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  • economia brasileira, indicadores econômicos, câmbio, inflação, balança comercial, juros selic, desemprego, atividade industrial

    O momento atual é de mudanças no paradigma econômico e o resgate das teses do economista inglês, John Maynard Keynes voltou à baila. Preocupado com os efeitos deletérios da Grande Depressão de 1929, o autor britânico, por meio de sua obra principal, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro, propôs um programa de intervenção do Estado com vistas a atuar sobre a demanda agregada, o que produziu uma verdadeira revolução no pensamento econômico, inaugurando uma tradição presente até os dias de hoje, o keynesianismo. Questionado à época se isso não geraria problemas e dívidas no longo prazo, Keynes respondeu que, caso não fosse dada atenção aos problemas presentes, não haveria longo prazo; para ele, “no longo prazo estaremos todos mortos”.

     

    Feita esta introdução, duas advertências se fazem necessárias: (i) o contexto atual de intervenção pública para salvar a economia é radicalmente oposto aquele descrito na Grande Depressão, o que nos desautoriza, ao menos por enquanto, a fazer comparações com o New Deal , proposto por Franklin D. Roosevelt; e (ii) o Brasil é radicalmente oposto aos países desenvolvidos, tanto antes quanto agora e, portanto, as exigências que se colocam num plano de recuperação devem levar em consideração problemas estruturais de outra natureza.

     

    A pandemia do novo Coronavírus (COVID-19), que alastra pelo mundo desde o início deste ano, tem colocado os países em situação de fragilidade. Seja no que se refere à saúde pública, o que destampou um buraco de dificuldades e limitações à universalização de serviços de saúde, mesmo em países ricos como os EUA, ou no que tange aos efeitos sobre a economia global, tema que nos interessa neste espaço. A perspectiva de retração da atividade econômica em diversos países, resultado de expectativas negativas, mas também de efeitos práticos derivados das medidas de distanciamento social, tem feito governos pelo mundo intervir maciçamente por meio de seus orçamentos, a fim de diminuir as perdas. 

    Ao menos 30 países já anunciaram novos programas de transferência de renda para evitar o colapso social, entre os quais os EUA, que recentemente fechou acordo no Câmara dos deputados e vai injetar um pacote de US$ 2 trilhões; ao câmbio cotado no fechamento do mês de março (R$ 5,24/ US$), os norte-americanos colocarão na economia mais de R$ 10,48 trilhões (o PIB brasileiro encerrou 2019 em R$ 7,3 trilhões). Ao todo, os países do G20 pretendem injetar US$ 5 trilhões, tanto para fortalecer os sistemas de saúde, como para conter os efeitos das falências de empresas e do desemprego, que deverá tomar rota explosiva em diversos países; o FMI pediu reforço dos países ao caixa da instituição e afirmou estar disposto a emprestar US$ 1 trilhão para conter os danos da crise.

     

    O Brasil, por sua vez, não está indiferente a este cenário e vem adotando medidas para dar sustentação ao sistema de saúde (SUS), além de ter criado, por meio do Congresso Nacional, um novo programa de transferência de renda. A despeito dos desencontros de informação entre o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde no que confere às ações a serem adotadas, bem como a divergência do governo federal com estados e municípios, o Brasil tem adotado ações práticas com objetivo de mitigar os efeitos negativos desta crise sanitária.

     

    No dia 30 de março, o Senado aprovou o “auxílio emergencial” de R$ 600 mensais a trabalhadores informais, além de R$ 1,2 mil para até dois trabalhadores da família ou mulheres chefes de família com filhos menores de 18 anos. Medidas adicionais, como antecipação de R$ 600 do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas que estão na fila do INSS, permissão para o atraso no recolhimento do FGTS para fortalecer o caixa das empresas por três meses, desoneração de produtos médicos, R$ 24 bilhões em linhas de crédito pessoal e R$ 48 bilhões para as empresas, fazem parte de um programa mais amplo de proteção.

     

    Recentemente, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a soma entre medidas já adotadas e as que ainda estão por vir no enfrentamento à pandemia pode chegar a R$ 750 bilhões, um verdadeiro “orçamento de guerra”, segundo o Ministro. Para efeitos de comparação, o Observatório de Política Fiscal, ligado ao Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, estima que o Brasil deverá gastar cerca de 2% do PIB, ante alguns países que deverão gastar até 17% do PIB, como o caso do Reino Unido. Alemanha e França planejam gastar 12% e 13,1%, respectivamente. Como salientado no início, o Brasil é bem diferente dos demais países, especialmente no que se refere à infraestrutura de saúde pública, a despeito da abrangência do SUS e, também, pelo alto grau de informalidade no mercado de trabalho, atualmente rondando os 40% da PEA.

    De todo modo, o país se prepara para gastar mais e aprofundar o déficit fiscal que vinha obtendo pelos últimos seis anos consecutivos. A situação atual, porém, é de calamidade pública, o que deixa o equilíbrio orçamentário, tido como principal medida para recuperação da confiança, para um momento posterior. Certamente haverá expansão do endividamento público, até mesmo pela necessidade de financiar os déficits crescentes. Dispensado de cumprir a meta fiscal do ano de 2020 (R$ 124,1 bilhões) em função do decreto de calamidade pública, o governo estima déficit primário de R$ 350 bilhões para este ano, o que, por sua vez, deverá ficar circunscrito apenas a 2020, enquanto as medidas da pandemia se tornarem necessárias.

     

    Portanto, impõem-se ao mundo e não apenas ao Brasil uma séria mudança de paradigma no que confere à política econômica ideal para a sustentação e crescimento da renda. A síntese neoclássica, que impusera um duro questionamento ao keynesianismo em meados dos anos 1970, dado o contexto de estagflação somado à crise do petróleo naquela época (pasmem, o petróleo está em crise outra vez!), reinou na cabeça dos economistas até o colapso financeiro de 2008. Àquela altura, cânones da ciência econômica passaram a questionar a tese dominante da contração fiscal expansionista, que relega à “fada da confiança”, na expressão do Prêmio Nobel Paul Krugman, a resposta para as expectativas futuras do setor privado. O Covid-19 vem impondo mais uma inflexão em teses  econômicas, tidas como um dado da natureza. Relembremos Keynes mais uma vez: “A dificuldade não está nas novas ideias, mas em escapar das velhas...”.

