto, é preciso destacar que das 58 plantas habilitadas a exportar para a Arábia, 25 ainda estão em conformidade para exportar. Resta saber se haverá desdobramentos, seja de outros países ou do mesmo para outros produtos. No que se refere à carne bovina, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes representaram em exportações, em 2018, 14,7% das receitas do setor.

    Especialista do Setor Marcos Henrique. 

    Em decisão recente, o bloco econômico europeu decidiu barrar a importação da carne brasileira, proibindo 20 frigoríficos, entre eles, 12 da maior exportadora de carne de frango do mundo, a BRF. Em nova fase da operação deflagrada pela PF “A Carne é Fraca”, denominada agora de “Trapaça” e que prendeu em 5 de março os ex-presidente e vice-presidente da gigante do setor, mais uma enxurrada de críticas e desconfiança caiu sobre o produto nacional.

    Desta vez, o motivo para bloqueio são as fraudes laboratoriais e os procedimentos para respaldo à certificação sanitária. De modo mais específico, os frigoríficos estão sendo acusados de fraudar laudos que estariam escondendo a presença da bactéria salmonella, grande responsável por diversos problemas de saúde pública no mundo. O bloco europeu, principal comprador de carne de frango do Brasil, afirma em nota que foram “detectadas deficiências no sistema de controle oficial brasileiro".

    Embora o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tenha ameaçado fazer uma reclamação formal junto à OMC, o estrago para o setor já está feito, ao menos na imagem já desgastada desde o início da operação em 2017. Além disso, a restrição deve entrar em vigor em até 15 dias, horizonte de tempo estreito para tentativa de revisão. Nesse sentido, em que pese o importante papel do Brasil na exportação de gêneros primários e alimentícios, as desconfianças quanto às práticas de comércio podem reverter essa vantagem comparativa nos médio e longo prazos, sobretudo num cenário de guerras comerciais globais.

    É preciso, porém, ter celeridade nas investigações, de modo que os problemas sejam resolvidos o quanto antes, minimizando, assim, os efeitos prejudiciais sobre toda cadeia produtiva.

    Especialista do Setor  Marcos Henrique.


    Um longo acordo se arrasta entre os dois blocos no que se refere à entrada da carne brasileira no mercado europeu. Os pecuaristas daquela região, em especial o francês, têm, por um lado, fortalecido o bloqueio ao Brasil. Por outro lado, episódio recente como a operação “A Carne é Fraca”, desencadeada pela PF em 2017, contribuiu para atrasar ainda mais a proposta. 

    Além disso, os russos, principais compradores de carne suína, também frearam as importações brasileiras após encontrarem vestígios de ractopmina (autorizado no Brasil, mas não na Rússia). Sanadas as dúvidas, as negociações foram retomadas, mas o sinal de alerta continua acesso diante da voracidade da concorrência internacional, em especial dos países asiáticos que, por sua vez, possuem custos de produção competitivos.

    Em linhas gerais, o Brasil espera uma proposta maior por parte dos europeus em relação a atual cota de 70 mil toneladas anuais. A UE ofereceu recentemente 99 mil toneladas, o que tem animado alguns pecuaristas, sobretudo no atual cenário de expansão da safra agrícola, fundamental para queda dos custos de produção.

    Especialista do Setor: Marcos Henrique.

    Após quase três meses da suspensão das exportações de carne in natura para os Estados Unidos, uma das consequências da operação carne fraca, operação deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março, o Brasil recebeu nesta segunda-feira uma missão de veterinários dos Estados Unidos com o objetivo de inspecionar frigoríficos de carne bovina em São Paulo de modo a suspender o embargo.

    A suspensão foi anunciada em 23 de junho, após um aumento da rigidez na fiscalização das carnes brasileiras que chegavam aos EUA desde março, pois apontavam inconformidades sanitárias. O percentual de carnes in natura rejeitadas pelo país chegou a 11%, quando a taxa média de rejeição é de 1%. E, embora o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tenha revisado as normas de inspeção em frigoríficos para atender as exigências dos EUA e enviado, no início de julho, uma missão técnica ao país na tentativa de reverter a suspensão, o Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal (Aphis, na sigla em inglês) dos EUA sustenta o embargo até hoje.

    O mercado norte americano tornou-se importante fonte de faturamento das exportações de carne in natura, a média mensal de faturamento de janeiro até maio foi de US$ 9,5 milhões. A suspensão representou uma queda de 54% do faturamento entre maio e junho, um resultado insignificante em julho, e nulo em agosto. Além disso, o mercado norte americano é tido como passaporte para outros mercados, como o europeu, dada à fiscalização rigorosa imposta, que exige altos níveis de cuidados com higiene na produção de alimentos, portanto a perda deste mercado incorre em impactos negativos que vão além do próprio mercado norte americano. 

    A missão norte americana foi solicitada em caráter extraordinário pelo MAPA e representa importante esforço por parte do governo brasileiro em retomar as exportações de carne in natura para os Estados Unidos. Se a missão for bem-sucedida, espera-se que o setor recupere o faturamento perdido com este mercado, e se sustente a trajetória de crescimento apresentada até maio, com um ganho em torno de US$ 13 milhões.

    Especialista do Setor: Beatriz Araújo.


    A operação “Carne Fraca” deflagrada no dia 17/03, que visa combater casos de corrupção nos órgãos fiscalizadores de produção de carnes, acabou assumindo proporções que não eram esperadas pelo setor, inclusive abrindo uma crise no setor devido a expectativa de que as exportações caiam ainda mais nos próximos meses.

    A operação da PF acabou indicando problemas no preparo das carnes, inclusive de um frigorífico, da BRFoods, que tinha como foco a exportação de carne de aves, o que acabou gerando preocupação nos principais compradores de carne bovina, suína e de frango brasileira. Uma parte dos grandes compradores, como Hong Kong e China (os dois maiores importadores da carne bovina brasileira), efetuaram suspensão da compra de carne por tempo indeterminado, já outra parte, como União Européia e Japão, efetuaram suspensões provisórias. Os EUA somente intensificou a fiscalização das cargas importadas do Brasil. Esse movimento de suspensões foi suficiente para preocupar seriamente o setor, pois grandes compradores, como a China, impuseram suspensão por tempo indeterminado. É possível que estes problemas piorem, já que existem frigoríficos que estão sendo investigados pela PF e que podem vir a ser fechados por problemas sanitários. 

