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  • calçados, empresas do setor calçados, empresas do segmento calçados, setor calçados, segmento calçados, economia, macroeconomia
    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2023
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos

    Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu vetar integralmente o projeto até então aprovado pelo Congresso Nacional, o qual prorrogava a desoneração da folha de pagamentos dos 17 setores da economia que mais empregam no País; e, dentre esses destaca-se a indústria calçadista. A decisão de veto presidencial causou surpresas entre fabricantes nacionais de calçados, centrais sindicais e para a principal associação do setor, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados - Abicalçados, uma vez que esses atores apontam que a reoneração da folha provocará demissões no setor.

    De acordo com a Abicalçados, a reoneração deve ampliar em R$ 720 milhões a carga tributária das indústrias calçadistas por ano; o que trará impactos na produção e, consequentemente, à geração de empregos. A entidade calcula que cerca de 20 mil empregos” podem desaparecer no próximo ano por conta do custo extra”. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o impacto imediato do fim da desoneração é dessa perda de empregos “já no primeiro ano”.

    Importante destacar que a desoneração é uma política que auxilia a manutenção do empregos na atividade, a qual vem passando por relevantes dificuldades, especialmente diante da isenção de impostos de remessas internacionais das plataformas digitais sob os setores de calçados, além de também têxteis e confecções. Segundo atenta o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira: "O que já estava complicado deve piorar a partir do próximo ano se a medida não for revertida no Congresso Nacional. Estamos tomando os trabalhos para evitar que o pior aconteça". Também o executivo sublinha que “Taxar a geração de empregos vai de encontro à desejada política de reindustrialização do País".

    Apesar do Congresso Nacional já vir articulando formas de vetar a decisão presidencial, há algumas análises críticas em torno da desoneração da folha de pagamentos, tal como ela é realizada até então no Brasil, isto  é, voltada a 17  setores bastante empregadores no Brasil[1]. Um primeiro rol de críticas diz respeito ao fato da política de desoneração ser cara e apresentar ineficiências.

    Aqui se destacam, por exemplo, pesquisa discutida em artigo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base em dados da Pnad Contínua, mostrando que outros setores empregam mais que estes 17, além de evidenciar que os desonerados vem cortando postos formais nos últimos dez anos, na contramão dos demais. No artigo do IPEA mostra-se que na Pnad de 2022, nenhum dos setores desonerados constavam entre os sete que ocupam mais da metade dos trabalhadores no Brasil [2]. Também sobre os pontos “caro” e ineficiente da desoneração sobre folha de pagamento, o economista-chefe da Ryo Asset, Gabriel de Barros, aponta que: “Ao invés de exceções para um grupo de setores econômicos, o mais correto do ponto de vista econômico é que a política seja horizontal, valha para todos, sem exceção”.

    Já no âmbito de “correções de distorções tributárias”, conforme explicitado pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o veto presidencial faz parte de uma “correção de distorções tributárias para recompor base que foi erodida ao longo dos últimos anos”. E isso, ao ressaltar que a União perdeu 1,5% do PIB com gastos tributários, e, o fato da desoneração vetada envolver R$ 25 bilhões em renúncias fiscais.

    Enfim, se de um lado, seja legítima a demanda dos 17 setores “beneficiados” pela desoneração e que operam com uma grande intensidade de mão de obra; de outro lado, muitas pesquisas vem evidenciando a baixa efetividade dessa política. A ver cenas do próximo capítulo, em breve.

    Analista Responsável Thais Virga



    [1] Os 17 setores são: confecção e vestuário; calçados;  construção civil; call center; comunicação; contracto e obras de infraestrutura; couro; fabricação de veículos e carroçarias; maquinas e equipamentos; proteína animal; têxtil; tecnologia da informação (TI); tecnologia da informação e comunicação (TIC); projeto de circuitos integrados; transporte metroferroviário de passageiros; transporte rodoviário coletivo e transporte rodoviário de carga.

    [2]  Entre os setores que concentram a maioria dos contribuintes da Previdência Social, apenas o relativo ao transporte terrestre tem folha desonerada.


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2023
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos

    A pandemia da COVID-19 causou uma reviravolta econômica sem precedentes em todo o mundo. Empresas de todos os setores enfrentaram desafios significativos, desde restrições de operação até mudanças nos hábitos de consumo dos clientes.

    Nesse cenário de recuperação, é crucial que as empresas estejam preparadas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgem. E uma ferramenta valiosa para essa preparação estratégica é a análise setorial.

    Compreender as tendências do mercado, as mudanças de comportamento do consumidor e as demandas emergentes torna-se essencial para se posicionar de forma inteligente e competitiva.

    Este texto explora a importância da análise setorial como uma poderosa aliada das empresas na retomada econômica, e como a análise setorial pode ajudar as organizações a identificar oportunidades, mitigar riscos e tomar decisões informadas que impulsionem seu crescimento.

    Prepare-se para desvendar os segredos por trás da análise setorial e descubra como essa ferramenta estratégica pode levar sua empresa a um novo patamar de sucesso.

     

    Entendendo a retomada da economia e o papel da Análise Setorial

     

    Após um período desafiador de incertezas e instabilidades, a retomada econômica pós-pandemia já se tornou uma realidade.

    No entanto, é importante compreender que o cenário econômico atual é marcado por mudanças significativas nos comportamentos de consumo, nas dinâmicas de mercado e nas demandas dos clientes.

    As empresas que desejam se destacar nesse novo contexto precisam adotar uma abordagem estratégica, antecipando-se às transformações do mercado e se adaptando rapidamente. É aqui que a análise setorial desempenha um papel fundamental.

    A análise setorial permite que as empresas compreendam em profundidade o panorama do seu setor de atuação. Ela vai além da análise macroeconômica geral e mergulha nas especificidades de cada segmento, identificando as principais tendências, desafios e oportunidades que surgem durante a retomada econômica.

    Ao entender os fatores-chave que impulsionam o crescimento do setor, as empresas podem ajustar suas estratégias, reposicionar seus produtos e serviços e se adaptar às novas demandas dos consumidores.

    Além disso, a análise setorial ajuda as empresas a avaliarem a competitividade do mercado, identificando os principais concorrentes e suas estratégias. Com base nessas informações, é possível desenvolver estratégias diferenciadas, encontrar nichos de mercado pouco explorados e conquistar uma vantagem competitiva.

    Em suma, a análise setorial permite que as empresas estejam à frente da curva, antecipando-se às mudanças do mercado e tomando decisões fundamentadas. Na próxima seção, exploraremos em detalhes como essa ferramenta valiosa pode ser aplicada de forma eficaz, fornecendo vantagens estratégicas e impulsionando o crescimento empresarial na retomada econômica pós-pandemia.

    A análise setorial desempenha um papel crucial na tomada de decisões estratégicas das empresas durante a retomada econômica pós-pandemia. Ela oferece uma visão aprofundada das tendências e mudanças que estão moldando o mercado, permitindo que as empresas compreendam o cenário em que estão inseridas e se posicionem de maneira estratégica.