     

    Desta forma, a Lafis, que havia revisto seu cenário fiscal recentemente, passando de um déficit primário de R$ 124,1 bilhões para R$ 200,00 bilhões, reforça a perspectiva de ampliação desse déficit, que deverá atingir entre R$ 350 e R$ 400 bilhões, portanto, acima do projetado pelo governo federal. A expetativa, todavia, é de que os efeitos da pandemia devam se alastrar para além dos três meses projetados pelas medidas do governo, podendo manter restrições à circulação e produção até meados de julho/agosto. As condições atípicas, entretanto, deverão se reverter a partir de 2021, quando o Brasil terá que retomar mais uma vez a rota do equilíbrio fiscal, mas certamente tendo uma nova perspectiva sobre os limites que essas medidas têm para estimular o crescimento econômico.

     

    Especialista responsável Marcos Henrique

     


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      Importante aliada no combate ao Covid-19, a indústria de produtos de limpeza doméstica viu suas vendas crescer significativamente nas últimas semanas. Além dos cuidados com a higiene pessoal, o Ministério da Saúde tem orientado as famílias e empresas a manter seus ambientes limpos e desinfetados como forma de evitar a contaminação pelo vírus.

      Diante destas orientações, bem como as medidas de isolamento anunciadas com o objetivo de barrar o avanço do Covid-19, as vendas de produtos de limpeza no varejo físico cresceram 20% entre os dias 23 de fevereiro e 1º de março, período após o anúncio do primeiro caso de infectado pelo vírus no Brasil, em comparação com a semana anterior. Este dado foi divulgado pela consultoria Nielsen, que destaca também outros itens relacionados à higiene pessoal e de ambientes, como o álcool em gel (+623%), filtros de ar (+100%), álcool (+85%), produtos de limpeza em geral (+58%) e sabão líquido (+33%).

      Entre os dias 1º e 8 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) reclassificou a atual crise sanitária como pandemia, o mesmo levantamento apontou que a procura por itens essenciais em lojas físicas voltou-se para alimentos, como arroz, feijão, café, açúcar e farinha (+31%). Ainda assim, os produtos de limpeza apresentaram aumento na demanda, com crescimento de 21% nas vendas ao longo deste período.

      Tal comportamento se reflete também no comércio eletrônico nacional, onde cresceu a busca por categorias como higiene, limpeza caseira, produtos para bebê e mercearia entre os meses de janeiro e março deste ano. Destaca-se também neste canal o crescimento acima da média no número de novos e-consumidores, ou seja, aqueles que realizaram uma compra online pela primeira vez no período (Ebit/Nielsen, 2020).

      As vendas do setor tendem a ser beneficiadas, ainda, pela resolução (RDC N° 350) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que definiu critérios e procedimentos, em caráter extraordinário e temporário, para fabricação e comercialização de preparações antissépticas ou sanitizantes oficinais sem prévia autorização do órgão regulatório. Assim, a produção destes itens poderá ser feita de forma mais acelerada a fim de atender ao aumento expressivo na demanda observado até o momento.

      Especialista do Setor  Fernanda Rodrigues

      • cerveja, empresas do setor cerveja, empresas do segmento cerveja, setor cerveja, segmento cerveja, economia, macroeconomia
        • Autor
          Lafis
        • Ano
          2020
        • Categoria
        • Analista Responsável
          Lais Cristina
        Desde o dia 16 de março, devido a chegada do Covid-19 ao Brasil, e as estimativas de rápida e forte propagação do vírus no País, inicialmente os Governos dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, em seguida outros estados, passaram a recomendar que a população evitasse sair de suas casas, e algumas medidas começaram a ser tomadas, com destaque para o fechamento dos estabelecimentos comerciais, considerados não essenciais.

        Os impactos do COVID-19 à cadeia de Foodservice, isto é, os serviços relacionados à alimentação e bebidas fora do lar, ainda são de difícil mensuração, no entanto, é praticamente consenso no mercado a opinião de que a migração do consumo presencial em bares, restaurantes, padarias para o canal delivery será insuficiente para reduzir o impacto dessa queda de demanda na indústria de alimentos, e principalmente de bebidas no mercado brasileiro.

        De acordo com as associações relacionados a essa cadeia, desde o início da crise e decretação da política de isolamento, os comerciantes têm buscado intensificar o atendimento em sistema delivery, além da categoria “viagem”. Recentemente, o uso de aplicativos de pedidos de comida tem se expandido, mas ainda assim, em 2019 o delivery total representou uma parcela de apenas 9% do total do faturamento no foodservice. Assim, as entidades do setor já afirmam que o crescimento do delivery não terá capacidade suficiente para conter a queda do faturamento do setor.

        De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), na comparação com ajustes do mês de março de 2020 em relação a março de 2019, a categoria Bares e Restaurantes do setor de Serviços no Brasil apresentou uma queda de faturamento de 37,3%. A pesquisa analisou o período de 9 a 26 de março de 2020. 

        De acordo com as pesquisas anuais da Kantar World Panel em relação aos hábitos de consumo da população brasileira, cerca de 64% do consumo de cerveja no País acontece fora do domicílio. No primeiro bimestre de 2020, a produção industrial de bebidas alcóolicas no País apresentou um crescimento de 3,6% ante o mesmo período de 2019, tal resultado ficou muito acima do crescimento observado na produção industrial da indústria de transformação geral (0,5%). Até o início de março, as perspectivas do setor cervejeiro eram bastante positivas, contudo, com o atual cenário houve uma reversão de perspectivas para a indústria no País, e para o setor cervejeiro não deverá ser diferente, tendo em vista a elevada representatividade do consumo de cerveja fora do lar. 

        A Lafis realizou um significativo ajuste nas perspectivas para a produção do setor em 2020, que deverá apresentar uma retração em relação a 2019, uma vez que, mesmo após a retomada completa das atividades, estima-se uma retração da demanda interna em meio à crescente insegurança dos consumidores, com queda da confiança e redução do consumo diante da queda da renda das famílias e um mercado de trabalho mais fragilizado.

        Analista Responsável Laís Soares.