    Assim, a crise no setor chega em um momento em que o mesmo desfrutava de confiança dos compradores externos, o que se refletia na quantidade de aberturas de mercados que o setor havia conseguido nos últimos quatro anos (com destaque para a abertura de mercados como EUA, Coréia do Sul e Japão, todos notoriamente conhecidos por serem exigentes compradores, que demanda altos níveis de cuidados com higiene na produção de alimentos), o que deverá ter um impacto ainda não possível de estimar no faturamento, mas que deverá reduzir os ganhos do setor para os próximos 2 anos. 

    Analista Responsável: Ricardo Quirino.


    Nesta semana produtores de carne bovina da Bahia conseguiram a autorização para exportar carne para o mercado internacional, só demonstrando o crescimento no que tange a qualidade da produção do setor na região Nordeste. 

    As exportações serão direcionadas para a China (Hong Kong), com um contrato de seis meses renováveis por mais seis meses. A expectativa é de que as exportações sejam ampliadas ainda mais, com diversos frigoríficos adotando as praticas halal, que visam abates de forma especifica para a aprovação de exportações para países do Oriente Médio. 

    Assim, o acesso ao mercado chinês deverá ser o primeiro de vários outros que deverão impulsionar o mercado de carnes Nordestino, ampliando os ganhos de faturamento do setor. 

    Analista Responsável: Ricardo Quirino


    Segundo estudo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a cadeia produtiva de carnes atingiu R$ 483,5 bilhões em 2015, um crescimento expressivo de 27% em comparação a 2014, e 44% em comparação a 2010, com todos os integrantes da cadeia apresentando crescimento.

    O resultado representa, R$ 147,03 bilhões referente as atividades anteriores e nas próprias fazendas; R$ 145,88 bilhões das indústrias; e R$ 176,36 bilhões no varejo. 

    A pecuária brasileira se fortaleceu consideravelmente nos últimos anos, especialmente devido ao fortalecimento do consumo interno e da abertura de novos mercados externos. A expectativa é de que esse número fique ainda maior, tendo em vista a recuperação econômica em curso no mercado interno e a perspectiva de que novos mercados, especialmente mercados maduros (EUA e Europa), abram ainda mais os mercados para receber as carnes brasileiras. 

    Em termos de faturamento, o mesmo deve crescer de forma consistente, especialmente após 2017, com a consolidação da abertura de alguns mercados e a gradual recuperação da economia brasileira.

    Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino


    O mercado Norte-Americano, um dos maiores  mercados e de mais difícil penetração no planeta, especialmente em mercados agrícolas, voltará a importar carne bovina in natura brasileira.  As tratativas para a reabertura do mercado Norte-Americano para a entrada de carne bovina in natura brasileira estão em andamento desde 1999, época do fechamento do mesmo devido a problemas com a febre aftosa no Brasil. 

    A abertura só mostra o momento favorável para exportação da indústria brasileira de carnes, considerado o melhor da história em termos de abertura comercial. Desde a abertura comercial efetuada nos anos 90, nunca o setor de carnes teve tanta abertura em mercados internacionais como hoje, incluindo mercados mais exigentes como o de países do Oriente Médio e agora os Estados Unidos. Também, é esperada a expansão para mercados asiáticos e maiores investidas para ampliar as exportações para Europa.

    Assim, é esperado que o faturamento do setor seja ampliado e seja auferido ganho significativo com essa abertura. Só em termos de receita de balança comercial é esperado aumento de US$ 900 milhões. 

    Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino


    No final da semana passada (24/06) o Reino Unido decidiu, por meio do referendo Brexit, se desligar da Zona do Euro, após 43 anos como integrante do bloco. Apesar dos fortes temores gerados com essa medida, principalmente no âmbito comercial, o setor de carnes mostrou-se empolgado com a medida.

    A razão para o otimismo é devido ao fim do PAC (Política Agrícola Comum) que o bloco impunha para todos os seus membros, o que deverá reduzir a quantidade de subsídios que os produtores recebiam, permitindo uma competitividade maior dos produtos de carne brasileira em terreno britânico. Outro ponto relevante é o perfil do consumo britânico de carnes, que com o encarecimento das importações diretamente da Zona do Euro, dado o fim da integração, deverá abrir espaço para a entrada da carne brasileira, que é mais competitiva e barata. O potencial do mercado é enorme, já que 79% dos alimentos processados consumidos no Reino Unido são à base de carne, que era majoritariamente importada da Zona do Euro. 

    Assim, apesar da instabilidade e medo que a medida trouxe para os mercados, o setor de carnes está muito otimista com relação aos impactos desta medida no médio prazo, que deverá fortalecer ainda mais as exportações brasileiras de carnes, aumentando os ganhos do faturamento do setor.

    Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino


    O Governo Norte-Americano confirmou o que era aguardado, ansiosamente, pelo setor de carne bovina desde o ano de 2013: A liberação da entrada de carne bovina brasileira no mercado Norte-Americano.  O mercado se encontrava fechado para a entrada de carne bovina brasileira desde o ano de 2000, dado uma suspeita de febre aftosa. 

    O tipo de carne que será exportado é o in natura (Não congelado e não processado), que não é voltado para a venda direta para o varejo, mas sim, carne que é diretamente voltada para a fabricação de hambúrgueres e derivados nos Estados Unidos. A carne in natura brasileira que poderia ser vendida diretamente ao consumidor norte-americano  ainda é considerada como de baixa qualidade pelas autoridades do país. As exportações deverão começar a ocorrer em setembro de 2015.

    Assim, o Brasil acessa um dos mercados mais rentáveis e consumistas de carne bovina do mundo. No total, 14 estados do país estão habilitados à exportar para os EUA. A expectativa, de especialistas e estudos, é que  os embarques de carne bovina para os Estados Unidos recebam um acréscimo acima de 15 mil toneladas por ano.  Hoje o Brasil exporta quase 22 mil toneladas, fazendo com que as exportações quase que dobrem devido a esta  abertura. Assim, o impacto dessa medida é expressivo, impactando (positivamente) o faturamento do setor.

    Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino



    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que o serviço sanitário da Rússia abriu as portas para mais de  100 frigoríficos brasileiros exportarem carnes bovina, suína e de aves, além de miúdos desses animais para o país europeu, e ainda para a Bielorússia e o Cazaquistão, que fazem parte da União Aduaneira Russa. Receberam autorização, ainda, dois estabelecimentos de produtos lácteos. As liberações ocorreram no dia 06/08.

    Essa abertura aos produtos brasileiros é parte de um processo de retaliação à países da Zona do Euro, Estados Unidos, Austrália, Canadá e Noruega, tendo em vista as medidas adotadas por estes mesmos países com relação a Rússia no começo dos conflitos políticos entre a Rússia e a Ucrânia.

     Os ganhos serão muito grandes para os setores de carnes e laticínios, especialmente para carnes, que ampliarão o acesso a um dos maiores mercados consumidores de carnes do planeta, especialmente de carne suína e bovina. O impacto no faturamento de carnes será positivo para 2014, mas será ainda mais positivo em 2015. Para laticínios, inicialmente o impacto não será tão grande como em carnes, mas existe a possibilidade do governo russo liberar, ao longo de 2014 e 2015, mais empresas de laticínios brasileiras para exportarem para o país.  
     
    Analista do Setor de Carnes e Laticínios: Ricardo Quirino Theodoro

    O ministro da Agricultura, Neri Geller, anunciou quinta-feira (17) que o governo chinês concordou em retirar o embargo à carne bovina brasileira. O embargo estava vigente desde 2012.
     
    As vendas haviam sido suspensas em função da suspeita, naquele ano, de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a doença da vaca louca, em um animal morto em 2010 em Sertanópolis (PR). Mais tarde, no mesmo ano, foi confirmado que o caso era apenas atípico e que não houve contaminação para outros animais.
     
    Com a volta das exportações de carne bovina para a China o Brasil retorna a um dos maiores mercados consumidores de carnes no mundo, o que deve impactar positivamente o faturamento do setor e a balança comercial do país. Estima-se que as vendas externas para a China podem chegar a 18% do total de carne bovina exportado anualmente pelo Brasil com a abertura. A expectativa é vender de US$ 800 milhões a US$ 1,2 bilhão para os chineses em 2015.


    Na semana do dia 24 de abril, a JBS e o Ministério da Agricultura (MAPA) confirmaram a ocorrência de um caso da doença da "vaca louca", esta pode levar o animal a morte e trazer malefícios à pessoa que consumir a carne infectada.

    Apesar do MAPA afirmar que o caso era atípico e o animal nem chegou a morrer da doença, houveram os primeiros impactos deste caso, os embargos de outros países às importações de carne bovina brasileira. O primeiro a decretar o embargo foi o Peru, no dia 08 de maio, seguido por Egito, Irã e Argélia na semana de 12 de maio. A priori, os embargos serão temporários, até que as investigações indiquem a extensão do problema. No entanto, existe o risco desta se arrastar por mais tempo, tendo em vista um caso semelhante, em 2012, no qual a China embargou as importações de carne bovina brasileira, e assim permanece até hoje.

    Apesar dos embargos anunciados e o potencial de manutenção dos mesmos, o impacto nas exportações de carne brasileira não devem ser grandes, já que somente as exportações oriundas do Mato Grosso foram embargadas e existem fortes indícios de que o animal infectado não chegou a transmitir a doença para os outros animais.    


    A Minerva Foods, que compõe o grupo das principais produtoras de carne in natura da América do Sul, anunciou a aquisição de duas unidades de abate de bovinos da BRF em Mato Grosso. O negócio incluirá a transferência de 15,2% das ações da Minerva para a BRF, cujo foco é alimento processado, carne de frango e suínos.

    Segundo divulgação da Exame, com o negócio, a Minerva, que atualmente é 3ª em produção de carne bovina no Brasil e segunda na exportação do produto do país, deverá agregar um faturamento líquido anual de pelo menos R$ 1,2 bilhão (total faturado pela unidade de bovinos da BRF em 2012). Cabe acrescentar que esse faturamento representa o equivalente a 27,4% das receitas totais da Minerva no ano.

    De acordo com executivos da Minerva, com a operação, a empresa concluíra o ciclo de fusões e aquisições no Brasil; com isso, a empresa deverá focar sua estratégia no mercado externo. Por outro lado, a BRF diz ter "ajustado" seu modelo de atuação no mercado de bovinos, ao "desverticalizar" a cadeia, atribuindo a gestão do segmento a uma empresa especializada.


    Começou ontem, e estará em  vigor por 60 dias, um novo embargo temporário da Rússia para a carne brasileira. O embargo se estende a 9 unidades de carne bovina (6 plantas da JBS, 2 da Minerva e 1 da Marfrig) e 1 de carne suína (Frigorífico Pamplona). 

    A nova restrição temporária feita pelo Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) se deve à presença de Ractopamina na carne brasileira. A Ractopamina é uma substância usada para estimular o crescimento e engorda de bovinos e suínos e seu uso tem sido crescentemente questionado por importantes mercados de exportação, como União Europeia, Rússia e China, devido aos efeitos questionáveis do consumo da substância sobre a saúde humana no longo prazo.

    Apesar das empresas poderem manter o fornecimento à Rússia por meio de outras plantas, é evidente que tais embargos tendem a prejudicar a imagem do produto brasileiro no mercado externo. Como no Brasil, assim como nos Estados Unidos, é permitida a mistura de Ractopamina nas rações de bovinos e suínos (dentro de limites pré-estabelecidos), não são raras as inspeções e embargos à carne brasileira. Para agravar, a Rússia é o maior mercado de exportação de carne bovina (cerca de 24% do volume exportado), além de responder por mais de 40% das exportações do setor suinícola, o que denota a importância de se atender tais restrições sanitárias.