     

    Benefícios da Análise Setorial para as empresas

     

    Ao adotar uma abordagem estratégica baseada na compreensão das tendências e mudanças do mercado, as empresas podem obter vantagens significativas. Vejamos alguns dos benefícios-chave da análise setorial:

     

    Identificação de oportunidades de crescimento: permite que as empresas identifiquem oportunidades emergentes e nichos de mercado pouco explorados – o que permite a possibilidade de direcionar seus recursos e esforços para o desenvolvimento de produtos ou serviços inovadores, atendendo às necessidades específicas dos clientes.

     

    Tomada de decisões informadas: Com acesso a dados e informações precisas sobre o setor, as empresas podem tomar decisões estratégicas fundamentadas, permitindo que empresas se adaptem rapidamente às mudanças do mercado.

     

     

    Vantagem competitiva: A análise setorial ajuda a identificar os pontos fortes e fracos dos concorrentes, bem como as lacunas no mercado que podem ser aproveitadas. Isso permite que as empresas se posicionem de forma única, atendendo às necessidades dos clientes de maneira mais eficaz do que seus concorrentes.

     

    Mitigação de riscos: auxilia na identificação de riscos e ameaças que podem afetar o desempenho das empresas. Ao antecipar esses desafios, as empresas podem desenvolver estratégias de mitigação adequadas e estar preparadas para enfrentar obstáculos.

     

    Aproveitamento das tendências de mercado: as empresas podem se adaptar de maneira proativa e capitalizar as oportunidades que surgem, ajustando-se rapidamente às mudanças nos comportamentos do consumidor, nas demandas de mercado e nas inovações tecnológicas.

     

    A análise setorial é uma ferramenta poderosa para as empresas que deseja estar sempre prontas aos desafios do seu mercado.

    Ao identificar oportunidades de crescimento, mitigar riscos, adaptar a estratégia de negócios e conquistar uma vantagem competitiva, as empresas estarão bem posicionadas para se destacar no mercado e alcançar o sucesso.

    Lembre-se de que a implementação da análise setorial requer uma coleta cuidadosa de dados, análises aprofundadas e monitoramento contínuo. Além disso, contar com especialistas nessa área, como a LAFIS, pode fornecer um apoio valioso na interpretação dos dados e na orientação estratégica.


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2023
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    Em recente pesquisa realizada pela consultoria McKinsey & Company e intitulada (em português) “Pesquisa sobre o Sentimento do Consumidor” — conforme divulgação do jornal Valor Econômico no último dia 27/06/2023, revela-se que 82% de 1.000 brasileiros entrevistados reduziram seus gastos em compras no trimestre encerrado em maio deste ano (março-abril-maio).  
    A pesquisa foi realizada em dez países e, no Brasil, a mesma mostra, de modo geral, que: há uma maior busca dos consumidores por marcas mais baratas e embalagens menores (de tamanho ou em quantidade); embora ocorram indulgências em alguns setores, como vestuário e calçados, esses integrando um rol de compras chamadas de compras do "‘eu mereço". 
    De um lado, os resultados da pesquisa apontam que os consumidores brasileiros procuram alternativas visando reduzir gastos em consumo, em especial, nas categorias de itens "essenciais básicos" (alimento da cesta básica) e itens "essenciais não-básicos" (como produtos de higiene e limpeza). Os resultados sintetizados no referido trimestre, por categorias analisadas, foram:
    1 Itens essenciais básicos: 33% dos brasileiros compraram itens de tamanho reduzido ou menor quantidade; e 25% mudaram para marcas mais baratas (marcas com preços mais baixos, conhecidas como "trade down");

    2 Itens essenciais não-básicos: 18% compraram itens de embalagens menores e 31% adquiriram marcas de menor preço; e,

    3 Itens não essenciais: 14% optaram por itens de menor tamanho ou quantidade, além de 27% ter alterado seu padrão de consumo para marcas mais baratas.

    Por outro lado, os consumidores brasileiros entrevistados na pesquisa também evidenciaram certas categorias e setores com consumo mais racional baseado no merecimento próprio. No estudo, de acordo com o Valor, "55% dos brasileiros disseram que previam esbanjar e se presentear nos próximos três meses". E dentre as categorias que lideram as chamadas indulgências no consumo - ligadas à aspectos como satisfação e prazer à determinada compra, são destacados produtos dos setores de vestuário, beleza e higiene pessoal, e, calçados.
    Em entrevista ao Valor Econômico, Pedro Fernandes - sócio da McKinsey, apontou um importante grau de otimismo dos consumidores entrevistados, pela economia brasileira, ao melhorarem suas percepções, por exemplo, sobre inflação e instabilidade do emprego, além de perspectivas positivas quanto à recuperação da economia nos próximos dois ou três meses. Fernandes avalia que: "Após um período de grande incerteza durante a pandemia da covid-19, o brasileiro está mais otimista e tem mais clareza de como a economia está se encaminhando".
    Todavia, e, particularmente quanto ao comércio varejista de tecidos, vestuário e calçados, é importante destacar que enquanto o volume de vendas vem apresentando retração no início desse ano, as receitas de vendas (nominal) evidenciam crescimento. 
    Com base nos últimos dados consolidados e divulgados pelo IBGE, o volume de vendas no varejo do citado comércio setorial recuou 6,53% comparando a média do primeiro quadrimestre de 2023 na comparação com o mesmo período (janeiro a abril) de 2022. Distintamente,  o índice de receita nominal de vendas nesse comércio varejista apresentou crescimento, ficando 6,95% acima da média registrada entre os primeiros quatro meses de 2022.
    O gráfico a seguir evidencia a evolução desses dois indicadores no último ano e até abril de 2023:

    Analista Responsável Thais Virga

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2023
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    No início deste ano, a Abicalçados atentou ao fato de ocorrer no Brasil uma "invasão de calçados asiáticos", em especial, provenientes da China. E isso já impactaria da produção doméstica ao nível de emprego da indústria calçadista nacional, além de gerar efeitos perversos à concorrência, sobretudo no varejo brasileiro. Nesse momento, ao citar dados de janeiro, foi mostrado que: o setor atingiu o pior saldo de postos de trabalho em 14 anos; e entrou no Brasil quase 3 milhões de pares vindos da China (70% do total importado no mês), alta de mais de 130% do volume ante o mesmo mês de 2022. Mas o problema maior ressaltado pela Abicalçados foi que tais pares entraram no País a um preço médio extremamente baixo: de apenas US$ 1,72 por par, o menor preço desde 1997.  
    Passados os três primeiros meses deste ano, a China mantém a liderança como o país que mais envia calçados ao Brasil: de janeiro a março/2023, o país asiático exportou 5,64 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 16,22 milhões (+12,3% em volume e -2% em receitas ante o mesmo trimestre de 2022). Assim, no acumulado do primeiro trimestre, os calçados chineses que entraram no Brasil, o fizeram a um preço médio de US$ 2,87 por par. Na outra ponta do comércio exterior do setor calçadista brasileiro, no primeiro trimestre do ano foram embarcados cerca de 38,4 milhões de pares ao exterior, gerando pouco mais de US$ 328 milhões. No comparativo ante o mesmo período do ano passado, tais resultados evidenciam: retração de 5,7% quanto ao volume exportado e aumento de 2,4% em termos de valor. 
    E aqui, os pontos relevantes a serem destacados quanto aos embarques no primeiro trimestre desse ano, são: de um lado, uma forte retração das compras dos Estados Unidos , com quedas tanto em volume (-51,5%), quanto em receita (-35,9%); de outro lado, outros vizinhos mais próximos vem ampliando suas compras dos produtos brasileiros. São os casos, por exemplo, da Argentina — recebendo 3,23 milhões de pares por US$ 55,3 milhões, com altas em volume (+1,4%) e receita (+52,8%) ante o mesmo tri./22; e do México — país que vem ampliando, sobremaneira, as compras de calçados brasileiros. Para se ter uma idéia, apenas em fevereiro, o mercado mexicano disparou para três dígitos (300%) seus investimentos em calçados de origem brasileira, ao atingir US$ 4,1 milhões.
    Tal movimento neste início de 2023 é justificado pela Abicalçados como reflexo de alterações recentes quanto à economia internacional, com essa apontando: à um cenário de desaceleração econômica, concomitante a altas taxas de inflação no mundo, o que compromete o crescimento de setores produtores de bens de consumo não essenciais. Neste sentido, é ressaltada uma conjuntura atual de acirramento da concorrência internacional puxada pelo reposicionamento da China (após políticas restritivas sobre o Covid), e, de quedas do custo do frete internacional, o que impactaria na busca de países geograficamente mais próximos ao Brasil por abastecimento calçadista nacional, em detrimento da Ásia.
    A Lafis acompanha com atenção tal cenário e movimentações recentes quanto ao comércio exterior do setor calçadista brasileiro, e lembra que os resultados consolidados  deste primeiro trimestre estão em linha ao projetado no último relatório setorial, de janeiro: a saber, até então esperavam-se exportações de 135,56 milhões de partes em 2023, apontando à uma retração percentual de 4,5% ante o ano passado. A depender do desenrolar dos resultados das exportações e importações nos próximos meses, a Lafis poderá revisar as perspectivas desses indicadores na próxima atualização setorial. 

    Analista Responsável Thais Virga

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2022
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O setor de calçados mostrou sua força recuperando-se em 2022 na comparação com 2021. O bom resultado esperado para 2022 – a Lafis estima crescimento de 2,3% na produção e 12% nas exportações – pode indicar uma trajetória positiva para o setor no próximo ano.

    No entanto, será necessário atentar-se às influências macroeconômicas sobre o desempenho da produção e das exportações nacionais. Em âmbito internacional, a crescente inflação, que tem provocado elevações na taxa de juros nos Estados Unidos e em outros países, deve impactar o ritmo de crescimento dos países e da economia mundial – as importações norte-americanas de calçados brasileiros podem ser impactadas. Deve-se acrescentar também a crise econômica argentina e a retomada das exportações chinesas com o afrouxamento das políticas de COVID zero naquele país. Novamente, esses fatores poderão impactar as exportações nacionais.

    Já no âmbito doméstico, o endividamento das famílias brasileiras atingiu nível recorde, o que deve arrefecer o ímpeto de consumo de produtos considerados supérfluos, focando apenas nos produtos considerados de primeira necessidade.

    Os vetores negativos expostos acima não deverão ser suficientes para provocar queda na produção, mas poderão ser suficientes para diminuir o ritmo de crescimento a depender de como estas variáveis vão se comportar.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2022
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O setor de calçados foi fortemente impactado pela eclosão da pandemia do novo Coronavírus. O isolamento social fez com que as pessoas diminuíssem suas necessidades de calçados, tanto domesticamente como internacionalmente, diminuindo a produção brasileira.

    Após dois anos e com grande parte da população vacinada, a vida retornou à uma certa normalidade: trabalhadores voltaram aos seus locais de trabalho, embora o hibridismo tenha permanecido, estudantes voltaram às escolas, eventos voltaram a acontecer, e a demanda por calçados também voltou – no mercado interno e externo.

    As projeções para o ano apontam para uma produção de pouco mais 820 milhões de pares de calçados, o que representaria expansão média de 2,3% com relação a 2021; no entanto, caso os números se confirmem o setor estaria ainda aproximadamente 8% abaixo do observado antes da pandemia.

    Conforme as projeções Lafis, o setor voltaria aos níveis de produção obtidos em 2019 (R$ 899,2 milhões) só seria atingido em 2026, demonstrando uma recuperação lenta no setor.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2022
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas do mundo, Estados Unidos e China, iniciada ainda no governo de Donald Trump, pode render bons frutos ao Brasil. Pelo menos no setor calçadista esta é a perspectiva.

    O setor calçadista brasileiro teve um primeiro bimestre único, que não se via desde 2011, tanto em termos de receita em dólares como em termos de pares de calçados embarcados. Os dados para o primeiro bimestre de 2022 apresentaram exportações de 27,57 milhões de pares (40% a mais do que no mesmo período de 2021) e US$ 209,23 milhões (70,8% a mais do que no ano passado).

    Os Estados Unidos foram o principal destino das nossas vendas externas – 4 milhões de pares e US$ 60,58 milhões – significaram incremento de 97,8% e 130,2%, respectivamente, na comparação com o primeiro bimestre de 2021. E é nesse momento que a guerra comercial entre Estados Unidos e China entra em cena.

    Os Estados Unidos têm migrado a sua demanda calçadista para o mercado brasileiro em detrimento do mercado chinês por conta da guerra comercial entre os dois países. Embora esta migração não seja única e exclusivamente por conta disso – o encarecimento dos fretes e as necessidades de garantir mais fornecedores em momento de elevada incerteza global também contribuem – os norte-americanos têm dado preferência ao produto brasileiro.

    O fato é que as perspectivas para o setor calçadista são favoráveis para 2022 com crescimento nas exportações e na produção doméstica na comparação com 2021. No entanto, a produção é provável que não supere os níveis anteriores à pandemia; as exportações, a continuar esse ritmo, têm mais possibilidades.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2022
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A situação macroeconômica do Brasil – desfavorável diga-se – foi fundamental para a recuperação do setor calçadista. A elevada inflação e o Real desvalorizado fizeram com que o setor desviasse parte da produção para o mercado externo – e isto foi importante para a recuperação do setor.

    Os números das vendas externas de calçados em 2021 foram os melhores desde 2017 o que ressalta a importância do comércio internacional para o setor. Em termos de quantidade, foram embarcadas 123,6 milhões de pares, crescimento de 31,8% na comparação com 2020; o montante exportado foi de US$ 900,34 milhões, representando um aumento de 36,8%. O preço médio das vendas externas foi 3,8% maior do que o observado em 2020.

    Os números do setor externo foram importantes para o faturamento do setor uma vez que respondeu por 14,9% do total – em 2020 a participação das exportações no faturamento foi de 12,9%.