        • carnes, empresas do setor carnes, aves, empresas do setor aves, suinos, empresas do setor suinos,  economia, macroeconomia
          A pandemia global vem espalhando um rastro negativo sobre a demanda por bens e serviços; seja pelas medidas de isolamento social, ou mesmo pelo desemprego que já começa a escalar em alguns setores. Com restaurantes e lanchonetes fechados e os tradicionais churrascos limitados ao pequeno grupo familiar, as carnes nobres estão saindo do cardápio do brasileiro o que tem feito alguns frigoríficos tomarem medidas como o congelamento destas carnes, algo pouco usual. Num primeiro momento, a carne mais cara consumida fora de casa, passa para a mais barata, consumida dentro de casa; em caso de extensão do período de calamidade pública, a perda de emprego e deterioração da renda deslocará a demanda para proteínas mais baratas, como frango e ovos.

          A maior parte da produção pecuária, cerca de 75%, é destinada ao mercado interno, a despeito da participação crescente das exportações, especialmente demandas por China, UE e EUA. Vale destacar que, de acordo com o Ministério da Agricultura, no primeiro bimestre do ano (ainda sem os efeitos do Covi-19), os abates tiveram queda de 12,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Adicionalmente, algumas plantas vêm sendo paralisadas dentro do plano de contenção da contaminação; em março, apenas a JBS parou por 20 dias a produção em cinco frigoríficos, enquanto a Minerva paralisou por período de 10 a 15 dias, quatro das nove plantas que atuam no Brasil.

          O preço da arroba, porém, tem se sustentado ao redor de R$ 200,0, sustentado pela demanda externa, particularmente da China que já vem se recuperando do isolamento social imposto desde janeiro, além dos efeitos da gripe africana sobre a carne suína naquele país, o que o faz manter firme sua demanda por proteína, a despeito das dificuldades impostas pela pandemia. A receita de exportação com carne in natura no primeiro trimestre foi de US$ 1,6 bilhão, cerca de 29% acima do observado no mesmo período de 2019; a desvalorização cambial observada no período recente contribuiu decisivamente para o resultado. Por outro lado, deve-se destacar que mercados demandantes de carnes nobres, como o europeu, segue em compasso de espera do desfecho da pandemia que ainda se alastra pelo velho continente.

          Desta forma, a Lafis segue de perto os movimentos globais com impactos sobre aos diversos setores da economia brasileira, revendo projeções à medida que as condições vão se impondo de maneira mais complexa.

          Especialista do Setor Marcos Henrique 

          • economia brasileira, indicadores econômicos, câmbio, inflação, balança comercial, juros selic, desemprego, atividade industrial
            Dando continuidade a série de boletins informativos do COVID-19, a fim de acompanhar e avaliar os impactos desta conjuntura sobre a economia nacional sob a ótica macroeconômica e setorial, nesta segunda edição serão analisados os principais impactos e medidas já anunciadas pelo Governo relacionadas à Indústria de Transformação.

            A princípio, é necessário ressaltar a relevância da indústria na participação do emprego no País, assim como na composição do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com a publicação do Perfil da Indústria Brasileira (CNI, 2020), a Indústria de Transformação representa 11,4% do PIB, e emprega cerca de 6,7 milhões de trabalhadores. Além disso, ela possui um forte efeito multiplicador, uma vez que, a cada R$ 1,00 produzido nessa indústria são gerados R$ 2,63 na economia brasileira; enquanto nos demais setores esse potencial gerador de valor é bem menor, na Agricultura a cada R$ 1,00 produzido é gerado R$ 1,66 e no Comércio e Serviços, R$ 1,49.

            Até meados da primeira quinzena de março, o receio da indústria em relação ao Covid-19 era sobretudo devido aos impactos de desabastecimento (falta de peças e insumos importados) e a queda da demanda externa.

            De acordo com a divulgação do FGV-IBRE no último dia 20, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) - prévia da Sondagem da Indústria de março de 2020, onde foram consultadas 788 empresas entre os dias 02 e 18 - sinalizou uma queda de 3,2 pontos em relação a fevereiro, para 98,2 pontos, sendo esse mês o primeiro resultado negativo depois de quatro altas nos resultados mensais, revelando a queda da confiança dos empresários do setor. Além disso, o resultado preliminar de março indicou uma redução de 1,1 ponto percentual do Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (NUCI), para 75,1%.

            Desde o dia 16 de março, devido a chegada do Covid-19 ao Brasil, e as estimativas de rápida e forte propagação do vírus no País, inicialmente os Governos dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, em seguida outros estados, passaram a recomendar que a população evitasse sair de suas casas, e algumas medidas começaram a ser tomadas, dentre elas : as escolas e universidades começaram a suspender as aulas presencias, recomendação da instituição dos trabalhos em home-office, redução de voos comercias, fechamento dos estabelecimentos comerciais, dentre outras medidas.

            Assim, institui-se no País um novo e mais intenso cenário de incertezas, sendo reconhecido a gravidade da situação, de tal forma, que o Governo, o Banco Central, a indústria e demais setores, já passaram a considerar um novo problema devido essa crise: a queda na atividade econômica interna em razão da retração da demanda interna em meio à crescente insegurança dos consumidores, com queda da confiança e redução do consumo diante de um mercado de trabalho ainda fragilizado e lenta recuperação econômica do País desde a crise política-econômica de 2014.

            Em relação aos impactos dessa crise nos diversos setores que compõem a indústria de transformação, a Lafis selecionou para comentar os resultados negativos sobre a produção industrial em três importantes cadeias da indústria de transformação: a indústria eletroeletrônica, a indústria da moda e a indústria automobilística. Esses três já correspondem por cerca de 30% da produção da indústria de transformação.

            De acordo com a a Associação Brasileira da Indústria de Eletro Eletrônicos (Abinee), estimativa divulgada ainda no início de março, As empresas do setor alertaram, que a produção do primeiro trimestre deveria ficar 22% abaixo da projetada no início do ano, devido as dificuldades de importação de materiais e componentes provenientes da China. As empresas do setor eletroeletrônico foram as primeiras a anunciar paralisações. Vale dizer, que em 2019, a
             
            produção de eletrodomésticos no País foi uma das atividades que mais se destacou com um crescimento bem acima da média da produção industrial geral, e era uma das atividades com potencial crescimento em 2019

            Em relação a indústria da moda, que abrange tanto a indústria de têxtil e confecções, como a indústria de calçados, essa é uma indústria intensiva em mão de obra, essa anunciou, num primeiro momento, a preocupação com os impactos da queda da demanda externa, mas na última semana, diante do fechamento do comércio nos principais centros urbanos do País, grandes fabricantes já declararam paralisações, e anunciaram que o setor deverá sofrer fortemente os impactos da queda da demanda interna diante do corona vírus.