    A Marfrig confirmou a venda da marca Seara para a JBS. O valor da transação, que envolve também a venda da Zenda (negócios de couro no Uruguai), alcança R$ 5,8 bilhões, que será pago por meio da assunção de dívidas da Marfrig pela JBS. Com o negócio, a Marfrig perde 30% do tamanho, mas, em contrapartida, consegue dinheiro para reduzir em mais de 60% sua dívida líquida, que, em março, era de R$ 9,95 bilhões, segundo publicação de O Estado de S. Paulo.

    A Seara foi adquirida pela Marfrig em 2010, entre as 40 aquisições feitas pelo grupo nos últimos cinco anos, com ajuda do BNDES, o que impulsionou o endividamento da empresa, que não conseguiu recuperar níveis saudáveis. Atualmente, a Seara é a segunda maior produtora de carne de aves e suínas no Brasil, atrás da líder BRF, com presença também na área de alimentos processados, como pizzas e lasanhas. 

    Com a aquisição, a JBS ganhará espaço no segmento de aves e suínos, que representa cerca de 40% das proteínas consumidas no país. O grupo é o maior produtor global de carne bovina, mas ainda tem presença tímida na área de frangos no país (embora lidere a produção de frangos no exterior). Atualmente, o JBS atua no segmento local por meio das unidades do Doux Frangosul, o qual arrendou em 2012.

    Apesar da aquisição ser importante para a diversificação de mercados, estratégica para a JBS, após a aquisição as principais agências de risco (Moody's, Standard & Poor's e Fitch) colocaram o rating da JBS em perspectiva negativa pelo aumento significativo que a compra da Seara causou no nível de alavancagem da empresa.

    Em 2009, na negociação que originou a maior empresa de processamento de carnes do mundo, a JBS anunciou a incorporação da Bertin; na época, a Bertin figurava como a segunda maior empresa de carne bovina do Brasil, atrás da própria JBS. Ao mesmo tempo foi anunciada a aquisição da Pilgrim's, a segunda maior produtora de carne de frango dos EUA.

    Mais de 3 anos depois, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a incorporação da Bertin, além da aquisição de 11 frigoríficos em operações menores realizadas pela JBS. Apesar de não ter exigido a venda de unidades de abate, como chegou a ser cogitado, o conselho exigiu monitoramento das condições de mercado, em relação a qualquer movimentação de ativos ao longo dos próximos 30 meses e cobrou uma multa milionária (R$ 7,4 milhões) pela não notificação de novas operações de arrendamento no decorrer do processo. O acordo firmado com o CADE prevê que a empresa não recorra desta multa.

    Segundo o CADE, a participação nacional do JBS no abate total é inferior a 25%, o que levou à autorização da operação. A concentração é a mais intensa no estado do Mato Grosso, onde a participação da JBS chega a 50%. O CADE também considerou que a relação entre os preços do boi pagos ao pecuarista e os valores da carne in natura praticados pelos frigoríficos, nas circunstâncias atuais, faz com que o setor opere com margens de lucro pequenas, o que impossibilita que a concentração de frigoríficos da JBS acarrete aumentos de preços ao consumidor ou extração de renda dos pecuaristas.


    A Coopercentral Aurora, terceira maior processadora de aves e suínos do país, anunciou ampliação dos investimentos a serem direcionados ao frigorífico de suínos de Joaçaba, no oeste de Santa Catarina. Em fevereiro de 2012, a empresa havia anunciado desembolso de R$ 40 milhões para duplicar a capacidade de produção do frigorífico; um ano depois, a empresa pretende triplicar a capacidade da unidade, com investimento que deverá chegar a R$ 61,5 milhões, montante cerca de 54% superior ao planejamento inicial. Segundo comunicado da empresa, a unidade voltará a operar a partir de janeiro de 2014 e deverá ser a principal responsável por  atender a demanda por exportações de carne suína.

    A Aurora tem direcionado esforços para ampliar a sua produção no estado: recentemente, a empresa anunciou investimentos também em torno de R$ 60 milhões para a retomada da operação da unidade de abate e processamento de aves, localizada em Xaxim (SC). A indústria, pertencente à  massa falida da Chapecó, foi arrendada pela Aurora nos últimos dias de 2012.


    A união entre Camil Alimentos, Cosan e a Gávea Investimentos poderá dar origem a uma gigante do mercado de alimentos. A nova empresa deverá ser composta por 30% de participação da Gávea Investimentos, 12% da Cosan e o restante ficará com a Camil. Pela associação, a Cosan deverá receber algo entre R$ 300 e R$ 400 milhões. O valor de mercado da nova companhia está previsto para ser algo próximo a R$ 3 bilhões.

    A associação entre as duas empresas (mais um fundo de investimento) reunirá, sob a tutela de uma única empresa, marcas de peso nos mercados de arroz, pescados e açúcar onde, Camil e Cosan, respectivamente, possuem grande fatia do mercado. Ademais, os ganhos previstos inicialmente com a sinergia das operações (principalmente com fretes, marketing e créditos fiscais) aproximam-se de R$ 50 milhões por ano.

    A inclusão de grande contingente populacional no ambiente urbano, principalmente em regiões da Ásia, África e América Latina, tende a aumentar consideravelmente a demanda mundial por alimentos. O Brasil é um importante player na produção agrícola e pode aproveitar desse aquecimento na procura por alimentos. A criação de gigantes neste nicho, pode reforçar a posição brasileira no mercado internacional.


    A empresa de genética avícola Cobb-Vantres, controlada pela empresa norte americana Tyson Foods, irá investir R$ 35 milhões na construção de sua 11ª unidade no Brasil, desta vez uma granja de avós em Itapagipe (MG). A companhia possui 75% do mercado de matrizes de frangos e se prepara para ampliar sua presença nas exportações.

    A escolha pelo município de Itapagipe se deu em função das condições sanitárias que a região possui, além da disponibilidade de mão de obra. A perspectiva é que a unidade mineira, quando concluída, seja responsável pelo alojamento de 3,5 milhões de aves, o que representará 8% do total de matrizes alojadas no país. A planta deverá estar concluída em 18 meses.

