Comentário setorial

resumo dos principais acontecimentos da semana

Semana de 28 a 05 de março de 2010



Cerveja: AMBEV amplia plano de investimentos para 2010

A maior fabricante nacional de cerveja, Ambev, anunciou a expansão de seu plano de investimentos para 2010 que saiu de R$ 1,5 bilhão (anunciado anteriormente) para R$ 2 bilhões. O novo montante, condicionado à manutenção da carga tributária incidente no setor, dobra a aplicação realizada em 2009 e pode significar o maior investimento da história da companhia. Com a perspectiva de continuidade de calor acima da média e da ocorrência da Copa do Mundo, a companhia buscará elevar sua capacidade produtiva entre 10% e 15% por meio da construção de pelo menos três novas unidades de produção, além da ampliação das já existentes, gerando cerca de 44 mil novos empregos diretos e indiretos.

Com as mudanças no sistema de tributação efetuadas no ano passado, a empresa enfrentou um aumento de 15% nos impostos federais, os quais não foram totalmente repassados ao consumidor visando manutenção do crescimento das vendas. De fato, a empresa conseguiu obter ganhos de participação de mercado por meio de inovações e preço que, aliados à expansão da renda da população, sustentaram uma elevação de 9,9% nas vendas da bebida.

Ao mesmo tempo em que o crescimento da massa salarial sustenta a expectativa de evolução positiva das vendas, as projeções para o rendimento médio do trabalhador acirraram os ânimos na indústria cervejeira nacional. Este último, em especial, sinaliza uma grande oportunidade de crescimento de um segmento ainda pouco explorado por aqui, o das cervejas premium. A entrada da cervejaria holandesa Heineken, com ampla experiência em tal mercado, após a compra da divisão de cervejas da Femsa, em conjunto com a estratégia de fusões e aquisições da Schincariol, que privilegia a compra de microcervejarias, sinalizam o interesse da indústria nas cervejas de maior valor agregado.


Farmacêutica: Merck anuncia acordo para a compra da Millipore

A Merck da Alemanha (que não tem mais nenhuma ligação com a Merck americana desde que os Estados Unidos confiscaram a companhia como parte das reparações pela Primeira Guerra Mundial) anunciou acordo para a compra da Millipore, empresa americana com sede no estado norte-americano do Massachusetts, que produz tecnologias, ferramentas e serviços para as áreas de pesquisas biocientíficas e produção biofarmacêutica, por cerca de US$ 7,2 bilhões.

O negocio faz parte dos planos de aquisições da Merck, que estão se intensificando, e têm como objetivo fortalecer e diversificar seus negócios, ganhando, neste caso, uma posição mais forte nos EUA. Além disto, a empresa fortalece seu pilar de produtos químicos, ao mesmo tempo em que ganha eficiência em outro pilar, o de produtos farmacêuticos.

A operação surge no momento em que a companhia, assim como muitas outras do setor, enfrenta pressões crescentes resultantes do vencimento de patentes existentes e das resistências aos aumentos de preços pelas companhias e sistemas de seguro-saúde, juntamente com as dificuldades de desenvolvimento de novos produtos, fatores que esta acelerando a consolidação no setor farmacêutico.


Alumínio: Investimentos de R$ 400 milhões da Votorantim Metais em alumínio

A holding de metais do grupo Votorantim vai investir R$ 400 milhões para expandir os produtos transformados de alumínio. O investimento visa a instalação de duas novas prensas de extrusão na unidade operada pela Cia. Brasileira de alumínio (CBA), aumentando a produção mensal em 2 mil toneladas.

O objetivo primordial do grupo é atender ao crescimento da demanda no mercado interno por alumínio, níquel e zinco, pois, a economia internacional ainda apresenta instabilidade por conta da crise de 2008. Entretanto o grupo estipulou um acréscimo sobre os preços fazendo com que o alumínio ficasse em US$ 2 mil/ton, 20% acima da cotação de 2009; o zinco terá alta de 30% ao passo em que o níquel ficará estacionado em US$ 17 mil/ton. Apesar da alta, os preços ainda são bem inferiores à média observada nos anos de 2006 à 2008.


Mineração Geral: ArcelorMittal investirá US$ 130 milhões na mina de Andrade

Com a retomada da mina de Andrade (Minas Gerais), que estava arrendada à Vale desde 2004, a ArcelorMittal planeja triplicar sua capacidade de produção de minério de ferro no país, elevando a capacidade de Andrade e da mina de Serra Azul até 2014.

O minério de Andrade era fornecido pela Vale durante a vigência do contrato de arrendamento, agora desfeito. A mina terá de ter sua capacidade de produção ampliada para 5 milhões de toneladas até 2013, com investimento de US$ 130 milhões, garantindo o fornecimento de matéria-prima à usina de Monlevade.

A meta da Arcelor é atingir um nível maior de competitividade, chegando a uma capacidade anual de 10 milhões de toneladas de minério de ferro em 2014. A devolução da mina de Andrade pela Vale, para a qual foi arrendada ainda pela Arcelor, antes da fusão com a Mittal, por 20 anos, prorrogáveis por mais 20, foi feita amigavelmente.