Toda segunda feira, um balanço setorial da semana que
passou.
resumo
dos principais acontecimentos da semana de 01 a 06 de setembro de 2008
.
Petróleo
- Produção e Refino: Iniciada a produção no pré-sal
A Petrobras iniciou
semana passada (dia 1º de setembro) a produção do primeiro óleo da camada pré-sal,
no campo de Jubarte, na Bacia de Campos (litoral sul do Espírito Santo). De acordo
com a empresa, o potencial de produção do primeiro poço é de 18 mil barris por dia
e seu desenvolvimento tem como principal finalidade ampliar o conhecimento sobre as
reservas do pré-sal no Estado capixaba e em outros pontos do litoral brasileiro.
A produção começa com
um Teste de Longa Duração (TLD), com o objetivo de observar e analisar as condições
do óleo do pré-sal, tanto no reservatório quanto na unidade de processo da
plataforma, teste esse que deve durar de seis meses a um ano.
A Petrobras, nos últimos
dois anos, investiu aproximadamente R$ 1,7 bilhão na perfuração de 15 poços que
atingiram as camadas pré-sal; oito já foram testados e indicaram presença de petróleo
leve de alto valor comercial e grande quantidade de gás natural associado, mas os poços
ainda não tiveram declarada a comercialidade, pois estão em fase de avaliação.
.
Aços Planos/Aços Longos: Tendência de arrefecimento nos preços do aço
Com o
desaquecimento da economia mundial, os fabricantes de automóveis e de eletrodomésticos,
além das construtoras, estão demandando menos aço. Com isso seus preços, ainda que
em níveis historicamente bastante elevados, estão começando a enfraquecer, passando a
acompanhar o movimento de outras commodities. No dia 02/09, por exemplo, a
ArcelorMittal, anunciou cortes de até 10% no preços de todos os seus aços na África
do Sul. No Leste Europeu, o preço de aço laminado a quente, já caiu cerca de 30%,
para a faixa de US$ 1.000/t, em menos de dois meses. Enquanto isso, nos Estados Unidos,
os preços dos laminados a quente e a frio feitos no país caíram cerca de 8%, ou US$
80/t, no mês passado. Na China, maior produtor mundial, o aço tem caído desde julho,
depois de uma alta no primeiro semestre que levou a um recorde em junho.
No Brasil, ainda que a
demanda continue aquecida, puxada pelo aumento do consumo nos setores de construção
civil, automóveis e bens de capital, o preço desse insumo deve acompanhar a
performance mundial e apresentar certo arrefecimento conforme foi observado já no mês
de julho. Nele, o IPA para ferro, aço e derivados subiu 3,7%, depois de alta de 6,9% em
junho, reduzindo a pressão no índice geral. Desta forma, sua inflação, que está em
26,6% no ano (até julho) tende a ficar mais comportada.
.
Comércio Varejista: Lojas Renner compra a Leader
A Lojas Renner, uma das
maiores redes de lojas de departamento brasileira, anunciou na quinta-feira, 4 de
setembro de 2008, a aquisição da Leader Participações, responsável por 100% do braço
varejista da mesma, bem como detentora de 50% do capital social da administradora de
cartões homônima.
Com a operação, orçada
em R$ 670 milhões, sendo 35% desse valor parcelado até 2013, a Renner amplia a
segmentação do mercado varejista reiterando sua posição junto ao consumidor médio e
de alta renda, enquanto objetiva, através da Leader, contemplar a demanda por artigos
populares. A aquisição também será significativa para a base de cartões private
label, totalizando aproximadamente 17 milhões de unidades. Foi firmado com o Bradesco,
proprietário da outra metade da Leader Crédito, um contrato de prioridade na aquisição
de ambas as partes.
O faturamento de ambas
empresas, no ano de 2007, foi R$ 3,1 bilhões em 133 lojas e 3 centros de distribuição.