    O crescimento do consumo nacional de proteína animal, principalmente de frango, impulsionou a empresa a realizar tal investimento. A companhia espera também incrementar suas exportações de matrizes, difundindo a genética no Brasil para distribuir para a América do Sul. O investimento é importante para que o Brasil possa se tornar um pólo exportador de matrizes, ocupando um lugar estratégico na cadeia internacional de aves.


    A Coopercentral Aurora investirá R$ 65 milhões para reabrir e dobrar a capacidade de abate de suínos em sua unidade em Joaçaba (SC), além de também aumentar a capacidade da planta de São Gabriel do Oeste (MS). A planta de Joaçaba encontrava-se fechada desde a crise financeira de 2009 e deverá voltar a funcionar em dezembro deste ano, impulsionada pelas boas perspectivas para a carne suína no mercado externo.

    A unidade de Santa Catarina, que antes trabalhava com abate de 1100 cabeças por dia, passará a operar com 2200 e terá a produção totalmente voltada para o mercado externo. O projeto de retomada em Joaçaba contará com a cooperação do governo catarinense. Já na unidade do Mato Grosso do Sul, o investimento na ampliação da capacidade pretende aproveitar da maior disponibilidade de grãos na região, que impacta na redução dos custos de produção de suínos. A unidade também dobrará a capacidade de abate atingindo 2000 cabeças por dia e a produção desta será destinada ao mercado interno.

    O investimento da Aurora tem por objetivo aproveitar o bom momento vivido pelo setor de carne suína, com a ampliação de vendas para a China e a abertura do mercado dos Estados Unidos. O crescimento do consumo no mercado interno também impulsionou o investimento na expansão. A cadeia produtiva de carnes tem sofrido com a alta dos custos de produção e é uma tendência crescente no setor a mudança das indústrias para o centro oeste, onde se produz o suíno mais competitivo.


    Pelo montante de R$ 3 milhões, a JBS adquiriu dois frigoríficos de pequeno porte na região Norte do país. Uma das unidades fica localizada na cidade de Ariquemes em Rondônia e a outra fica em Rio Branco, no Acre. A companhia já recebeu a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

    A capacidade conjunta de abate dos dois frigoríficos é de 900 cabeças por dia. A capacidade total da empresa tem aumentado bastante em 2012, visto que, juntando essas duas aquisições, a empresa já realizou sete negociações entre arrendamento e compra de frigoríficos esse ano. 

    Além das aquisições já realizadas, a JBS ainda tem se mostrado interessada em adquirir os ativos da francesa Doux, no Rio Grande do Sul. O número de negociações envolvendo a companhia mostra o grande apetite que a JBS tem demonstrado por crescer no mercado interno, visto que o país tem aumentado seu consumo de carnes, além de se posicionar como um grande exportador.


    A Rodopa Alimentos, empresa focada no pequeno e médio varejo além do segmento de food-service, pretende investir cerca de R$ 70 milhões durante o ano de 2012 visando aumentar a capacidade de abate de bovinos. Neste planejamento está inclusa a aquisição de dois frigoríficos, o que dobraria a capacidade de abate da empresa, chegando a 6 mil cabeças por dia.

    A empresa, um dos maiores fornecedores do pequeno e médio varejo, possui frigoríficos no interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás e uma unidade de food-service em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo. Com os aportes pretendidos para 2012, a empresa prevê a elevação do faturamento bruto da empresa para R$ 1,3 bilhões.

    A estratégia da empresa em direcionar seus maiores esforços para os segmentos em que atua parece correta dada a concorrência ferrenha entre as três gigantes do setor no grande varejo: JBS, Marfrig e Minerva. A maior consolidação da Rodopa Alimentos nos segmentos supracitados e a busca pelo mercado externo, no médio prazo, podem figurar como importantes estímulos para que novos investimentos se materializem no longo prazo.


    As cooperativas Castrolanda, Batavo e Capal se uniram para implementação de um frigorífico dedicado a suínos em Campos Gerais, no estado do Paraná. O investimento para o projeto está estimado em R$ 100 milhões. Na primeira fase, a capacidade da planta deverá ser de 2,3 mil abates por dia e, posteriormente, esse número deverá dobrar. A expectativa é que a inauguração ocorra no segundo semestre de 2013.

    Alguns detalhes ainda estão sendo acertados pelas empresas, dentre eles estão se trabalharão com marca própria ou se prestarão serviços para terceiros.  As três cooperativas já atuam na área mas por não possuírem frigorífico próprio, trabalham com o fornecimento do animal vivo. Além disso, elas já haviam formado parcerias anteriormente mas esse é o maior projeto em que já se envolveram. A intenção é dedicar a produção para o mercado externo e interno.

    A intenção da parceria é trabalhar com a industrialização de produtos visando o crescimento e a melhor remuneração ao produtor. Ao trabalhar somente com o produto bruto, os associados ficam a mercê da volatilidade das cotações do mercado, além de sofrer mais com o aumento dos insumos básicos para a alimentação do animais. Além disso, a parceria pode estar ainda visando as recentes oportunidades que estão se abrindo para o mercado de suínos, com a abertura das exportações para China e Estados Unidos, além do aumento do consumo no mercado interno.


    A Marfrig decidiu integrar em uma única divisão (Seara Foods) as operações de aves, suínos e processados de três empresas do grupo (Seara, Moy Park e Keystone Foods) na busca por ganhos de sinergia que podem atingir o montante aproximado de    R$ 330 milhões anuais no prazo de cinco anos.

    O agrupamento destas três empresas não eliminará as mesmas do mercado; pelo contrário, cada empresa continuará existindo e operando com suas próprias identidades - excluindo a possibilidade de haver uma fusão. A intenção é que a condução da empresa se dê através de comitês colaborativos que busquem consolidar a sinergia esperada desta junção.

    O movimento da Marfrig pode ser encarado como mais um passo da empresa em busca da reestruturação dos seus negócios, iniciada em 2011. Essa busca por sinergia visa, principalmente, reduzir custos e gerar caixa e foi bem recebida no mercado financeiro uma vez que as ações da empresa fecharam o pregão de 27 de fevereiro com alta de 7,2%, dia que o Índice Bovespa encerrou em queda de 1,1%.