            Este setor já vinha apresentando baixíssimo crescimento da produção industrial devido aos impactos da crise de 2014 no mercado de trabalho brasileiro, pois, o brasileiro mudou a forma de consumir itens de vestuário e calçados

            - com a recessão, as compras por impulso diminuíram e peças clássicas e versáteis ganharam mais espaço no guarda-roupa. Os hábitos dos consumidores ainda não voltaram à condição anterior à crise. A recessão no País reforça hábitos de reciclagem de roupas e calçados pelos consumidores, além de conduzir às compras mais conscientes.

            Por último, em relação aos impactos da crise do coronavírus na cadeia da indústria automobilística, destaca-se que, no dia 19, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes da Indústria de Automotores) anunciou que todas as montadoras associadas do País estavam se preparando para a paralisação da produção, de modo geral, a princípio o que mais notou-se foi a deliberação de férias coletiva inicialmente é até o final de abril. Haja vista, a paralisação das montadoras, diversas fabricantes de autopeças também anunciaram paralisação. De acordo com a entidade, essas paralisações devem-se tanto à preservação da saúde dos funcionários, como as perspectivas de queda das vendas durante o período de quarentena da população.

            Em 2019, as vendas internas de veículos leves apresentaram um crescimento de 7,7%, sobretudo pelo crescimento das vendas para frotistas, com destaque para as locadoras, uma vez que, o uso do transporte por aplicativos vêm crescendo no País, já a produção havia apresentado um crescimento moderado de 2,1% em relação à 2018, tendo em vista a queda das exportações. Assim, em janeiro de 2020, as perspectivas da Lafis, em linha com o mercado, era de um crescimento de 5,5% da produção de veículos leves no mercado nacional, dando continuidade ao movimento de crescimento das vendas para os frotistas.

            Contudo, diante das paralisações, e o estabelecimento da crise sanitária no País, já é esperada uma crise de confiança com significativa retração da demanda das vendas de autoveículos, uma vez que, em tempos de crise, tanto os consumidores, como os investidores deverão postergar a compra de veículos. Ou seja, mesmo após o retorno da produção, essa não deverá retomar à todo vapor.

            Desta forma, a perspectiva da Lafis para o desempenho da produção industrial no Brasil, principal varíavel correlacionada ao PIB Transformação foi reduzida. Até a primeira quinzena de março, a projeção da Lafis era de um crescimento de 2,2% da produção industrial em 2020, com um crescimento de 0,3% do PIB Transformação. No entanto, diante da crise do Covid-19 estabelecida no País no último dia 20, a Lafis realizou a revisão do seu cenário macroeconômico, e as projeções atualizadas para a produção industrial é de uma queda de 0,3%, e retração de 2,2% no PIB Transformação.


            Especialista Responsável Laís Soares.

            Após os primeiros efeitos sentidos do surto do Covid-19, o cenário econômico mudou e deverá continuar mudando constantemente. Muitas das previsões que eram críveis há uma semana, hoje já estão tão obsoletas quanto previsões feitas há mais de um ano.

            O próprio Ministério da Economia já admitiu os efeitos da brusca queda da atividade econômica ao revisar sua estimativa para o crescimento do PIB, passando a prever uma expansão mínima de apenas 0,02% para este ano, ou seja, uma estabilidade técnica.

            É por tais motivos que a Lafis revisou todo seu cenário macroeconômico para este e os próximos quatro anos, de modo a conformar todo o desequilíbrio econômico provocado pelos efeitos do período de confinamento adotado até então como forma de conter o ciclo de transmição da Covid-19 (doença causada pelo vírus Sars-CoV-2, comumente chamado de corona vírus) .

            Crescimento Econômico (PIB)

            O índice de atividade econômica (PIB) certamente é o indicador que sentirá os efeitos mais óbvios que um período de confinamento e paralisação da maioria das atividades econômicas traz consigo.
            Segmentos do setor de serviços como o comércio varejista e atacadista, setor de beleza e cuidados pessoais, vendas de eletrodomésticos, automóveis, móveis são só alguns exemplos que atividades que receberão grandes e negativos impactos e que levou a Lafis a alterar sua projeção para o PIB Serviços, que anteriormente apontava para uma expansão de 1,5%, passando à uma queda de 0,5%.

            A indústria, por sua vez, deverá ser afetada devido à profunda redução da demanda nestes meses de confinamento, bem como pelo período de restabelecimento das atividades após o fim do surto, fazendo com que o PIB Indústria deixe de percorrer a trajetória prevista de crescimento (1,1% pela previsão anterior), devendo se retrair  2,1% neste ano. 

            A soma destes efeitos deverá fazer a economia brasileira a se retrair 0,8% em relação ao ano anterior.



            Inflação

            Com a atividade colocada em um ritmo muito menos dinâmico, percebe-se que a crise instalada possui efeitos claramente desinflacionários. A orientação do Ministério da Saúde para que as pessoas evitem sair de suas casas como forma de conter o contágio pelo vírus, bem como diversos decretos estaduais proibindo a circulação de pessoas e a abertura de todo e qualquer serviço não essencial, fez que atividades como varejo físico, academias, serviços de beleza, conserto de aparelhos eletrônicos, dentre uma infinidade de outras, interrompessem totalmente suas atividades, o que torna impossível o repasse dos custos ao preço final.

            A indústria por sua vez, está vendo suas encomendas cairem a níveis muito menores, o que constitui um choque de demanda agudo. Nestas situações, a única solução é reduzir o preço dos produtos industriais, bem como a própria produção até que os crescentes estoques retornem aos níveis “normais”. Neste sentido, mais uma vez um possível repasse de custo (como por exemplo elevações dos insumos importados dado a desvalorização do real) se torna praticamente impossível de ser realizado ao preço final.

            As únicas excessões deste processo óbvio são os produtos essenciais para o período de confinamento. Alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza doméstica podem até apresentar pontuais aumentos de preço, dado ao aumento da demanda neste período, sobretudo em algumas regiões e áreas de maior adensamento populacional, no entanto, apesar de certo peso no IPCA geral de tais categorias (a saber Alimentação e Bebidas e Cuidados Pessoais), estas não farão frente às grandes quedas que ocorrerão na demais categorias como em Educação, Vestuário, Transportes e Habitação, o que fez com que a Lafis revisasse sua projeção para inflação acumulada de 2020, passando de 3,12% para 2,42%, patamar este abaixo do piso de metas de inflação estipulada pelo Banco Central.