Quanto aos cartões de crédito, Renner e Leader, emitiram mais de 15,5 milhões de
unidades.
.
Energia Elétrica - Transmissão: Mais três leilões de linhas de transmissão
Até o final do ano, o governo federal planeja realizar mais três leilões
para conceder em torno de seis mil quilômetros de linhas de transmissão. O primeiro e
único deste ano, conforme já comentado, ocorreu no mês de junho, com destaque para a
participação das construtoras espanholas Isolux, Abengoa e Elecnor.
A versão final do edital do próximo (marcado para o dia 3 de outubro)
foi aprovada no dia 02/09 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), quando
serão ofertados 356 quilômetros em seis diferentes linhas que ficarão nos Estados do
Piauí, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco. A previsão de
entrada em operação comercial desses empreendimentos é de 16 a 24 meses após a
assinatura dos contratos de concessão. A receita anual permitida é de R$ 65,298 milhões,
distribuída entre os diversos lotes.
Os outros dois leilões previstos para acontecer este ano são o do linhão
do Madeira do qual fazem parte as usinas de Santo Antônio e Jirau (a Aneel espera a
manifestação do Tribunal de Contas da União para decidir sobre o edital), com cerca
de 2,5 mil quilômetros e o das linhas que vão ligar as usinas de cana-de-açúcar que
ficam no Mato Grosso do Sul e Goiás ao Sistema.
Em 2008, está prevista a entrada em operação de cerca de 3,5 mil quilômetros
de linhas de transmissão, sendo que destes, pouco mais de 600 quilômetros enfrentam
restrições (licenciamento ambiental, dentre outros).
.
Laticínios: Joint venture entre Kraft e Sadia
No quinto dia do mês de
setembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições,
a joint venture entre as indústrias de alimentos Sadia e Kraft. O objetivo desta
parceria é a produção e distribuição de queijo no mercado nacional, incluindo a
marca Philadelphia, componente do portfólio da Kraft, bem como diversos patês e
queijos processados, produzidos e comercializados pela Sadia.
A produção será sediada
na planta localizada em Curitiba (PR), onde a participação nas instalações fabris e
maquinário se dividirá em 49% para a Sadia e 51% para a Kraft. O investimento
destinado para a consolidação da joint venture foi de R$ 30 milhões. O mercado de
produtos premium movimenta R$ 1,5 bilhão por ano do total de R$ 8 bilhões registrados
nas vendas de queijo, portanto, o foco da parceria será a exploração do nicho de
demanda por itens voltados para o consumidor de alta renda, considerado um mercado
promissor.
.
Transporte Aéreo: Discussão sobre privatização de aeroportos
Durante a primeira semana de setembro voltou em
discussão a proposta de aplicar à iniciativa privada o controle operacional de alguns
aeroportos brasileiros. Os terminais internacionais de Viracopos e Galeão estão no
centro das discussões, com o apoio do governador do Rio de Janeiro para o processo de
privatização, sob o argumento de que, para a disputa da cidade como sede das Olimpíadas
de 2016, o volume de investimentos disponibilizados pela iniciativa privada seriam de
grande importância.
A proposta de privatização
encontra tradicionalmente resistência por uma parcela da sociedade, que entende como não
adequada disponibilizar ativos públicos sob o argumento de seu histórico de ingerência.
No caso do aeroporto do Galeão, as obras de seu segundo terminal se arrasta à anos por
falta de recursos do Estado; por isso ganha força a iniciativa de privatização ao invés
do debate sobre a eficiência da gestão pública. Medidas para ganhos de eficiência
administrativas por parte da gestão pública seria, teoricamente, colocada de lado,
resumindo-se no aceito discurso de melhor capacidade gerencial da iniciativa privada.
No entanto, a história
recente brasileira demonstra que a mudança do caráter do Estado, de gestor para
fiscalizador, apresentou avanços significativos para, principalmente, a infra-estrutura
do país, com exemplos como da telefonia, transporte ferroviário, portos e petróleo.