    A Brasil Foods (BRF) concretizou uma joint venture com a empresa chinesa Dah Chong Hong (DCH), com o intuito de estabelecer sua marca Sadia na China, ter acesso à distribuição no mercado chinês e processamento local, além de ter acesso aos canais de varejo e food service. As operações englobam os mercado da China Continental, Hong Kong e Macau. O ínicio das negociações para a formação da parceria foi anunciado em maio de 2011.

    Na nova empresa, a participação de ambas será de 50%. A companhia brasileira ficará responsável pela produção, suporte técnico e marketing dos produtos. Já a DCH se concentrará na cadeia de suprimentos, distribuição, processamento e embalagem. A BRF espera que a joint venture movimente um volume acima de 140 mil toneladas representando um montante de US$ 450 milhões no primeiro ano. A companhia prevê ainda que as operações possam começar entre 2012 e 2013.

    A parceria criada entre as duas companhias fortalece a relação comercial entre os dois países e visa o enorme potencial consumidor da China para o mercado de carnes. O anúncio vem em um momento que a expectativa para o aumento de importações de carne brasileira pela China é imenso. Essa inserção de produtos brasileiros no mercado chinês tende a acelerar a relação de confiança entre os países, impactando mais ainda nas expectativas para o aumento dos embarques.


    O serviço de inspeção e segurança alimentar dos Estados Unidos (FSIS na sigla em inglês) autorizou a habilitação de frigoríficos de Santa Catarina para a exportação de carne suína in natura. O estado brasileiro é o único a ter sido liberado, até o momento, pelo fato de ser livre de aftosa sem vacinação e isto abre boas perspectivas para a suinocultura brasileira.

    As perspectivas do setor para 2012 poderão ser beneficiadas não apenas pelo aumento das importações norte-americanas mas sim pela possibilidade mais concreta de abertura de novos mercados ao redor do mundo. Países como Japão e Coréia do Sul, onde as negociações se arrastam a algum tempo, podem abrir seus mercados à carne brasileira -  em um mercado estimado em US$ 7 bilhões. Além destes, o México, grande consumidor do produto, surge como nova possibilidade.

    O setor de carnes suínas viveu o ano de 2011 cercado de incertezas principalmente após o embargo russo. A notícia positiva norte americana, além de abrir novas possibilidades no mercado, atesta o produto brasileiro perante os russos em eventuais negociações para o fim do embargo. A continuar assim, o ano de 2012 pode ser de grandes conquistar para o setor como um todo.


    A BRFoods informou a compra do laticínio Heloísa Indústria e Comércio de Produtos Lácteos, localizado em Terenos, no Mato Grosso do Sul. O negócio foi fechado pelo montante de R$ 122,5 milhões, que abrange a aquisição de 100% do controle e a dívida da companhia. O Laticínio é direcionado para a produção de queijos, e tem capacidade de produzir 600 mil litros de leite por dia. A companhia pertencia ao grupo Vencedor, fundado pelo empresário Rodolfo Nagai, que possui outros cinco laticínios.

    As outras linhas de produtos lácteos, além do queijo, que serão produzidos no local, ainda não estão funcionando. A unidade começou a ser construída em julho de 2010 e deverá ser inaugurada até o final deste ano.

    Desde a aprovação da fusão entre Sadia e Perdigão pelo Cade - que deu origem a Brasil Foods - que a companhia tem se mostrado interessada em crescer ainda mais, inclusive no setor de lácteos, onde a empresa pretende agregar valor, já que no setor de carnes a mesma já esta consolidada.

    O setor de laticínios vem enfrentando uma crise com importações demasiadas, o que desestimula a produção nacional. A demonstração de interesse por grandes companhias no setor impulsiona a tendência já existente da concentração em grandes grupos.


    O Frigorífico Minerva anunciou a compra da totalidade de ações do Frigorífico Pul, do Uruguai, por US$ 65 milhões, transação que marca a sua entrada no mercado uruguaio. Nesse montante, estão inclusos investimentos em modernização e expansão do frigorífico adquirido, o qual passará a ter capacidade de abate em torno de 1.400 cabeças após a expansão prevista. Para efeito comparativo, os outros frigoríficos brasileiros que atuam no país, a JBS e a Marfriq, possuem capacidade para abate de, respectivamente, 1.100 e 3.900 bovinos ao dia; juntos, tais frigoríficos respondem por cerca de 36% dos abates uruguaios.

    O início das atividades do Minerva no Uruguai se configura como um passo crucial do processo de internacionalização da companhia, que atua mais fortemente no mercado internacional através das exportações, e ocorre na esteira da sua estratégia de diversificação geográfica e de participação em novos mercados.

    Segundo a imprensa, cerca de 85% das vendas do frigorífico uruguaio são destinadas ao mercado externo. Aém disso, produz carne bovina orgânica, produto exportado ao mercado europeu e americano. Diante disso, embora sejam considerados os ganhos potenciais no mercado uruguaio, fato determinante para a performance do frigorífico será o desempenho dos mercados de exportação. Assim, com a aquisição, o Frigorífico Minerva terá acesso aos mercados mencionados e poderá ampliar sua participação nas exportações de produtos com maior valor agregado.

     


    A Rússia, principal destino das exportações brasileiras de carne suína, tem como objetivo explícito reduzir a sua dependência com relação à importação de carnes. As medidas adotadas nesse sentido, principalmente as políticas de subsídio aos produtores locais e as barreiras não-tarifárias, prejudicam a competitividade da carne brasileira nesse mercado.

    Diante disso, após diversas sinalizações de melhoria das condições de acesso da carne brasileira à Rússia, em linha com o seu interesse de integrar a OMC e de obter vantagens no fornecimento de trigo e fertilizantes ao Brasil, contraditoriamente, o governo russo anunciou redução das cotas de importação de carne suína brasileira para 2011, cedendo a pressões por parte dos seus produtores, menos competitivos que os brasileiros.

    Essa decisão russa certamente prejudicará as receitas de exportações do segmento, uma vez que as exportações efetuadas acima da cota são sobretaxas. No entanto, esse efeito poderá ser amenizado pela dinâmica do mercado interno, que demonstra perspectivas favoráveis quanto ao consumo de carne suína, beneficiado pelos elevados preços da carne bovina e pelos bons indicadores internos de renda.