    Os números para a produção de calçados não estão consolidados ainda – a Lafis acredita em um total de 836 milhões de pares – o que significaria expansão de 9,5% na comparação com 2020, mas ainda bastante distante do número obtido em 2019, ano anterior ao da pandemia (-10,6%). Caso o número se confirme, o crescimento da demanda doméstica terá sido de 6,3%, um crescimento menos expressivo do que o observado no setor externo.

    Como quase todo setor industrial, o ano de 2021 foi um ano de recuperação na comparação com 2020, mas na maioria dos setores, os números ainda estão abaixo daquele observado antes da pandemia. Para o setor de calçados, a projeção, em termos de faturamento é que o setor retorne ao patamar pré-pandemia; em termos de produção, não. A razão: preços mais altos.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2021
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    As preocupações ambientais têm atingido o setor industrial, acelerando inovações tecnológicas que visam a maior preservação dos recursos naturais da terra, além de atender a crescente demanda dos consumidores que cada vez mais se mostram preocupados com o modo de produção dos produtos industriais e quais recursos eles utilizam no processo produtivo.

    A brasileira Penalty, por exemplo, desenvolveu um tênis com tecido ecológico, fruto da reciclagem de garrafas PET’s. A empresa assegura que além do fator ambiental, o novo produto é confortável e permite que haja intensa circulação de ventos nos pés.

    Já uma empresa japonesa criou calçados a partir da borra do café – o que o caracteriza como um produto vegano, garantindo um público cativo e crescente. Consta que o produto é a prova d’água e de sujeira além de serem flexíveis e laváveis em máquinas de lavar.

    Outro destaque nacional são os chinelos lançados pela Melissa, feitos a partir de um monobloco de EVA Biobased que emite até 20% menos carbono quando comparado aos demais produtos usualmente utilizados para a fabricação destes produtos.

    Percebe-se que a tendência setorial é que cada vez mais as empresas invistam em produtos amigáveis ao meio-ambiente. Além desta medida contribuir para a redução na destruição ambiental, há um mercado cada vez maior para estes produtos, o que deve garantir elevada rentabilidade para as empresas produtoras.
     
    Analista Responsável Marcelo Balloti Monteiro

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2021
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O setor calçadista brasileiro sofre há tempos com o chamado “Custo Brasil”: estrutura tributária complexa e impostos elevados, mão de obra pouco produtiva, problemas estruturais de infraestrutura (logística e energética, principalmente). Neste contexto, não é difícil perceber que o setor se tornou menos competitivo frente à emergência dos países do sudeste asiático.

    A pandemia do novo coronavírus, portanto, foi apenas mais uma barreira que o setor terá que transpor para continuar sobrevivendo. A recuperação frente a 2020 virá, mas devemos ser cautelosos diante da base frágil de comparação: a Lafis estima que a produção de calçados em 2021 deverá atingir 820 milhões de pares, número 7,4% superior ao observado em 2020. No entanto avaliando com 2019, último ano antes da pandemia, a quantidade produzida em 2021 será 12,3% inferior à observada dois anos atrás.

    As mudanças que a pandemia impôs – maior confinamento em casa além da adoção de trabalho/estudo remoto – fez com que a demanda por calçados diminuísse. Não apenas isto; há a tendência de que muitos trabalhadores e estudantes permanecerão nesta modalidade de trabalho/ensino o que dever fazer com que a demanda por calçados cresça com maior modicidade.

    A Lafis acredita que somente em 2024, a produção de calçados deverá superar os números de 2019, o que demonstra que o setor terá que enfrentar dois problemas: uma conjuntura que foi desfavorável em 2020 e que deverá melhorar paulatinamente, mas não na velocidade desejada; um problema estrutural que dependeria de atuação mais incisiva do poder público para fazer avanças reformas que permitam, senão eliminar, reduzir consideravelmente o “Custo Brasil”. O primeiro, a Lafis, estima ser resolvido em 2024; já o segundo parece ser insolúvel.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2021
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O ano de 2020 pode ser considerado o pior em 15 anos para o setor calçadista. A produção doméstica totalizou 764 milhões de pares – mesmo patamar de 2005 – e as exportações foram de 93 milhões de pares, o menor número em 40 anos. As quedas de produção e vendas externas, foram respectivamente, 18,4% e 18,6%.

    A recuperação para ambos os indicadores do setor é dada como certa; contudo o patamar desta ainda é incerto. No começo do ano, as projeções indicavam uma recuperação da ordem de 15% tanto para a produção como para as exportações setoriais; no entanto, a lentidão na vacinação e o recrudescimento fizeram com se revisasse para baixo estes números – produção em torno de 12% e exportação na casa dos 13%.

    Caso estes números se confirmem, o setor ainda continuará 7% menor do que em 2019 denotando a profundidade da crise. Nós da Lafis acreditamos que o setor só voltará aos patamares pré-pandemia em 2022; contudo as incertezas sanitárias, políticas e econômicas, podem fazer com que a plena recuperação só ocorra em 2023.

    Uma possibilidade positiva para o setor é a vacinação e recuperação da economia mundial mais rápida do que a vislumbrada no Brasil o que pode estimular as exportações – o patamar cambial do Real deve manter os preços brasileiros competitivos. Sendo as vendas externas responsável por 14% das vendas totais, talvez a demanda externa possa acelerar a recuperação do setor.

    Analista Responsável Marcelo Balloti Monteiro

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2021
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    Calçados: Tombo em 2020 garante retomada para 2021.

    Fortemente afetado pela pandemia, o setor de calçados inicia 2021 com sentimentos mistos: por um lado espera-se crescimento com relação a 2020; por outro, a retomada será insuficiente para fazer o setor atingir o patamar de 2019; pior, o setor encontra-se em 2020 no mesmo nível que estava 16 anos atrás.

    O fato de a pandemia ter sido global afetou duplamente o setor, pois o mercado interno se arrefeceu (queda de 21,8% na produção interna) fruto do aumento do desemprego e redução da renda interna; no setor externo, as exportações caíram 18,6%.

    Para 2021, a expectativa é que a produção cresça 14% em relação a 2020 e que as vendas externas aumentem aproximadamente 15% o que faria o setor recuperar apenas em parte os prejuízos observados em 2020.

    Intensivo em mão de obra, a indústria calçadista viu um movimento duplo no mercado de trabalho com aumento expressivo das demissões nos meses mais críticos da pandemia (março a junho) com o fechamento de pouco mais de 60 mil vagas e depois deste período, com a flexibilização das medidas de isolamento e a retomada da produção industrial, houve a retomada das contratações (32 mil postos aproximadamente), porém insuficiente para compensar as demissões.

    A perspectiva de vacinação ainda em janeiro de 2021 aumenta as expectativas de retomada, mesmo que gradual, da normalidade no dia a dia da sociedade. Esta volta deverá ser benéfica para o emprego, mesmo que de maneira marginal, o que deve promover incremento na renda dos consumidores. Estes fatos podem corroborar para um aumento na demanda por calçados, estimulando o aumento na produção e novas contratações, bem como a geração de um círculo virtuoso para o setor.