             

            Juros

            Falando de Banco Central, com relação à condução da política monetária, há muito tempo o Bacen não descrevia uma mudança tão significativa do contexto econômico. Se antes a descrição da conjuntura interna permanecia sem grande alterações: “continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira ”, além do cenário externo que “apesar do recente aumento de incerteza, o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes ”, agora, o mais novo texto do Bacen elaborado em ocasião do comunicado à imprensa o cenário mudou drásticamente.

            Mesmo que os dados ainda não tenham captado os efeitos do Covid-19 na atividade econômica, o Banco Central já reconhece a gravidade da situação descrevendo uma provável queda da atividade com efeitos claramente deflacionários, além do aumento da incerteza no mercado de capitais, tudo isso com magnitude e duração incerta. O cenário internacional ainda é mais grave e de efeitos imediatos “a pandemia causada pelo novo coronavírus está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos financeiros. Nesse contexto, apesar da provisão adicional de estímulo monetário pelas principais economias, o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador ”.

            Assim, tudo isso fez com que a direção do Copom, em sua última reunião decidisse, por unanimidade, reduzir a taxa Selic de 4,25% para 3,75% a.a. - uma nova mínima histórica, deixando em aberto novos cortes a depender da necessidade. Dado isto, a Lafis revisou sua projeção (Selic) para fins de 2020, passando de 4,25% para 3,25%, prevendo mais um corte de 0.5 p.p já na próxima reunião.


            Taxa de Desocupação

            Outro mercado que certamente sentirá os efeitos do surto (ao que tudo indica, já está sofrendo) será o mercado de trabalho.

            Somente com a paralisação temporária dos serviços às empresas e famílias não essenciais, bares, restaurantes, comércio dentre outros, muitos trabalhadores foram e continuarão a ser dispensados, fato que já elevaria a taxa de desocupação.

            No entanto, os efeitos não deverão se limitar aos meses de confinamento apenas, mas sim a um período de duração de difícil determinação que se seguirá ao pico da crise sanitária. Após o restabelecimento da circulação de pessoas e reabertura das atividades econômicas suspensas, poderemos observar um longo período de atividade deprimida em virtude da falência de parte da força produtiva que sofreu com a brusca queda de receita e que não tinha uma reserva de caixa para financiar tal período.

            Com isso, muitos trabalhadores, antes dispensados, não encontrariam seus antigos postos de trabalho à disposição, levando-os ao desemprego ou ao emprego precário. Além, disso, o consumo provavelmente não deverá se restabelecer instantaneamente aos níveis pré-crise Covid-19, o que deverá afetar o ritmo de contratação da força de trabalho que a economia vinha traçando desde 2017.

            Tais motivos levam a Lafis a crer numa elevação da taxa média de desemprego ao valor de 12,5% da população economicamente ativa neste ano.



            Taxa de Câmbio

            Os sucessivos recordes do dólar em relação ao real colocam o Brasil como o país com a moeda de maior desvalorização entre emergentes em 2020.

            Isso se dá pois em momentos de crise, como é o atual cenário de previsão de recessão mundial, investidores estrangeiros saem de países de mais risco, como o Brasil, e compram em massa títulos do Tesouro de economias mais estáveis, em especial dos Estados Unidos, dado que são considerados uma das poucas alternativas seguras para preservar capital em tempos de grande incerteza.

            Sendo assim, tais motivos levaram a Lafis a corrigir sua projeção cambial para o real, acirrando sua trajetória de desvalorização.



            Resultado Fiscal (déficit primário)

            Por fim, como apontando anteriormente, com a redução do nível de atividade econômica no país, somada aos efeitos da desaceleração da economia, colocou em primeira ordem de urgência a adoção de um pacote e medidas de apoio à população mais vulnerável economicamente, bem como as empresas em situação de insolvência, além de verba extra para apoio das ações médicas, logísticas e sanitárias

            Tudo isso promete acirrar o déficit fiscal para além do patamar de gastos projetados anteriormente pela Lafis, bem como da meta fiscal prevista. Neste sentido, o reconhecimento de calamidade pública fez com que o Congresso aprovasse rapidamente o decreto legislativo que reconhece o estado de calamidade pública no país, permitindo que o governo aumente o gasto público e descumpra a meta fiscal prevista para o ano. Assim, o orçamento de 2020, que antes admitia déficit fiscal de até R$ 124,1 bilhões nas contas públicas, agora já não terá mais nenhum limite legal.

            Mesmo reconhecendo a grande dificuldade que é projetar a demanda adicional de gastos necessários, aliado a perda de arrecadação que se seguirá da perda econômica nos diversos setores produtivos e de consumo nacional, o exercício realizado pela Lafis de projeção das receitas e despesas primárias públicas trouxe um déficit fiscal substancialmente maior, devendo ser gasta a quantia de R$ 202,75 bilhões em 2020 acima das previsões de arrecadação, desvirtuando totalmente a trajetória de redução do déficit primário que o País vinha traçando.

            Economista Responsável Felipe Souza.



            • soja, empresas do setor soja, empresas do segmento soja, setor soja, segmento soja, economia, macroeconomia
              • Autor
                Lafis
              • Ano
                2020
              • Categoria
              • Analista Responsável
                Marcos Henrique
              A epidemia global de Covid-19 tem produzido efeitos negativos sobre toda economia, como já é de conhecimento público. O setor agropecuário, entretanto, com perspectiva de safra recorde esse ano, não deveria sofrer efeitos negativos intensos, dado que produz, em grande medida, alimentos, tido como essenciais pelas autoridades que vêm determinando a paralisação de diversos setores. Medidas restritivas que tem como objetivo o isolamento social, fecharam estradas e comércios em diversos estados, o que de acordo com a entidade que representa produtores de soja, vem pressionando os custos de frete para o setor. 

              "O mercado de frete está se ajustando, como tem caminhoneiro que não está querendo fazer rota longa, o preço do frete está subindo. Tem que escoar, o preço sobe mesmo, basicamente é isso que está acontecendo", disse André Nassar, presidente da Abiove. A despeito do aumento de custos, porém, não há falta de caminhões para transportar, o que não deve refletir em falta do produto, nem para demanda interna, nem para a externa que segue em ritmo firme. As projeções da Conab para o ciclo 2019/20, todavia, é estimada em 124,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 8% em relação ao último ciclo e novo recorde para a cultura.