    A Martini Meat, empresa especializada em armazenagem e movimentação de cargas frigorificadas, anunciou o início da construção de um novo armazém frigorífico no distrito industrial do Rio Grande (RS) destinando, inicialmente, R$ 40 milhões para a obra. A unidade terá capacidade para estocar 13 mil toneladas de carne bovina, suína, de frango e pescado do próprio Estado e de Santa Catarina a partir do segundo semestre de 2011.

    O frigorífico já possui instalações no Paraná e em Santa Catarina; no entanto, a construção de uma nova unidade no Rio Grande do Sul permitirá que as indústrias gaúchas armazenem sua produção próximo ao porto reduzindo os custos de transporte tanto da indústria à exportação quanto do produtor à indústria, uma vez que a região abriga 13,6% do rebanho bovino nacional, 48,5% do suíno e 46,3% dos frangos alojados no país.

    O investimento ocorre na esteira de boas perspectivas quanto à demanda interna por carnes; a alta dos preços da carne bovina, em função de restrições na oferta de animais para abate, tende a sustentar os preços dos demais tipos de carne. Por outro lado, esse aumento de preços, mesmo que seja repassado para a demanda, poderá não exercer efeito fortemente restritivo sobre o consumo, uma vez que sob melhores condições de renda, o consumo de carne tende a ser mantido em patamares elevados.


    Foi anunciada a formação de uma joint venture entre a maior processadora de carne bovina do mundo e a líder do mercado americano de beef jerky (snack de carne bovina defumada). Segundo a imprensa, a joint venture, formada pela brasileira JBS Friboi e pela americana Jack Link's, deverá operar duas unidades produtoras de beef jerky, ambas localizadas no Estado de São Paulo. Segundo a imprensa, a JBS fornecerá a matéria-prima a preços de mercado para a produção de beef jerky e operará, conjuntamente com a Jack Link's, as duas unidades.

    Um ponto importante do acordo é que, além de ser fornecedora da joint venture, a JBS venderá produtos semi-processados para a Jack Link's reprocessar, embalar e distribuir nos Estados Unidos e outros mercados de destino. A joint venture deverá operar até o fim de 2010, com participação de 50% de cada sócio. Simultaneamente à formação da joint venture, a JBS anunciou que vendeu para a Jack Link's uma unidade de produção de beef jerky situada em Minnesota (EUA); o valor da transação não foi divulgado.

    A negociação permitirá a JBS expandir a sua presença no mercado de beef jerky, especialmente o mercado americano, através da marca forte e da experiência da Jack Link's nesse nicho de mercado, que cresce consideravelmente em função da demanda por produtos mais saudáveis à base de proteína. 


    A Marfrig, companhia especializada em processamento e distribuição de produtos de carne bovina, suína, ovina e avícola in natura, anunciou em 26/03/2010 a aquisição de uma unidade frigorífica de pequeno porte situada na cidade de Veríssimo (MG). A unidade é voltada ao abate de frango caipira da marca Nhô Bento, pertencente ao Grupo Globoaves. A negociação envolveu montante de R$ 9,2 milhões.

    A aquisição permitirá a ampliação do portfólio da empresa, com conseqüente dispersão do risco das suas atividades. Apesar da recuperação alcançada em 2009, com aumento de 47,6% do volume de vendas e de 6,8% da Receita Líquida, ambos em comparação com os resultados de 2008, a Marfrig tem priorizado investimentos na ampliação da sua capacidade produtiva.

    De modo geral, o setor se encontra em processo de concentração, simultaneamente à internacionalização dos principais players, embora atualmente sua dinâmica se encontre no mercado interno. Em coerência com esse fato, a Marfrig, que comprou a Seara no ano passado, pretende focar esforços no aumento da sua participação nos mercados em que atua (Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, EUA e Europa) e nas exportações para os países em que ainda não atua, assim como ampliar sua atuação em produtos de maior valor agregado.


    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio de seu Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), anunciou a proibição da produção e comercialização de carcaças e cortes de aves temperados por injeção, bem como dos marinados, destinados ao mercado interno. De acordo com o Ofício Circular Nº 006/2010, o varejo possui 60 dias para escoamento dos estoques, a partir de então, as sanções pertinentes começarão a ser aplicadas.

    A medida visa evitar fraudes e adulterações através da adição de água além dos limites permitidos por lei (20% para o frango e 25% para o peru), uma vez que, somente no período de 2007 a 2009, dos 28 Regimes Especiais de Fiscalização instaurados pelo ministério, 14 apresentaram irregularidades em produtos temperados.

    Apesar de concordar quanto à importância da suspensão para o fim da concorrência desleal, o setor produtivo está apreensivo em relação ao impacto da medida nos preços do frango "in natura". A carne temperada estocada deverá ser vendida a preços baixos justamente no mês em que as cotações do frango começam a esboçar recuperação (em janeiro e fevereiro apresentam quedas sazonais) em função do período de quaresma, em que muitos consumidores optam pelo consumo de carne branca em detrimento da vermelha. Apesar do receio, a Associação Brasileira de Avicultura alerta que a indústria não trabalha com grandes estoques de carne temperada dada a sua alta pericibilidade, desta forma, os efeitos deverão ser minimizados. Ao mesmo tempo, as perdas ocorridas devido ao excesso de calor neste início de ano deverão se constituir como força propulsora para escalada preços, reduzindo ainda mais o impacto da proibição.  


    A Cooperativa Aurora anunciou a retomada de um investimento no valor de R$ 400 milhões, voltado para a construção de uma unidade de abates de frango em Carazinho (RS). O projeto, anunciado em 2007, havia sido cancelado em 2008 ao eclodir a crise. Contudo, com a recuperação do comércio exterior e o comprometimento do governo gaúcho na concessão de incentivos ao setor avícola no Rio Grande do Sul, a empresa optou pelo retomada do projeto, buscando consolidar sua posição no mercado de frango. Na esteira da conjuntura mais favorável, a Diplomata, empresa avícola com gestão integrada de todos os processos de suprimentos em sua cadeia produtiva, localizada em Cascavel (PR), confirmou que continuará suas obras em Trindade de Sul (RS), através de um aporte de R$ 150 milhões.