    Especialista do Setor Marcelo Balloti Monteiro

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2020
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A indústria da moda, que abrange tanto a indústria de têxtil e confecções, como a indústria de calçados é uma indústria intensiva em mão de obra, essa anunciou, num primeiro momento da Crise do Covid-19, a preocupação com os impactos da queda da demanda externa, mas após o fechamento do comércio nos principais centros urbanos do País desde a segunda quinzena de março, as grandes fabricantes declararam paralisações, e já começaram a temer os impactos da queda da demanda interna diante do corona vírus.

    Na última quinta-feira (23/04), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) anunciou que já estima que a produção de calçados deverá amargar uma queda de 26% em relação a 2019. De acordo com a associação, a crise já levou a uma redução de 24 mil postos de trabalho na indústria de calçados brasileira, o presidente da associação afirmou que “O principal problema enfrentado pela indústria calçadista neste período tem sido o cancelamento de pedidos, bem como a postergação e faturamento dos mesmos. Com o varejo fechado, assim como a retração da demanda, não temos novos pedidos, não temos o que produzir. O setor, como produtor de moda, não tem a praxe de trabalhar com estoques”.

    Uma pesquisa realizada pela Abicalçados apontou que cerca de 51% das empresas do setor estão com atividades paralisadas (totalmente ou parcialmente), e 23% delas ainda nem sequer possuem uma previsão de retomada da produção.

    Este setor já vinha apresentando baixíssimo crescimento da produção industrial devido aos impactos da crise de 2014 no mercado de trabalho brasileiro, pois, o brasileiro mudou a forma de consumir itens de vestuário e calçados - com a recessão, as compras por impulso diminuíram e peças clássicas e versáteis ganharam mais espaço no guarda-roupa. Os hábitos dos consumidores ainda não voltaram à condição anterior à crise. A recessão no País reforça hábitos de reciclagem de roupas e calçados pelos consumidores, além de conduzir às compras mais conscientes. 

    Analista do Setor Laís Soares.

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2019
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A mudança de hábitos dos consumidores tem provocado as empresas a reinventar os seus negócios para sobreviver, de tal forma que, não basta apenas adotar novas tecnologias, e sim compreender as novas demandas do consumidor no mundo atual.

    Em relação a indústria da moda, Grandes marcas americanas, como Urban Outfitters, Banana Republic e até a tradicional Bloomingdale’s já incorporaram essa mudança de hábitos do consumidor, e já se lançaram no negócio de venda de assinatura de roupas, que permite que as clientes levem emprestada determinada quantidade de peças, e devolvam após usar.

    Essa mesma tendência deve aparecer como uma oportunidade para o setor calçadista, sobretudo para os calçados de maior valor agregado. Nos últimos anos, já se observou o lançamento dos canais próprios de venda, principalmente com lojas online. Assim, os serviços de assinatura a partir de lojas online aparecem com uma nova oportunidade para exploração do setor calçadista.

    No Brasil, após um longo período de crise, com aumento do desemprego, perda do poder de compra das famílias, os consumidores seguem cada vez mais cautelosos, alterando seus hábitos de consumo. Para o ano de 2020, em linha com as perspectivas macroeconômicas da Lafis, o setor deverá apresentar crescimento, mas não se espera um forte crescimento, já que a taxa de desemprego ainda deverá manter-se elevada, com uma tendência de desaceleração, o que segura o crescimento acelerado do comércio de modo geral, e também das vendas do setor calçadista.

    Assim, os principais players do setor calçadista deverão rever suas estratégias tradicionais incorporando as novas demandas dos consumidores, a fim de incrementar seu faturamento mesmo num contexto de baixo crescimento.

    Analista do Setor Laís Soares.

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2019
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    Diante da maior racionalidade do consumidor brasileiro antes da decisão de ir às compras, a produção industrial dos setores relacionados à indústria da moda, tal como os setores têxtil e confecções e calçadistas, apresentaram retração, contrariando o movimento da indústria de modo geral. 

    Enquanto, a produção industrial da indústria geral apresentou um crescimento de 1,1%, os segmentos de confecção de artigos do vestuário e acessórios e o de fabricação de couros e calçados apresentaram uma queda de 3,3% e 2,3%, respectivamente.

    Sob o contexto de um mercado de trabalho ainda enfraquecido, a confiança dos consumidores pertencentes às classes econômicas menos favorecidas ainda não foi restabelecida. Essa população tem lançado mão de estratégias como: reciclagens de roupas e calçados, e fabricação artesanal, buscando as antigas costureiras da família.

    De acordo com a Boa Vista SPC, em janeiro de 2019 o Indicador do Movimento do Comércio do setor de “Tecidos, Vestuários e Calçados” cresceu 1,2% em relação a dezembro, considerando o efeito sazonal. Entretanto, no acumulado em 12 meses, o indicador ainda apresentou uma queda de 1,2%, o que demonstra que as atividades do comércio desses setores relacionados à indústria da moda não estão fortalecidas, o que dificulta a retomada consistente da produção industrial e do faturamento do setor.

    Para 2019, a Lafis estima que diante da melhora das condições macroeconômicas, estes setores  deverão iniciar uma nova trajetória de crescimento, mas que deverá consolidar-se apenas no longo prazo (2020-2022) com a elevação da confiança dos agentes econômicos na economia do país e uma elevação mais expressiva da massa salarial, o que deverá impactar nas vendas do comércio varejista de confecções e calçadista no mercado interno.

    Especialista do Setor  Laís Soares.

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2018
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O setor calçadista no Brasil tem recuperado sua produção, depois de registrar quedas entre os anos de 2015 e 2016, a qual atingiu 8,3% no acumulado nesses dois anos. Em 2017, já foi observado desempenho positivo, com crescimento de 1,1%, o qual atingiu mais de 900 milhões de pares, de acordo com a ABICALÇADOS, Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. 

    Neste cenário, as exportações de calçados também apresentaram crescimento no primeiro quadrimestre do ano de 2018, no comparativo ao mesmo período do ano passado. Em termos quantitativos dos pares de calçados, as exportações somaram 40,36 milhões, e em valores agregados foram US$ 344,2 milhões, alta de 1,8% no período.

    De acordo com o presidente-executivo da ABICALÇADOS, o resultado positivo é proveniente das vendas em feiras que ocorreram já neste ano, em países como Itália, Estados Unidos e Colômbia. No entanto, de acordo com a associação, a Argentina foi o principal destino das exportações de calçados no primeiro quadrimestre do ano, com um total de US$ 58 milhões, quase 20% a mais em comparação ao mesmo período de 2017.

    Assim, a Lafis prevê um cenário otimista para a produção e exportação do setor de calçados para o ano de 2018, com expansão em torno de 3,5% na produção e de 6% na receita. 

    Especialista do Setor Fernanda Mansano.

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2017
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    No primeiro bimestre, ancorados pelas perspectivas e confiança de uma melhora da demanda interna, os setores têxtil e calçadista, que haviam perdido um número significativo de empregados nos últimos dois anos registraram um saldo positivo de contratações.