Especialmente sobre este último, a proposta do Governo Federal para o transporte aéreo
tende a seguir o modelo adotado para a Petrobras, com o Estado representando cerca de
43% do total das ações da empresa, que apresenta um modelo de eficiência operacional
tipicamente privado.
Após a deflagração dos problemas no setor aéreo
brasileiro com o acidente do vôo da Gol em 2006, o déficit de investimentos públicos
tornou-se evidente, dando corpo à discussão sobre a abertura de capital do sistema. A
consolidação das propostas sugerem o compromisso do governo em criar um sólido marco
regulatório, ampliando a confiança institucional e, conseqüentemente, favorecendo o
aumento dos recursos investidos.
.
Construção: Movimento de consolidação em andamento
A euforia em torno das empresas ligadas à
atividades da construção, através do lançamento bilionário de seus IPOs, nos últimos
dois anos, criou uma expectativa de que o setor viesse a passar por um processo de
consolidação em breve, processo que se daria mediante fusões e aquisições. Este ano
já foi dado início a este movimento, com a Cyrela arrematando, em junho de 2008, a
Incorporadora Agra por R$ 1,5 bilhão (transação será realizada por meio de troca de
ações).
Neste mês de setembro foi a vez da Construtora
Tenda ser incorporada. A Tenda, focada basicamente em imóveis de baixa renda, será
integrada a uma subsidiária da Gafisa, a Fit Residencial Empreendimentos Imobiliários.
A operação reforça o empenho despendido pela Gafisa nas operações para o mercado de
baixa renda, mercado este que tem modificado a estratégia de grandes companhias que
atuavam exclusivamente para os seguimentos de média e alta renda, criando-se empresas
paralelas ou parcerias com intuito de expandir sua carteira de clientes e
fundamentalmente aproveitar a expansão do crédito imobiliário canalizado para classe
de renda menos assistida.
A Gafisa não revelou o valor da transação, porém
ficou acordado que 60% do capital da Tenda será incorporada na Fit, enquanto que os
controladores possuirão 20% e o restante continuará no mercado.
De modo geral, é importante ressaltar que o
contexto que sucedeu a abertura de capital destas empresas ligadas à construção
trouxe um certo excesso de otimismo por parte dos investidores que, baseados no
crescimento vertiginoso do mercado imobiliário, enxergaram uma boa oportunidade de
ganho de capital. Os investidores deveriam observar duas características importantes da
dinâmica do setor para tirar suas conclusões a respeito do mercado. A primeira está
relacionada à necessidade de capital intensivo para aquisição de áreas e execução
das obras até seus lançamentos. A segunda está na carteira de recebíveis destas
empresas, cujos valores não estão descritos nos balanços, constituindo-se em um ativo
que futuramente pode se transformar em capital no mercado de securitização.
De acordo com a primeira característica, um
indicador de importância estratégica para as companhias são os chamados land banks
(banco de terrenos), pois estes ditam o ritmo de lançamentos. Sendo assim, ocorreu uma
corrida frenética na compra de terrenos caros, gerando um dispêndio vigoroso de
recursos desencadeando assim um forte endividamento das empresas comprometendo a
capacidade de novos investimentos. Devido a este endividamento, instaurou-se uma divergência:
enquanto as receitas refletem o bom desempenho do setor, em termos de vendas, o
crescimento das dívidas e escassez de crédito corporativo tem sido um fato delicado
para algumas empresas, que por falta de um planejamento financeiro vêem suas fontes
minguarem. Por outro, o mercado deve ficar atento à segunda característica e analisar
de forma minuciosa as carteiras de recebíveis das companhias, pois conforme o
desenvolvimento do mercado de Certificado de Recebíveis (CRIs) estes ativos se tornarão
uma fonte de capital alternativa contribuindo para o financiamento dos produtos, no
caso, imóveis.