    Os investimentos sinalizam a recuperação da atividade avícola no Rio Grande do Sul, que perdeu recentemente a segunda colocação no abate de aves para Santa Catarina. A governadora do Estado, Yeda Crusius, confirmou o apoio ao setor por meio de um projeto que prevê a implantação de uma linha de transmissão de 43 kms entre Salto do Jacuí e Carazinho, sem a qual o investimento não teria sido consolidado, e que exigirá dos cofres públicos, cerca de R$ 16 milhões.


    O Frigorífico Minerva assinou nesta segunda-feira, 04/01/10, uma promessa de compra e venda de uma unidade de abate de bovinos localizada em Campina Verde (MG). A transação envolverá um aporte de R$ 46 milhões, entre aquisição e planos de expansão.

    A incorporação do ativo permitirá um acréscimo de 10% na capacidade total instalada da organização, fortalecendo ainda mais sua presença no segmento de carne bovina, tanto externamente quanto internamente, uma vez que a planta possui aprovações para os dois mercados. Ao mesmo tempo, permitirá que o frigorífico expanda sua atuação em território nacional, uma vez que ainda não possuía operações em Minas Gerais, estado com um dos maiores rebanhos bovinos do país. A estratégia de atuação no mercado interno privilegiará os pequenos e médios varejistas, incluindo o segmento de Food Service, que em 2008 foram responsáveis por cerca de 48% das vendas da organização.

    De modo geral, a sólida posição financeira em que se encontrava o frigorífico no momento que a crise econômica atingiu o setor, permitiu a continuidade dos projetos de expansão da organização, que tomara mercado daqueles que haviam entrado com pedido de recuperação judicial ou que estavam com as atividades paralisadas.


    Após adquirir três empresas gaúchas do setor alimentício, quais sejam, Mu-Mu, Wallerius e Neugebauer, a Vonpar, franqueada da Coca-Cola e distribuidora do portfólio Femsa no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, criou sua Divisão de Alimentos, marcando o início da diversificação dos segmentos de atuação da organização.

    O novo braço da organização já nasce internacionalizado, pois tanto a Wallerius e a Neugebauer têm presença em mais de 30 países. As três unidades produtivas empregarão mais de 1.000 funcionários e totalizarão um faturamento de aproximadamente R$ 300 milhões.

    Tal estratégia de diversificação mostrou-se bem sucedida no caso da PepsiCo., que ingressou no segmento de salgadinhos (Elma Chips e Lucky), achocolatados (Toddy e Toddynho), bebidas esportivas (Gatorade e Propel), pescados (Coqueiro) e água de coco (Trop Coco e Kero Coco). Por usufruírem redes de distribuição similares e por poderem compartilhar alguns insumos, é possível a ocorrência de ganhos de sinergia, com significativa redução de custos.


    Foi anunciada nesta semana a compra de ativos do grupo americano OSI no Brasil e em países da Europa por um dos maiores processadores de carne do país – o frigorífico Marfrig. Principal fornecedor de carnes para o Mc Donald´s, o OSI vendeu para o Marfrig 15 unidades de processamento de aves e outros animais, por US$ 680 milhões.
    Com esta operação, a mais importante feita pelo frigorífico, o grupo, que já fez várias aquisições nos últimos meses, dobra de tamanho, com um aumento estimado de US$ 2 bilhões em sua receita líquida anual, valor que representa quase a totalidade do faturamento registrado pelo grupo no ano passado. Além disto, a empresa expandirá seu potencial com alimentos industrializados, processamento de aves (de 16% para 38% do seu faturamento) e avança no mercado europeu.
    As expectativas são para que as transações sejam concluídas no segundo semestre de 2008, após serem realizadas as devidas análises pelos órgãos regulatórios dos países envolvidos. .
     


    Os frigoríficos Margen e Quatro Marcos decidiram se fundir na semana passada, dando origem à Uni Alimentos, companhia que nasce com faturamento superior a R$ 2,5 bilhões e capacidade diária de abate de 18,5 mil cabeças de bovinos, a maior instalada no país. O Friboi, até então o maior frigorífico do Brasil, encerrou 2007 com capacidade de abate de 18,4 mil cabeças por dia no país. Considerando as operações na Argentina, a capacidade total do grupo é de 25,1 mil cabeças/dia. O Marfrig abate cerca de 13,3 mil cabeças/dia no Brasil e 21,1 mil cabeças diárias considerando as atividades no Mercosul.
    A Uni Alimentos contará com 40 unidades industriais, sendo 26 de abate de bovinos, uma de desossa, três destinadas ao abate de suínos, seis à produção de charque e duas a curtumes, além de 12 centros de distribuição localizados em nove Estados.
    A Margen informou que as empresas farão um anúncio mais detalhado a respeito da transação e da nova empresa ao mercado nesta semana, depois que todos os detalhes da fusão forem finalizados..
     


    A partir de 24 de maio, foi restituído pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) o status de área livre de febre aftosa com vacinação a dez Estados brasileiros, mais o Distrito Federal. São eles: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo. Estes haviam perdido o status em 2005, após o surgimento de focos da doença no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Mato Grosso do Sul pode recuperar o status dentro de alguns meses, segundo o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O único Estado brasileiro livre da doença sem adoção de vacinação é Santa Catarina.
    O reconhecimento conferido pela entidade internacional credencia o país a exportar para importantes mercados mundiais como o Chile e a União Européia, compradores de cortes mais caros da carne bovina, o que deverá impactar positivamente a receita de exportações brasileiras de carne no médio prazo. Convém lembrar, no entanto, que a oferta interna de carne bovina encontra-se restrita, devido a longo período de crise por que passou o setor no país nos últimos anos, o que limita as possibilidades de forte ampliação dos embarques.
    A medida pode beneficiar, inclusive, segmentos correlatos, como o da carne suína, cujas exportações também vinham sendo afetadas pela ameaça da febre aftosa, apesar de a doença não atingir efetivamente o rebanho suíno. O mercado externo em ambos os segmentos absorve quase 20% da produção brasileira de carnes, tanto suína como bovina.