    Todavia, na última semana de março tais setores foram surpreendidos pelo anúncio do Governo da Medida Provisória 774 (publicada dia 30 de março), que põe fim à desoneração da folha de pagamento das empresas dos setores calçadistas e de confecções, que vinham sendo beneficiados pela substituição da cobrança do INSS empresarial de 20% sobre o total dos salários pagos por uma alíquota situada entre 1,5% e 2,5%, sobre o faturamento da empresa a depender da atividade específica desta.

    De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), até então, a desoneração vinha garantindo certo alívio para o setor calçadista, já que o setor é intensivo em mão de obra, e contribuiu para a redução dos custos de produção. Neste sentido, a reversão neste momento deverá encarecer o calçado nacional para o consumidor final. De acordo com a entidade, o segmento setor não aproveitou o benefício fiscal para aumentar a margem de lucro, mas sim para reduzir preços e ganhar competitividade no mercado nacional.

    No cenário atual, tendo em vista a elevação do desemprego no País e queda no rendimento das famílias, uma elevação dos preços tende a reprimir ainda mais o consumo das famílias. Além disso, o setor calçadista e de confecções poderá apresentar maiores dificuldades para sair da crise, haja vista a concorrência que tais segmentos enfrentam com os produtos chineses importados que apresentam menores custos e preços mais reduzidos.

    A nova regulamentação da cobrança de contribuição previdenciária das empresas foi publicada por meio de MP (medida provisória), e entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação. 

    Especialista do Setor Têxtil e Calçadista: Laís Soares


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2016
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O Real desvalorizado tem sido uma “tábua de salvação” para as indústrias em 2016. O câmbio favorável às exportações é uma vantagem para as empresas que estão com dificuldades de manter as vendas no mercado interno, mas possuem estrutura para exportar sua produção – que se encontra mais competitiva no mercado internacional. Entretanto, a recente valorização da moeda brasileira já começa a acender às luzes de alerta em alguns setores, sinalizando que talvez o bote salva-vidas das exportações também possa estar furado.

    Empresas dos setores calçadista e têxtil – como a Vulcabrás/Azaleia e Cedro Têxtil – já informam que fizeram seus planejamentos com base em uma taxa de câmbio mais próxima a R$ 4, seguindo a tendência do fechamento de 2015. A Fakini Malhas, por exemplo, informou que vendas efetuadas a um câmbio inferior a R$ 3,50 significam uma perda de rentabilidade para a empresa, segundo Francis Giorgio Fachini, diretor comercial da empresa.

    O cenário cambial vem sendo tratado de perto pelo novo ministro das Relações Exteriores, José Serra. Em discurso durante o Fórum Agrobusiness Global, que ocorreu em São Paulo na primeira semana de julho, o ministro ressaltou a importância de reduzir a tributação das exportações como forma de reduzir o chamado “custo Brasil”, além de fechar novos acordos comerciais com os grandes players mundiais, como a China. Além disso, mercados promissores na atualidade, como a região da África Subsaariana e o Irã despontam como potenciais clientes dos produtos brasileiros, mas que ainda são pouco explorados.

    Tais medidas são favoráveis aos setores produtivos, mas devem ser tratados com parcimônia, pois podem agir na contramão do esperado, dado que alguns desses mercados, como o chinês, são os principais competidores dos produtos brasileiros no mercado externo.

    Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2015
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A crise política e econômica no Brasil, bem como a instabilidade no cenário internacional, tem pressionado, a taxa de câmbio da moeda brasileira em relação ao dólar, que já acumulou uma desvalorização de 48% até setembro deste ano. Diante disto, vários setores sofreram com o encarecimento dos produtos importados. Contudo, alguns outros tem se beneficiado do barateamento dos produtos brasileiros no mercado internacional, via exportações. Foi o que ocorreu com as indústrias de têxteis e confecções e de calçados.

    De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as exportações, apesar de ainda estarem caindo quando comparadas ao mesmo período de 2014, tem desacelerado o ritmo de queda, podendo reverter o movimento já no inicio de 2016. Nos segmentos de produtos menos elaborados, como fios, as exportações já estão crescendo em relação ao ano anterior.  Além disso, a retração nas importações abriu espaço para a expansão das indústrias nacionais no mercado interno. Em setembro deste ano, as importações de produtos têxteis e vestuário reduziu, em toneladas, mais de 29% em relação ao mesmo mês de 2014. 

    Para o setor calçadista, a realidade é inda melhor quanto às exportações. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em setembro as vendas de calçados brasileiros no exterior cresceram 18,5% em relação ao mês anterior, e a expectativa para dezembro deste ano é promissora. Quanto às importações, as perspectivas não são tão animadoras, mesmo com uma redução de 8,4% no valor total importado em relação a setembro de 2014. A Abicalçados comenta que a crise nacional é tão profunda que talvez o mercado interno não substitua o produto importado pelo nacional, e sim simplesmente deixe de comprar. 

    Em geral, estes setores estão aproveitando os movimentos favoráveis no câmbio. Tendo em vista as previsões pouco otimistas para a inflação e para a recuperação da demanda nos próximos anos, as empresas devem atentar para as oportunidades no mercado externo como forma de compensar a crise no mercado nacional.

    Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2015
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    Assim como em fevereiro, o mês de março registrou aumento das exportações brasileiras de calçados. No mês foram embarcados 10,8 milhões de pares, gerando uma receita de US$ 91,14 milhões, o que representa um aumento de 16,6% em relação ao mês de fevereiro de 2015 e 15,1% em relação ao mês de março do ano anterior. Entretanto, a recuperação ainda não ocorreu completamente, uma vez que no acumulado do trimestre, o resultado ficou 12% inferior ao primeiro trimestre do ano anterior, quando foi gerada uma receita de US$ 274,6 milhões, contra US$ 241,56 milhões somados em 2015. 

    A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) ressalta que tal resultado ainda não é consequência da valorização do Dólar frente ao Real, pois apesar de ser a maior alta da moeda americana registrada nos últimos dez anos, tal efeito ainda não pode ser sentido, tal implicação passará a ter mais influência a partir de maio ou junho. Segundo o presidente da associação, o aumento das exportações nos dois primeiros meses do ano é a soma de ações das empresas do setor em buscar mercados qualificados além-fronteiras, ou seja, novos mercados que os calçados brasileiros ainda possuem pouca participação, além da recuperação da economia mundial. 

    O principal destino das exportações brasileiras de calçados são os Estados Unidos, seguidos pela França e a Argentina. Sobre o país vizinho, houve, em partes, uma recuperação das exportações e o resultado é decorrente da recente decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC), que obriga a Argentina a eliminar as barreiras ilegais às importações, o que acaba tendo reflexo positivo para as exportações brasileiras. 

    Dado tal conjuntura, as perspectivas do setor de calçados tornam-se menos pessimistas, uma vez que provavelmente o setor tende a recuperar ainda mais os produtos embarcados para o exterior. Além disso, tal movimento tende a se manter nos próximos anos, dadas as projeções da moeda americana ainda valorizada para os próximos anos. 