              Do ponto de vista dos compradores do grão, processadoras chinesas de soja temem que o avanço do coronavírus por grandes países exportadores possam levar a uma nova escassez de oferta, com algumas plantas na maior compradora global da oleaginosa tendo de desacelerar operações. No primeiro bimestre do ano, houve um recuo de 13,3% na receita de exportação de soja, de acordo com os dados do MDIC e China segue sendo o principal cliente, tendo comprado 71% do produto brasileiro neste período. A despeito da conjuntura adversa, é cedo para compreender todos os efeitos do Covid-19 sobre as exportações, o que ficará mais claro com os resultados do mês de março.

              Especialista do Setor Marcos Henrique

              • materiais de acabamento, empresas do setor materiais de acabamento, empresas do segmento materiais de acabamento, setor materiais de acabamento, segmento materiais de acabamento, economia, macroeconomia
                As perspectivas da Lafis para o setor de materiais de acabamento e seus principais segmentos (revestimentos cerâmicos e painéis de madeira) eram favoráveis e consideravam um cenário de crescimento econômico, ainda que modesto, melhoria no mercado de trabalho e avanço d0o mercado imobiliário, variáveis chave para determinação do desempenho do setor de materiais de acabamentos.

                No entanto, diante dos efeitos do novo coronavírus (COVID-19) na economia brasileira, o desempenho para tais variáveis apresentou uma revisão significativa. Com férias coletivas já anunciada em algumas fabricas de móveis (principal demandante de painéis de madeira), além do receio das pessoas em relação ao futuro da economia, o segmento deverá ao longo de 2020 ver sua demanda apresentar uma queda substancial.

                Já o segmento de revestimentos cerâmicos segue a mesma lógica, sendo afetada também pelo cenário desafiador para o mercado imobiliário, mercado que é altamente dependente da oferta de crédito, emprego e nível de confiança do consumidor, variáveis que historicamente são duramente afetadas em períodos recessivos, como o projetado pela Lafis para 2020.

                Especialista do Setor Marcel Tau

                • saude,hospital,saúde privada,empresas do setor saúde privada,setor saúde privada,segmento saúde,saúde pública,empresas do setor saúde pública,setor saúde pública,segmento saúde pública,economia,macroeconomia
                  O início do ano de 2020 foi surpreendido pela expansão, em nível mundial, do novo coronavírus (Covid-19). Com origem na China, o vírus já se manifestou no Brasil com a chegada de turistas e brasileiros vindos das regiões afetadas e começa a se propagar de maneira rápida, principalmente em grandes regiões metropolitanas, como São Paulo e Rio de Janeiro.

                  Tendo em vista a velocidade de propagação do vírus, já se observa um sobrecarregamento do sistema público de saúde, bem como dos laboratórios de análises clínicas e procedimentos médico-hospitalares na rede de atendimento privada. A mensuração destes impactos, porém, ainda são incipientes e dependerá do tempo de duração da pandemia.

                  A princípio, poderá se observar um aumento dos custos médico-hospitalares, comprimindo as margens das operadoras de saúde no curto prazo. A decisão de repassar ou não deste aumento de custos via reajuste no preço das mensalidades poderá afetar diretamente a manutenção, renovação e contratação dos planos de saúde. Este desafio, portanto, se mantém no setor como já se observa há alguns anos: as operadoras detectam o crescimento dos custos e revisam seus processos sem prejudicar a qualidade do serviço prestado, porém com eventual impacto financeiro, aumentando os preços dos planos de saúde; por outro lado, os contratantes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, recebem os reajustes sempre acima da recomposição salarial, ficando a contratação dos planos de saúde privados cada vez mais incompatíveis com a renda disponível.

                  Além disso, a Lafis considera também a importante ligação do mercado de plano de saúde e o mercado de trabalho nacional, seja pela concessão de benefícios médicos aos funcionários contratados e seus dependentes, seja pela renda disponível das famílias para consumir este tipo de serviço. Desta forma, a elevada taxa de desemprego, ainda que em ritmo lento de queda, segue como alerta para o desempenho do setor, uma vez que o consumidor está mais racional e cauteloso, e mantém hábitos de consumo básicos frente à lenta retomada da economia, afetando negativamente o mercado de planos de saúde pelo adiamento na contratação, ou até mesmo cancelamento dos contratos já firmados, tendo em vista os reajustes acima da inflação.

                  Especialista do Setor Fernanda Rodrigues

                  • comércio varejista, setor comércio varejista, economia, macroeconomia, varejo, setor varejo,empresas do setor varejo, empresas do segmento varejo
                    A chegada do covid-19 (corona vírus) ao Brasil gerou um novo e mais intenso cenário de incertezas no País, sendo reconhecida a gravidade da situação e a possibilidade de queda na atividade econômica interna, com magnitude e duração de difícil previsão. No ambiente externo, o cenário é ainda mais grave e de efeitos imediatos, como a desaceleração do crescimento econômico global, constituindo-se em um cenário desafiador para as economias emergentes.

                    Neste sentido, a Lafis realizará uma série de boletins informativos a fim de acompanhar e avaliar os impactos desta conjuntura sobre a economia nacional sob a ótica macroeconômica e setorial. Nesta edição, por exemplo, serão analisados os principais acontecimentos relacionados ao comércio varejista nacional.

                    A orientação do Ministério da Saúde para que as pessoas evitem sair de suas casas como forma de conter o contágio pelo vírus levou a uma corrida aos supermercados nas regiões mais afetadas do País: São Paulo e Rio de Janeiro. Com medo do isolamento, como já observado em outros países, muitas famílias decidiram realizar compras de abastecimento para se precaver de um possível cenário mais crítico. Os itens mais procurados são aqueles considerados essenciais, como papel higiênico e produtos para a higiene pessoal, e alimentos não perecíveis (arroz, feijão, óleo, por exemplo). As associações do setor, porém, afirmam que não há risco de desabastecimento e que estão preparados para lidar com o aumento na demanda.