    Analista do Setor de Calçados - Amanda de Brito Andriotta


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2015
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    O ano de 2014 foi marcado por dificuldades para o setor de calçados no País. A realização da Copa do Mundo de Futebol, a importação de calçados asiáticos, a deterioração do mercado exportador argentino e as incertezas da economia brasileira contribuíram para um cenário adverso.

    O evento esportivo realizado nos meses de junho e julho acabou prejudicando tanto o varejo quanto a indústria de calçados, pois atuou como concorrente do setor, já que o consumidor substituiu o gasto com calçados por gastos com outros produtos, por exemplo entretenimento. 

    Outro fator preponderante para o mau desempenho do segmento foi a concorrência com os produtos asiáticos. Mesmo com uma taxação de US$ 13,85 por par importado da China, os produtos chineses continuam a invadir o mercado nacional, por apresentarem preços mais competitivos. O que agrava ainda mais a situação é a validade da medida, que acaba em março de 2015 caso não seja renovada. Sem a sobretaxa existente, os produtos chineses se tornarão mais baratos, prejudicando o setor.

    As dificuldades econômicas enfrentadas pela Argentina cooperaram para diminuir as exportações brasileiras para o país, forçando as empresas calçadistas brasileiras a buscar novos mercados, para compensar a perda de mercado do país vizinho. Entretanto, perspectivas de um Dólar mais valorizado frente ao Real, em 2015, poderão reverter, em partes, a situação do comércio internacional do setor para esse ano, tornando as exportações brasileiras mais competitivas e as importações mais caras. 

    Do mesmo modo, as incertezas do cenário econômico brasileiro influenciaram as intenções de compra dos consumidores, pois em um contexto de maior pressão inflacionária e perda de confiança, estes tendem a rever seu orçamento e cortar gastos considerados supérfluos.  

    Diante desses fatos, para 2014 espera-se que a produção de calçados no País feche o ano com estabilidade, ficando para 2015 uma possível recuperação do setor. 
     
    Analista do Setor de Calçados - Amanda de Brito Andriotta


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2014
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    As exportações de calçados da cidade de Franca, importante pólo calçadista do Estado de São Paulo, cresceram 147%, em números de pares, para o Oriente Médio no primeiro trimestre de 2014, comparado ao mesmo período de 2013. Entre os principais importadores estão Arábia Saudita, Qatar, Kuaite, Israel e Emirados Árabes Unidos. O grupo de países já representa 27% das exportações do pólo, em que foram comercializados 221 mil pares nos três primeiros meses desse ano. 

    A perda de mercado nos Estados Unidos e a qualidade do produto brasileiro justificam o avanço. A concorrência chinesa fez os produtos brasileiros perderem espaço no mercado americano. As vendas para esse país correspondiam a 42% das exportações da região no primeiro trimestre de 2013, enquanto neste ano a participação caiu para 29%, forçando os empresários brasileiros a buscar novos parceiros comerciais.  O produto nacional tem sido bem aceito por esses países por sua boa qualidade e por apresentar preços mais acessíveis que os de origem italiana. 

    Este resultado mostra o esforço das indústrias do setor na procura de novos parceiros comerciais, com o objetivo de evitar maiores perdas nos indicadores das exportações, que segundo José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindicato da Indústria de calçados de Franca (Sindifranca), vêm caindo desde 1990, quando somavam 50% da produção do pólo.

    Analista do Setor de Calçados - Amanda de Brito


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2014
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A indústria calçadista nacional continua enfrentando problemas na comercialização do produto com a Argentina. Segundo levantamento realizado nesta semana pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), cerca de 800 mil pares de calçados estão sofrendo bloqueio para entrar no país desde agosto de 2013, sendo que mais de 410 mil pares foram efetivamente cancelados. 

    A Declaração Juramentada de Antecipação das Importações (DJAIs), que foi criada há dois anos, e é obrigatória para que o produto possa entrar na Argentina, é o principal entrave enfrentado pelos exportadores brasileiros. A demora para que a DJAI seja emitida, faz com que ela funcione como uma barreira não-tarifária, o que acaba prejudicando a indústria nacional. 

    De acordo com a Abicalçados, ao serem somados os negócios que poderiam ter acontecido no período, mas que não ocorreram por conta da situação enfrentada, o número de calçados prejudicados chega a 2 milhões, o que representa um prejuízo de US$ 30 milhões. Com isso, a perspectiva de recuperação das exportações que era esperado para 2014, devido principalmente à desvalorização do Real frente ao Dólar, não deverá ocorrer.

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2013
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A fábrica de calçados Terra & Água está investindo R$ 25 milhões em Limoeiro, no Agreste Pernambucano, para que a nova unidade comece a operar a partir de abril deste ano. Instalada no ano passado em um terreno provisório da cidade, a fábrica espera a negociação por parte da AD Diper (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco) da desapropriação de uma área de 15 hectares na cidade.

    A empresa, que existe desde 2000 e exporta seus produtos para mais de 40 países, tem como proposta inicial a produção de 300 mil pares por mês, entre femininos, sandálias e chinelos e espera gerar cerca de 500 empregos na região. Para se instalar no Estado, a Terra & Água conseguiu um benefício do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Calçados, Bolsas, Cintos e Bolas Esportivas (Procalçados), que garantiu à empresa um desconto de 95% no saldo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

    A chegada desta indústria na região é muito importante, já que o Estado passa a desenhar um forte eixo de desenvolvimento, aproveitando a vocação da região para o setor calçadista, que passa por Limoeiro, Carpina e vai até o município de Timbaúba, importante Polo calçadista dos anos 1970. 


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2013
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A Grendene, dona das marcas Melissa, Ipanema e Rider, anunciou investimento de R$ 60 milhões para a construção de uma nova fábrica de calçados em Sobral (CE). Espera-se que a unidade entre em operação em agosto deste ano, com capacidade para produzir 40 milhões de pares ao ano. O investimento faz parte do montante de R$ 120 milhões previamente anunciados que a empresa espera investir ao longo de 2013.

    A calçadista tem mais sete fábricas em Sobral, duas no Crato (CE), duas em Fortaleza (CE) e uma outra em Teixeira de Freitas (BA), a mais recente construída pela empresa em 2007. A demora para o anúncio da nova fábrica, que já estava prevista desde 2010, deveu-se ao momento de retração que a indústria sofria à época. Foi somente no ano passado que a empresa conseguiu reverter esse cenário, obtendo resultados recordes e possibilitando novos investimentos. 

    O setor de calçados ainda enfrenta dificuldades devido à forte concorrência com produtos importados (que tende a ser reduzida com a manutenção da taxa de câmbio mais depreciada), especialmente dos produtores asiáticos, favorecidos pelos seus baixos custos de produção. Entretanto, o estado do Ceará foi um dos únicos que conseguiu fechar o ano de 2012 sem grandes perdas, tornando viável o investimento da Grendene na região. 


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2012
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    As empresas Fipel - Fiação Pernambuco da indústria têxtil e a fábrica de bolsa de couro Brasilco investirão respectivamente, R$ 6,3 milhões e R$ 1 milhão para a construção de novas fábricas no município de Timbaúba e gerarão 200 novos postos de trabalho.

    Os investimentos ocorreram após a liberação dos recursos do Programa para Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe) que oferece redução do crédito presumido do ICMS que pode atingir até 85%. Além disso, por conta de um convênio entre o Governo de Pernambuco e a Prefeitura de Timbaúba, os terrenos serão dados e com terraplanagem concluída até o mês de outubro deste ano.

    A onda de investimentos nos Estados do Nordeste ocorre, apesar da queda na produção industrial têxtil e de calçados, devido principalmente à forte concorrência dos produtos  importados da Ásia, principalmente da China. Outro ponto, que o mercado nordestino está aquecido, com o aumento do poder de compra da população e a demanda reprimida por bens de consumo. O avanço de fabricantes têxtil e de calçados para a região ocorre devido à economia de custos com logística e aos incentivos fiscais, e demonstra a tendência de descentralização da produção do setor têxtil e de calçados, tradicionalmente localizado nas regiões sul e sudeste.  


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2011
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos

    A Alpargatas, dona das marcas Mizuno, Topper e Havaianas, entre outras, anunciou a construção de uma fábrica em Montes Claros (MG). Espera-se que a unidade entre em operação no segundo semestre de 2012, com capacidade de produção de 105 milhões de pares por ano, o que representa um incremento de 30% no atual nível de produção da empresa. O investimento, de R$ 177 milhões, poderá gerar 2,2 mil empregos diretos e mais de 3 mil indiretos na esteira de um processo de expansão da empresa, que contempla a expansão do seu faturamento de R$ 2,6 bilhões em 2010 para R$ 5,5 bilhões em 2014.

    A cidade de Montes Claros foi escolhida por aspectos como a disponibilidade de mão de obra, condições de infraestrutura e maior proximidade com os mercados consumidor e fornecedor, quando comparadas com plantas localizadas no Nordeste. Além disso, o governo mineiro ofereceu benefícios fiscais para a instalação da fábrica no estado, o que contribuiu para a deliberação da empresa.

    A decisão por abrir a nova fábrica no Brasil é considerada estratégica para a preservação da personalidade das marcas da companhia, especialmente no mercado externo. Embora o Real se encontre consideravelmente apreciado em relação ao Dólar, reduzindo a competitividade do produto nacional no mercado externo e prejudicando as receitas dos exportadores, a empresa considera que, por outro lado, os preços de importação de insumos são barateados. No que diz respeito à forte concorrência com os importados no segmento, o presidente da empresa ressalta que as medidas antidumping adotadas contra a China (e contornadas por meio da triangulação de mercadorias) apenas adiariam um processo de adaptação da indústria nacional a novos padrões concorrências.


    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2011
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos
    A maior fabricante de calçados do Brasil e dona das marcas Azaléia, Dijean, Olympikus e Reebook avança em seu processo de internacionalização através da aquisição de ativos industriais (prédios, máquinas e equipamentos) em Chennai, Índia; o valor da transação não foi divulgado. A empresa espera gerar 8 mil empregos diretos e indiretos no país asiático e planeja investimentos da ordem de US$ 50 milhões para o próximo biênio. Tal montante deverá ser alocado na produção de cabedais de calçados esportivos para complementar a produção das suas 28 unidades produtivas no Brasil e Argentina, conforme Fato Relevante divulgado pela empresa. Em 2 anos, a empresa espera fabricar 60% dos cabedais que utiliza na Índia, o que reduziria à metade o custo de produção.

    Além do Brasil, a empresa já possui operações na Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e Peru e amplia a sua internacionalização na Índia com o objetivo explícito de obter ganhos em termos de competitividade. Aspecto crucial a ser considerado é que a atividade em questão é intensiva em mão de obra; entretanto, internamente, o mercado de trabalho nacional se encontra aquecido, com escassez de mão de obra especializada em diversos setores, o que exerce pressões sobre os salários. Por outro lado, os custos relativos à mão de obra na Índia são considerados muito competitivos, o que justifica a transferência da parte mais intensiva em mão de obra da cadeia produtiva de tênis para o país.

    A maior concorrência no mercado interno com produtos importados, mais acentuadamente da China, estimula ainda mais essa busca por melhores condições de competitividade. A fabricação do próprio insumo (cabedais), que indica uma maior integração da cadeia produtiva, aponta para esse sentido. Além disso, uma atuação mais intensa na Índia poderá permitir maior acesso ao mercado local, cujo mercado consumidor possui potencial de crescimento bastante atrativo. Outros aspectos, alguns estruturais, como alta carga tributária, e outros mais conjunturais, como a taxa de câmbio apreciada, afetam negativamente a competitividade da indústria nacional, tanto em âmbito interno quanto no internacional, estimulando uma maior transferência das empresas nacionais para outros países.
       

    • Autor
      Lafis
    • Ano
      2010
    • Categoria
    • Analista Responsável
      Thaís Virga Passos

    A ampliação da sobretaxa imposta aos calçados chineses, postergada por mais cinco anos a partir do dia 04 março, já trouxe benesses para aos fabricantes nacionais. Segundo os representantes, executivos e legislativos, das cidades produtoras, a medida, durante seus seis primeiros meses, impediu a entrada de mais de 30 milhões de pares de calçados ao país, o que significa uma receita aproximada de US$ 195 milhões direcionada ao mercado nacional. Além de ampliar o prazo de duração, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) elevou o valor da taxa de US$ 12,47 para US$ 13,85, possivelmente considerando as vantagens cambiais que a China possui.

    A medida trouxe impactos, quase que imediatos. A Vulcabrás já programou, ainda no mês de março, a ampliação das fábricas da Bahia e Ceará e encomendou equipamentos visando a ampliação tecnológica, o que proporcionará maior valor agregado para os seus produtos. A fabricante gaúcha, Bottero iniciará as operações de sua quinta planta, ainda em março, enquanto a Piccadilly, fabricante de calçados femininos, vai ampliar a capacidade de produção da matriz em Igrejinha, também no Rio Grande do Sul, e das filiais em Rolante e Teutônia em 75%, passando a produzir 70 mil pares por dia até o fim do ano. Os investimentos fazem parte de um projeto orçado em R$ 6 milhões pela Picadilly.

    Após resultados desfavoráveis ao longo de 2009, o setor calçadista conta com a expectativa renovada para um bom desempenho nos anos que se seguem. A sobretaxa trouxe impacto positivo diminuindo as importações e conseqüentemente ampliando a participação do calçado nacional na demanda ao passo em que novos investimentos já antecipam a possibilidade de esgotamento da capacidade produtiva, previsto para dois anos, permitindo que a oferta supra adequadamente o crescimento do mercado. No entanto, acredita-se que os preços dos calçados para o consumidor devam subir um indicativo desfavorável, principalmente considerando o resultado da inflação no primeiro bimestre de 2010.