                    Por outro lado, tal orientação levou à uma queda na movimentação nos principais centros de comércio da cidade de São Paulo, como a rua 25 de Março. De acordo com a Univinco (União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências), o movimento de pessoas caiu 30% na segunda semana de março e as vendas recuaram 60% desde o dia 12 do mesmo mês. Além disso, as associações ligadas ao segmento de shopping centers esperam uma queda de 30% no fluxo de visitas e, consequentemente, recuo nas vendas.

                    Dentre as medidas anunciadas para combater o avanço do covid-19 e com impactos diretos sobre o desempenho do comércio nacional está a emissão de decretos estaduais e municipais determinando o fechamento de lojas e estabelecimentos comerciais com atendimento presencial, com exceção de padarias, farmácias, restaurantes, supermercados e postos de combustíveis. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a medida entrará em vigor a partir do dia 20 de março com vigência até 05 de abril, enquanto o governador do Estado, João Doria, emitiu nota recomendando o fechamento de shopping centers e academias na região metropolitana até o dia 30 de abril.

                    De forma semelhante, o Governo do Estado do Rio de Janeiro recomendou o fechamento de shopping centers, centros comerciais e academias de ginástica, com exceção de supermercados e farmácias, além da restrição de 30% a lotação em bares, restaurantes e lanchonetes. Outras iniciativas restringindo o deslocamento de pessoas por meio do transporte público também vem sendo anunciadas, contribuindo para uma redução na circulação de pessoas nos principais centros comerciais do Estado.

                    Apesar das medidas de combate aos efeitos do vírus no âmbito econômico anunciadas pelos Governos Federal e Estaduais, como a injeção de R$ 143,7 bilhões na economia nos próximos 3 meses e o financiamento de R$ 275 milhões para micro e pequenas empresas (incluindo o comércio) do Estado de São Paulo, a Lafis revisou suas projeções relacionadas ao volume de vendas do comércio varejista ampliado no Brasil ao longo de 2020. Tal revisão considerou os impactos significativos e negativos da atual crise sanitária sobre as principais atividades que compõem o setor, bem como sua lenta recuperação em virtude de um mercado de trabalho fragilizado e crescente insegurança dos consumidores e investidores.

                    Desta forma, a perspectiva da Lafis para o crescimento do volume de vendas do comércio varejista ampliado no Brasil foi drasticamente reduzida para o ano de 2020, ainda que sustentada pela característica de essencialidade das atividades relacionadas a supermercados e artigos farmacêuticos neste contexto de epidemia. Tendo em vista o importante peso desta atividade na economia nacional, tal revisão impactou de forma significativa as perspectivas relacionadas ao PIB total, provocando uma forte queda de 0,6 p.p na projeção da Lafis para o crescimento econômico do País em 2020.

                    Especialista responsável Fernanda Rodrigues.

                    • mineração, empresas do setor mineração, empresas do segmento mineração, setor mineração, segmento mineração, economia, macroeconomia
                      • Autor
                        Lafis
                      • Ano
                        2020
                      • Categoria
                      • Analista Responsável
                        Marcos Henrique
                      O Ministério de Minas e Energia (MME) decidiu criar um Comitê Setorial de Crise para articular e coordenar medidas da pasta em meio à pandemia global de coronavírus. Entre os objetivos do grupo está "a garantia da prestação dos serviços de energia" e a "preservação da cadeia de produção e suprimento" de petróleo e gás, biocombustíveis e bens minerais. A Vale, uma das principais mineradoras do mundo, alertou na semana passada que pode adotar medidas de contingência, ou mesmo suspender parte de suas operações devido ao surto do Covid–19.

                      Diante do cenário de profunda aversão ao risco, expressa na queda das bolsas do mundo todo, as ações das empresas mineradoras estão desvalorizadas. Entre as principais razões, a iminente desaceleração da atividade global, vem puxando para baixo os preços das commodities, o que certamente trará impactos negativos sobre a receita das grandes empresas. Empresas como Anglo American Platinum e Sibanye Stillwater se preparam para uma série de ações, como medir a temperatura de trabalhadores antes de que entrem em elevadores estreitos para descer até 3,8 Km em minas subterrâneas e incentivar funcionários a revelar se são portadores de HIV. As empresas também distribuem vacinas contra a gripe e mudam a maneira como são feitos os exames médicos. 

                      No Brasil, o setor de mineração, que vinha de uma retração de 1,1% em 2019 refletindo a queda da produção mineral após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), vê sua recuperação podendo ser adiada diante da contingência imposta pela pandemia de Covid-19. Ao contrário do comportamento do petróleo, porém, o minério de ferro segue resiliente, cotado acima de US$ 90 por tonelada. Os futuros de aço, contudo, perderam força no fim do dia diante da piora das perspectivas para a economia mundial, o que lança dúvidas quanto a uma recuperação mais consistente para 2020.


                      Especialista do Setor Marcos Henrique

                      • transporte aéreo, empresas do setor transporte aéreo, empresas do segmento transporte aéreo, setor transporte aéreo, segmento transporte aéreo, economia, macroeconomia
                        • Autor
                          Lafis
                        • Ano
                          2020
                        • Categoria
                        • Analista Responsável
                          Felipe Souza
                        Dadas as restrições de voos internos e sobretudo internacionais  já adotados pela ANAC, bem como pelos primeiros resultados negativos referentes à movimentação de passageiros e aeronaves destas últimas semanas, já pode-se ariscar que o setor aéreo nacional deverá enfrentar a pior crise de sua história.

                        Com a drástica redução da demanda, as principais companhias aéreas anunciaram um enorme corte dos voos diários. A Gol decidiu cortar sua capacidade total de voos entre 60% e 70% até meados de junho, sendo um corte na ordem de 50% a 60% no mercado doméstico e de 90% a 95% nas operações internacionais. Percentual semelhante ao da Latam, que reduzirá a 30% seus voos, sendo a extinção de 90% dos voos internacionais e 40% os domésticos.

                        Obviamente tais ações levarão a uma queda da receita de voos de grandes proporções. Segundo projeções da Lafis, se antes era prevista uma elevação da receitas de voos de ordem de 9,2% (ao serem arrecadados R$ 50,1 bilhões pelo total das atividades aéreas, que incluem transporte de passageiro nacional e internacional mais transporte de cargas em geral), com os efeitos do surto da Covid-19 no setor, as projeções rumam para uma brusca queda de 31,9% do faturamento do segmento de transporte aéreo em relação ao ano anterior, sendo arrecadado apenas a cifra de R$ 31,3 bilhões.

                        Não é por menos que as autoridades federais já anunciaram um pacote de medidas para mitigar a queda de receita projetada, que poderia levar à uma quebradeira no setor. De acordo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, as companhias terão ajuda federal para bancar os reembolsos aos passageiros e mais prazo para pagar as outorgas aeroportuárias, espécie de taxa paga para usar os terminais. No entanto esse pacote nada poderá alterar a tendência de queda da demanda e faturamento, devendo apenas amortecer os custos. É fato que todas companhias irão perder com a crise.

                        Especialista do setor Felipe Souza

                        • construção, empresas do setor construção, empresas do segmento construção, setor construção, segmento construção, economia, macroeconomia
                          • Autor
                            Lafis
                          • Ano
                            2020
                          • Categoria
                          • Analista Responsável
                            Marcel Carneiro
                          O ano de 2019 mostrou uma recuperação do setor de construção, especialmente no segmento imobiliário, com avanço significativo do número de lançamentos (+19% no acumulado até novembro de 2019). No entanto, as vendas do setor, até o mesmo período ainda não haviam apresentado um desempenho satisfatório, com queda de 2,1%.

                          A expectativa do mercado para 2020 era de manutenção de um bom ritmo de lançamentos e retomada de um patamar mais elevado de vendas, que seria beneficiado por uma maior taxa de crescimento econômico, retração do desemprego e manutenção dos juros baixos. 

                          No entanto, com o avanço do COVID-19 para todos os continentes e seus efeitos já bastante preocupantes no Brasil, as expectativas foram severamente afetadas para o segmento imobiliário, altamente dependente de um maior nível de confiança dos consumidores e empresários por se tratar de uma compra de longo prazo e dependente de crédito.

                          Desta maneira, em um primeiro momento, a Lafis projeta uma queda significativa das vendas do setor e desaceleração considerável no ritmo de novos lançamentos. Além disso, é provável que construtoras se deparem com uma situação financeira delicada nos próximos meses, em especial as que já possuíam balanços ruins antes do avanço da epidemia e dos seus desdobramentos e que buscavam se reerguer.


                          Especialista do Setor Marcel Tau

                          • hotéis, empresas do segmento hotéis, setor hotéis, segmento hotéis, economia, macroeconomia, viagem, turismo, setor turismo, segmento turismo
                            • Autor
                              Lafis
                            • Ano
                              2020
                            • Categoria
                            • Analista Responsável
                              Fernanda Rodrigues
                            As últimas semanas têm sido conturbadas e preocupantes para o setor de hotéis e turismo nacional. Com a divulgação de novos casos de infectados pelo Covid-19 no Brasil e as recomendações do Ministério da Saúde para restringir o movimento de pessoas a fim de barrar a proliferação do vírus, os hotéis, resorts e pousadas em todo o país já tiveram 90% de suas reservas canceladas até o mês de junho deste ano.
                            A informação foi divu
                            lgada pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih Nacional) e envolve não apenas viagens a lazer, mas também a trabalho, feiras e eventos. A associação solicita uma ajuda no valor de R$ 1 bilhão ao governo e criticou o socorro financeiro dado às companhias aéreas – com a restrição de voos nacionais e internacionais, houve cortes na capacidade total de voos das principais companhias atuantes no País – alegando a necessidade de se olhar a cadeia como um todo.

                            Além disso, um estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou uma queda de 16,7% no faturamento do setor de turismo brasileiro na primeira quinzena de março em relação ao mesmo período do ano passado, representando uma perda de R$ 2,2 bilhões. Este quadro afeta diretamente o nível de contratação do setor que, segundo estimativas da CNC, pode chegar à eliminação de 115,6 mil postos de trabalho formais.

                            Diante deste cenário, a Lafis acredita em uma redução significativa do faturamento do setor de hotéis e turismo no Brasil em 2020. Tal perspectiva leva em consideração não apenas a paralisação das atividades turísticas e de setores relacionados, como o transporte aéreo e rodoviário, mas também o lento ritmo de recuperação das empresas do setor após a retomada das atividades. Isto porque acredita-se que o sentimento de insegurança perdurará por alguns meses, baseado principalmente em um mercado de trabalho fragilizado, adiando tanto a expansão dos gastos das famílias com turismo e lazer, por exemplo, ao priorizarem o consumo de bens e serviços essenciais, quanto a geração de um novo ciclo de os investimentos por parte das empresas.

                            Especialista do Setor Fernanda Rodrigues

                            • autopeças, empresas do setor autopeças, empresas do segmento autopeças, setor autopeças, segmento autopeças, economia, macroeconomia
                              • Autor
                                Lafis
                              • Ano
                                2020
                              • Categoria
                              • Analista Responsável
                                Lais Cristina
                              O setor de autopeças possui uma forte dependência da produção das montadoras, cerca de 65% do faturamento do setor deve-se às receitas das vendas para as montadoras. 

                              Na noite da última quinta-feira (19/03/20), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes da Indústria de Automotores) anunciou que todas as montadoras associadas do País estavam se preparando para a paralisação da produção, de modo geral, a princípio o que mais notou-se foi a deliberação de férias coletiva inicialmente é até o final de abril. Todavia, com as perspectivas de retração da demanda das vendas de autoveículos já esperada, mesmo após o retorno da produção, essa não deverá retomar à todo vapor, uma vez que, em tempos de crise, tanto os consumidores, como os investidores deverão postergar a compra de veículos.

                              Embora, a crise do COVID-19 tenha aparentado no início do ano como uma oportunidade ao setor, devido a retração da oferta de peças importadas da China, e a forte desvalorização do real, oferecendo uma elevação da concorrência das peças nacionais, haja vista, a interrupção da produção das montadoras no País, a produção do setor de autopeças, que apresentou um crescimento de 4,2% em 2019, ainda muito distante do patamar de produção anterior a crise de 2014, deverá mergulhar no terreno negativo em 2020. 

                              Em janeiro, as perspectivas da Lafis para o setor em 2020 eram de um crescimento de 5,4% da produção industrial, com uma elevação de 6,6% do faturamento nominal. Contudo, diante do cenário observado nesta segunda quinzena de março, a tendência é que o faturamento do setor apresente uma retração substantiva. 

                              Analista do Setor Laís Soares.